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Mateus 15

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então chegaram a êle uns escribas, e fariseus de Jerusalém, dizendo: 2Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos? pois não lavam as suas mãos, quando comem pão. 3E êle, respondendo, lhes disse: E vós também por que transgredis o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus disse:, 4Honra a teu pai, e a tua mãe: E o que amaldiçoar a seu pai, ou a sua mãe, morra de morte. 5Porém vós outros dizeis: Qualquer que disser a seu pai, ou a sua mãe, tôda a oferta que eu faça a Deus, te aproveitará a ti. 6Pois é certo que o tal não honrará a seu pai, ou a sua mãe: Assim é que vós tendes feito vão o mandamento de Deus pela vossa tradição. 7Hipócritas, bem profetizou de vós outros Isaías, quando diz:, R. 8ste povo honra-me com os lábios: Mas o seu coração está longe de mim. 9Em vão pois me honram, ensinando doutrinas e mandamentos, que vêm dos homens. 10E chamando a si as turbas, lhes disse: Ouvi, e entendei. 11Não é o que entra pela bôca, o que faz imundo o homem: Mas o que sai da bôca, isso é o que faz imundo o homem. 12Então chegando-se a êle seus discípulos, lhe -disseram: Sabes que os fariseus, depois que ouviram o que disseste, ficaram escandalizados? 13Mas êle, respondendo, lhes disse: Tôda a planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada pela raiz. 14Deixai-os: Cegos são o condutores de cegos: E se um cego guia a outro cego, ambos vêm. a cair no barranco. 15E respondendo, Pedro lhe disse: Explica-nos essa parábola. 16E respondeu Jesus: Também vós outros estais ainda sem inteligência? 17Não compreendeis que tudo o que entra pela bôca, desce ao ventre, e se lança depois num lugar escuso? 18Mas as coisas que saem da bôca vêm do coração, e essas são as que fazem o homem imundo: 19Porque do coração é que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, e os falsos testemunhos, as blasfêmias. 20Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O comer porém com as mãos por lavar, isto não faz imundo o homem. 21E tendo saído daquele lugar, retirou-se Jesus para as partes de Tiro, e de Sidônia. 22E eis que uma mulher cananéia, que tinha saído daqueles confins, gritou, dizendo-lhe: Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: Que está minha filha miseravelmente atormentada do demônio. 23Mas êle não lhe respondeu palavra. E chegando-se seus discípulos, lhe pediam, dizendo: Despede-a: Porque vem gritando atrás de nós. 24E êle respondendo lhes disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas que pereceram da casa de Israel. 25Mas ela veio, e o adorou, dizendo: Senhor, va-lei-me. 26Êle respondendo lhe disse: Não é bom tomar o pão dos filhos, e lançá-lo aos cães. 27E ela replicou: Assim é, Senhor: Mas também os cachorrinhos” comem das migalhas, que caem da mesa dos seus donos. 28Então respondendo Jesus, lhe disse: O” mulher, grande é a tua fé: Faça-se contigo como queres, e desde aquela hora ficou sã a sua filha. 29E tendo Jesus saído dali, veio ao longo do mar de Galiléia: E subindo a um monte se assentou ali. 30Então concorreu a êle uma grande multidão de povo que trazia consigo mudos, cegos, coxos, enfermos e outros muitos: E lançaram-se a seus pés, e êle os sarou. 31De sorte que se admiravam as gentes, vendo falar os mudos, andar os coxos, ver os cegos: E engrande-ciam por isso ao Deus de Israel. 32Mas Jesus chamando a seus discípulos, disse: Tenho compaixão destas gentes, porque ha já três dias que perseveram comigo, e não têm que comer: E não quero despedí-los em jejum, por que não desfaleçam no caminho. 33E os discípulos lhe disseram: Como poderemos nós pois achar neste deserto tantos pães, que fartemos tão grande multidão de gente? 34E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes vós? E êles responderam: Sete, e uns poucos de peixinhos. 35Mandou êle então à gente que se recostasse sôbre a terra. 36E tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, os partiu, e deu aos seus discípulos, e os discipulos os deram ao povo. 37E comeram todos e se fartaram. E dos fragmentos que sobejaram, levantaram sete alcófas cheias. 38E os que comeram foram quatro mil homens, fora meninos e mulheres. 39E despedida a gente entrou Jesus em uma barca, e passou os limites de Magedan.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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