Mateus 14
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Naquele tempo Herodes tetrarca ouviu a fama de Jesus. 2E disse aos seus criados: Êste é João Batista: Êle ressuscitou dentre os mortos, e por isso obram nele tantos milagres. 3Porque Herodes tinha feito prender a João, e ligar com cadeias: E assim o meteu no cárcere, por causa de Herodiades, mulher de seu irmão. 4Porque João lhe dizia: Não te é lícito tê-la po mulher. 5E querendo matá-lo, temia ao povo: Porque « reputavam como um profeta. 6Mas no dia em que Herodes fazia anos, bailou: filha de Herodiades diante de todos e agradou a He rodes. 7Por onde êle lhe prometeu com juramento, qu' lhe daria tudo o que lhe pedisse. 8Mas ela, preévenida por sua mãe: Dá-me, disse aqui em um prato a cabeça de João Batista. 9E o rei se entristeceu: Mas pelo juramento e pelo que estavam com êle à mesa, lha mandou dar. 10E deu ordem para que fossem degolar a João no cárcere. 11E foi trazida a sua cabeça num: prato, e dada à moça, e ela a levou a sua mãe. 12E chegando os seus discípulos, levaram o seu corpo, e o sepultaram: E foram dar a notícia a Jesus. 13E quando Jesus a ouviu, se retirou dali em uma barca a um lugar deserto: E tendo ouvido isto, as gentes foram saindo das cidades a pé em seu seguimento. 14E ao saltar em terra viu Jesus uma grande multidão de gente, e teve deles compaixão, e curou os seus enfermos. 15E vindo a tarde, se chegaram a êle os seus discípulos, dizendo: Deserto é êste lugar, e a hora é já passada: Deixa ir essa gente, para que, passando às aldeias, compre de comer. 16E Jesus lhes disse: Não têm necessidade de se ir: Dai-lhes vós outros -de comer. 17Responderam-lhe: Não temos aqui senão dnco pães e dois peixes. 18Jesus lhes disse: Trazei-mos cá. 19E tendo mandado à gente: que se recostasse sôbre o feno, tomando os cinco pães e os dois peixes, com os olhos no Céu abençoou e partiu os pães, e os deu aos discípulos, e os discípulos ao povo. 20E comeram todos, e se saciaram. E levantaram, do que sobejou, doze cestos cheios daqueles fragmentos. 21E o número dos que comeram foi de cinco mil homens, sem falar em mulheres e meninos. 22E obrigou logo Jesus a seus discípulos a que se embarcassem, e que passassem primeiro que êle à outra ribeira do lago, enquanto êle despedia a gente. 23E logo que a despediu, subiu só a um monte a orar. E quando veio a noite, achava-se ali só. 24Ea barca no meio do mar era combatida das ondas: Porque o vento era contrário. 25Porém na quarta vigília da noite, veio Jesus ter com êles, andando sôbre o mar. 26E quando o viram andar sôbre o mar, se turbaram dizendo: E” pois um fantasma, e de mêdo começaram a gritar. 27Mas Jesus lhes falou imediatamente, dizendo: Tende confiança, sou eu, não temais. 28E respondendo Pedro, lhe disse: Senhor, se tu és, manda-me que vá até onde tu estás por cima das águas. 29E êle lhe-disse: Vem. E descendo Pedro a barca, ia caminhando sôbre a água para chegar a Jesus. 30Vendo, porém, que-o vento era rijo, temeu, e quando se ia submergindo, gritou, dizendo: Senhor, põe-me a salvo. 31E no mesmo ponto Jesus estendendo a mão, o tomou por ela e lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste? 32E depois que subiram à barca, cessou o vento. 33Então vieram os que estavam na barca, e o adoraram, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus. 34E tendo passado à outra banda, vieram para a terra de Genesar. 35E depois de o terem reconhecido os naturais daquele lugar, mandaram por todo aquele país circunvizinho, e lhe apresentaram todos quantos padeciam algum mal: 36E lhe rogavam que os deixasse tocar sequer a orla do seu vestido. E todos os que o tocaram, ficaram sãos.