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Marcos 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E de novo se pôs a ensinar à beira do mar: E se ajuntaram à roda dele tantas gentes que, entrando em uma barca,. se assentou dentro no mar, e tôda a gente estava em terra na ribeira: 2E lhes ensinava muitas coisas por parábolas, e lhes dizia segundo o seu modo de pregar: 3Ouvi: Eis saiu o semeador a semear. 4E ao tempo de semear, uma parte caiu junto do caminho, e vieram as aves do Céu, e a comeram. 5E outra caiu sôbre pedregulho, onde não tinha muita terra: IE nasceu logo, porque não havia profundidade de terra: 6Mas logo que saiu o sol, se entrou a queimar: E como não tinha raiz se secou: 7E outra caiu entre espinhos: E cresceram os espinhos, e a afogaram, e não deu fruto. 8E outra caiu em boa terra: E deu fruto, que vingou, e cresceu, e um grão deu a trinta, outro a sessenta, e outro a cento. 9E dizia: Quem' tem ouvidos de ouvir, ouça. 10E quando se achou só, lhe perguntaram os doze, que estavam com êle, qual era o sentido da parábola. 11E lhes disse: À vós outros é concedido saber o mistério do reino de Deus: mas aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas: 12Para que vendo vejam, e não vejam: E ouvindo oiçam e não entendam: Para que não suceda que alguma vez se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 13E lhes disse: Não entendeis esta parábola? pois como entendereis todas as parábolas?. 14O que semeia, semeia a palavra. 15E êstes são os que estão junto do caminho, nos quais a palavra é semeada, mas quando a têm ouvido, vem logo satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações. 16E assim mesmo são aqueles que recebem a semente em pedregulho: Os quais, quando têm ouvido a palavra, logo a recebem com gôsto: 17Mas não têm raiz em si, porquanto perseveram até certo tempo: Depois em se levantando a tribulação e a perseguição por amor da palavra, logo se escandalizam. 18E os outros são os que recebem a semente entre "espinhos êstes são os que ouvem a palavra. 19Mas as fadigas do século, e a ilusão das riquezas, e as outras paixões a que dão entrada, afogam a palavra e assim fica infrutuosa. 20E os que recebem a semente em boa terra, são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, e outro a cento. 21Dizia-lhes mais: Porventura vem a luzerna pará a meterem debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não é assim que a trazem para a porém sôbre o candeeiro? 22Porque não há coisa alguma escondida, que não venha a ser manifesta: Nem coisa alguma feita em oculto, que não venha a ser pública. 23Se algum tem ouvidos de ouvir, oiça. 24Também lhes dizia: Atendei ao que ides agora a ouvir. Com a medida com que medirdes aos mais, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará. 25Porque ao que já tem, dar-se-lhe-à: E ao que não tem, ainda o que tem se lhe tirará. 26Dizia também: Tal é o reino de Deus, como um homem que lança a semente sôbre a terra. 27Êle que dorme, e se levanta de noite e de dia, e a semente brota, e cresce sem êle saber como. 28Porque a terra por si mesma produz, primeiramente a erva, depois a espiga, e por último o grão grado na espiga. 29TE quando produzir os frutos, mete logo a foice, porque está chegado o tempo da ceifa. 30Ainda dizia: A que coisa assemelharemos nós o reino de Deus? 'ou com que parábola o compararemos? 31É como um grão de mostarda, que quando se semeia na terra, é a menor de tôdas as sementes que há na terra: 32Mas depois de semeado, cresce, e faz-se mais alto que tôdas as hortaliças, e cria grandes ramos, de modo que as aves do Céu podem vir pousar debaixo da sua sombra. 33E assim lhes propunha a palavra com muitas parábolas, tais como estas, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes: 34E não lhes falava sem usar. de parábolas: Mas tudo explicava depois em particular a seus discípulos. 35E naquele dia, já sôbre a tarde, lhes disse: Passemos à banda dalém. 36E despedindo a gente, o levaram consigo assim mesmo como estava na barca: É outras embarcações, que com êle estavam, o seguiram. 37Então se levantou uma grande tormenta de vento que metia as ondas na barca, de sorte que ela se encheu dágua. 38Entretanto estava Jesus dormindo na pópa sôbre um travesseiro: Então êles o acordam, e lhe dizem: Mestre, a ti não se te dá que pereçamos? 39E levantando-se ameaçou o vento, e disse para o mar: Cala-te, emudece. E cessou o vento, e seguiu-se uma grande bonança. 40Então lhes disse Jesus: Por que sois vós assim tímidos? Ainda não tendes fé? Ficaram êles sobremaneira penetrados de temor, e uns para os outros diziam: Quem julgas que é êste, que até o vento, e o mar lhe obedecem?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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