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Mateus 13

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Naquele dia saindo Jesus de casa, sentou-se à borda do mar. 2E vieram para êle muitas gentes, de tal sorte que entrando em uma barca se assentou: E tôda a gente estava de pé na ribeira. 3E lhe falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia, a semear. 4E quando semeava, uma parte da semente caiu junto da estrada, e vieram as aves do Céu, e comeram-na. 5Outra porém caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra: E logo nasceu, porque não tinha altura de terra: 6Mas saindo o sol se queimou: E porque não tinha raiz se secou. 7Outra igualmente caiu sôbre os espinhos: E cresceram os espinhos, e êstes a afogaram. 8Outra, enfim, caiu em boa terra: E dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. 9O que tem ouvidos de ouvir, ouça. 10E chegando-se a êle os discípulos, lhe disseram: Por que razão lhes falas tu por parábolas? 11Êle respondendo, lhes disse: Porque a vós outros vos é dado saber os mistérios do reino dos Céus: Mas a êles não lhes é concedido. 12Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância: Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 13Por isso é que eu lhes falo em parábolas: Porque êles vendo não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem. 14De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Vós ouvireis com os ouvidos, e não entendereis: E vereis com os olhos, e não vereis. 15Porque o coração dêste povo se fêz pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e êles fecharam os seus olhos: Para não suceder que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam no coração, e se convertam, e eu Os sare. 16Mas por vós, ditosos os vossos olhos, pelo que vêem, e ditosos os vossos ouvidos pelo que ouvem. 17Porque em verdade vos digo, que muitos profe-' tas, e justos desejaram ver o que vêdes, e não o viram: E ouvir o que ouvis, e não o ouviram. 18Ouvi pois, vós outros, a parábola do semeador. 19Todo aquele que ouve a palavra do reino, e não a entende, vem o mau, e arrebata o que se semeou no seu coração: Este é o que recebeu a semente junto da estrada. 20Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gôsto: 21Porém êle não tem em si raiz, antes é de pouca duração: E quando lhe sobrevém tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza. 22E o que recebeu a semente entre espinhos este é o que ouve a palavra, porém os cuidados dêste mundo, e o engano das riquezas sufocam a palavra e fica infrutuosa. 23Eo que recebeu a semente em boa terra, este é O que ouve a palavra, e a entende, e dá fruto, e assim um dá a cento, e outro a sessenta, e outro a trinta por um. 24Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino "dos Céus é semelhante a um homem, que semeou boa semente no seu campo: 25E enquanto dormiam os homens, veio o seu inimigo, e semeou depois cizânia no meio do trigo, e foi-se. 26E tendo crescido a erva e dado fruto, apareceu também então a cizânia. 27E chegando os servos do pai de família, lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste tu boa semente no teu campo? Pois donde lhe veio a cizânia? 28E êle lhes disse: O homem inimigo é que fêz isto. E os servos lhe tornaram: Queres tu que nós vamos e a arranquemos? 29E respondeu-lhes: Não: Para que talvez não suceda que, arrancando a cizânia, arranqueis juntamente com ela tambfo, o trigo. 30Deixai crescer uma, e outra coisa até à ceifa, e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiramente a cizânia, e atai-a em molhos para a queimar, mas o trigo recolhei-o no meu celeiro. 31Propôs-lhes mais outra parábola dizendo: O reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou, e semeou no. seu campo: 32O qual grão é na verdade o mais pequeno de tôdas as sementes: Mas depois de ter crescido, é a maior de todas às plantas e se faz árvore, de sorte que as aves do Céu vêm a fazer ninhos nos seus ramos. 33Disse-lhes ainda outra parábola: O reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma, e o esconde em três medidas de farinha, até que todo êle fica levedado. 34Tôdas estas coisas disse Jesus ao povo em parábolas: E não lhes falava sem parábolas: 35A fim de que se cumprisse o que estava anunciado pelo profeta, que diz: Abrirei em parábolas a minha bôca, farei dela sair com ímpeto coisas escondidas desde a criação do mundo. 36Então, despedidas as gentes, veio à casa: E chegaram-se a êle os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola da cizânia do campo. 37Êle lhes respondeu, dizendo: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem. 38E o campo é o mundo. A boa semente porém são os filhos do reino dos Céus. E a cizânia são os maus filhos. 39E o inimigo que a semeou, é o diabo. E o tempo da ceifa é o fim do mundo. E os segadores são os. Anjos. 40De maneira que assim como é colhida a cizânia, e queimada no fogo: Assim acontecerá no fim do mundo: 41Enviará o Filho do homem os seus Anjos, e tirarão do seu reino todos os escândalos, e os que obram a iniquidade: 42E lançá-los-ão na fornalha do fogo. Ali será o chôro, e o ranger com os dentes. 43Então resplandecerão os justos, como o sol, no:' reino de seu pai. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. 44O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo: Que quando um homem o acha, o esconde, e pelo gôsto que sente de o achar, vai, e vende tudo o que tem, e compra aquele campo. 45Assim mesmo é semelhante o reino dos Céus a um homem negociante, que busca boas pérolas. 46E tendo achado uma de grande. preço, vai vender tudo o. que tem, e a compra. 47Finalmente o reino dos Céus é semelhante a uma rêde lançada ao mar, que tôda a casta de peixes colhe: 48E depois de estar cheia, a tiram os homens para fora, e sentados na praia escolhem os bons para os vasos e deitam fora os maus. 49Assim será no fim do mundo: Sairão os Anjos, e separarão os maus dentre os justos. 50E lançá-los-ão na fornalha do fogo: Ali será o chôro; e o ranger com os dentes. 51Tendes vós compreendido bem tudo isto? Responderam êles: Sim. 52Êle lhes disse: Por isso todo o escriba instruído no reino dos Céus, é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. 53E depois que acabou de dizer estas parábolas, aconteceu partir Jesus dali. 54E vindo para a sua pátria, êle os ensinava nas suas sinagogas de modo que se admiravam, e diziam: Donde lhe vem a êste uma sabedoria como esta, e tais maravilhas?. 55Porventura não é êste o filho do carpinteiro? Não se chamava sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas: 56E suas irmãs não vivem elas tôdas entre nós? Donde. vêm logo a êste todas estas coisas? 57E dele tomavam ocasião para se escandalizarem. Mas Jesus lhes disse: Não há profeta sem honra senão. na sua pátria e na sua casa. 58E não fêz ali muitos milagres, por causa da incredulidade de seus naturais.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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