Marcos 9
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro, ea Tiago, ea João: E os levou sós a um alto monte em lugar apartado, e transfigurou-se ante êles. 2E os seus vestidos se tornaram resplandecentes, e em extremo brancos como a neve, tanto que nenhum lavandeiro sôbre a terra os poderia fazer tão brancos. 3E lhes apareceu Elias com Moisés e estavam falando com Jesus. 4E respondendo Pedro, disse a Jesus: Mestre, bom será que nós estejamos aqui: E façamos três tendas, para ti uma, e para Moisés outra, e para Elias outra. 5Porque não sabia o que diziam: Pois estavam atônitos de mêdo: 6E formou-se uma nuvem que lhes fêz sombra: E saiu uma voz da nuvem, que dizia: Êste é meu Filho diletíssimo: Ouvi-o. 7E olhando logo em roda, não viram ali mais ninguém, senão sômente a Jesus que estava com êles: 8E ao descerem êles do monte, mandou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto: Até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. 9E êles guardaram segrêdo, disputando entre si, sôbre que queria dizer aquela palavra: Até que houvesse ressurgido dos mortos. 10E lhe perguntaram, dizendo: Pois como dizem os fariseus, e os escribas, que Elias deve vir primeiro? 11Êle respondendo, lhes disse: Elias quando vier primeiro, reformará tôdas as coisas: E como está escrito acêrca do Filho do homem, deve padecer muito, e ser desprezado. 12Mas digo-vos que Elias já veio (e fizeram dele quanto quiseram) como está escrito dele. 13E vindo a seus discipulos, viu perto deles uma grande multidão de gente, e que os escribas estavam disputando com êles. 14E logo todo o povo vendo a Jesus, ficou espantado, e todos se encheram de temor, e correndo a êle o sau-davam. 15E êle perguntou-lhes: Que é o que estais disputando entre vós outros? 16E respondendo um dentre a gente, disse: Mestre, eu te trouxe meu filho, possuido de um espírito mudo: 17O qual onde quer que o apanha, o lança por terra, e o moço deita escuma pela bôca e range os dentes, e vai-se mirrando: E roguei a teus discípulos que o expelissem, e êles não puderam. 18Respondendo-lhes Jesus, disse: O' geração incrédula, até quando hei de eu estar convosco? Até quando vos hei de sofrer? Trazei-mo cá. 19Trouxeram-lho então. E ainda bem êle não tinha visto a Jesus, quando logo o espírito imundo o começou a agitar com violência: Até que caiu por terra, onde - se revolvia babando-se todo. 20E perguntou Jesus ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E êle disse: Desde a infância: 21E o demônio o tem lançado muitas vêzes no fogo, e muitas na água, para o matar: Porém se tu podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós. 22Disse-lhe pois Jesus: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. 23E imediatamente o pai do moço gritando, dizia com lágrimas: Sim, Senhor, eu creio: Ajuda-tu a minha inéredu!idade.: 24E Jesus vendo que o povo concorria, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito surdo, e mudo, eu te mando, sai dêsse moço: E não tones à entrar nete. 25Então dando. grandes gritos, e máltratando; o muito, saiu dele, e fitou como morto, de sorte que muitos diziam: Está morto. 26Porém tomando-o Jesus pela mão, o levantou, e êle se ergueu. 27E depois que entrou em casa, perguntaram-lhe seus discípulos particularmente: Por que o não pudemos nós expelir? 28E êle lhes disse: Esta casta de demônios não se pode fazer sair, senão à fôrça de oração, e de jejum. 29E tendo partido dali, caminharam mais além de Galiléia: E não queria que ninguém o soubesse. 30Entretanto ensinava a seus discípulos, e dizia-lhes: O Filho do homem será entregue às mãos dos homens, que lhe tirarão a vida, e êle ressurgirá ao terceiro dia, depois da sua morte. 31Mas êles não entendiam o discurso: E tinham mêdo de lho perguntar. 32Vieram denois a Cafarnaum. Quando êles estavam já em casa, lhes perguntou Jesus: De que vinheis vós tratando pelo caminho? 33Mas êles calaram-se: Porque no caminho haviam disputado entre si qual deles era o maior. 34E sentando-se chamou aos doze, e lhes disse: Se algum quer ser o primeiro, será o último de todos, e o servo de todos. 35E tomando a si um menino, pô-lo no meio dêles: Depois de o abraçar, disse-lhes: 36Todo que receber um dêstes meninos em meu nome a mim me recebe: E todo o que me receber a mim, não me recebe a mim, mas recebe àquele que me enviou. 37Respondeu-lhe João, dizendo: Mestre, vimos a "um: que lançava fora demônios em teu. nome, que nos não segue, e lho proibimos. 38E disse Jesus: Não lho proibais: Porque não há nenhum que faça milagre em meu nome, e que possa logo dizer mal de mim: 39Porque quem não é contra vós, é por vós. 40E qualquer que vos der a beber um copo dágua em meu nome, em atenção a que sois coisa de Cristo: Digo-vos em verdade que não perderá a sua recompensa. 41E todo o que escandalizar a um dêstes pequenos que crêem em mim: Melhor lhe fôra que lhe atassem a roda do pescoço uma mó de atafona, e que o lançassem no mar. 42E se a tua mão te escandalizar, corta-a: Melhor te é entrar na vida eterna manco, do que tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que nunca jamais se apaga: 43Onde o bicho que os rói nunca morre, e onde o fogo nunca se apaga. 44E se o teu pé te escandaliza, corta-o: Melhor te é entrar na vida eterna.côxo, do que tendo dois pés ser lançado no fogo do inferno, que nunca jamais se apaga: 45Onde o bicho que os rói nunca morre, e onde o fogo nunca se apaga. 46E -se o teu ôlho te escandaliza, lança-o fora: Melhor te é entrar no reino de Deus sem um ôlho, do que tendo dois ser lançado no fogo do inferno: 47Onde o bicho que os rói nunca morre, e onde o fogo nunca se apaga. 48Porque todos êles serão salgados no fogo, e tôda a vitima será salgada com sal. 49O sal é bom: Porém se êle se fizer insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós, e guardai paz entre vós.