Mateus 27
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E chegada que foi a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o entregarem à morte. 2E preso o levaram, e entregaram ao governador Pôncio Pilatos. 3Então Judas, que havia sido o traidor, vendo que fôra condenado Jesus, tocado de arrependimento, tornou a levar as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes, e anciãos, 4dizendo: Pequei, entregando o sangue inocente. Mas eles lhe responderam: A nós que se nos dá? virás tu lã o que fazias. 5E depois de lançar as moedas no templo retirou-se: E foi-se pendurar de um laço. 6Mas os príncipes dos sacerdotes, tomando o dinheiro, disseram: Não é lícito deitá-lo na arca das esmolas: Porque é preço de sangue. 7Tendo, pois, deliberado em conselho sôbre a matéria, compraram com êle o campo de um oleiro, e para servir de cemitério aos forasteiros. 8Por esta razão se ficou chamando aquele campo até o dia de hoje, Haceldamá, isto e, campo de sangue. 9Então se cumpriu o que foi anunciado ao profeta Jeremias, que diz: E tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi apreçado, a: quem puseram em preço com os filhos de Israel: 10E deram-nas pelo campo de um oleiro, assim como me ordenou o Senhor. 11Foi apresentado, pois, Jesus ao governador, e o governador lhe fêz esta pergunta, dizendo: Tu és o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes. 12E sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes, e pelos anciãos, não respondeu coisa alguma. 13Então lhe disse Pilatos: Tu não ouves de quantos crimes te fazem cargo? 14E não lhe respondeu a palavra alguma, de modo que se admirou o governador em grande maneira. 15Ora o governador tinha por costume, no dia da festa, soltar aquele preso que os do povo quisessem; 16E naquela ocasião tinha êle um preso afamado, que se chamava Barrabás. 17Estando pois êles todos juntos, disse-lhes Pilatos: Qual quereis vós que eu vos solte? Barrabás, ou Jesus, que se chama o Cristo? 18Porque sabia que por inveja é que lho haviam entregado. 19Entretanto, estando êle assentado no seu tribunal, mandou-lhe dizer sua mulher: Não te embaraces com a causa dêsse justo: Porque hoje em sonhos foi muito o que padeci por seu respeito. 20Mas os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos persuadiram aos do povo que pedissem a Barrabás, e que fizessem morrer a Jesus. 21E fazendo o governador esta pergunta, lhes disse: Qual dos dois quereis vós que eu vos solte? e responderam êles: Barrabás. 22Disse-lhes Pilatos: Pois que hei de fazer de Jesus, que se chama o Cristo? 23Responderam todos: Seja crucificado. O governador lhes disse: Pois que mal tem êle feito? e êles levantaram mais o grito dizendo: Seja crucificado. 24Então Pilatos vendo que nada aproveitava, mas que cada vez era maior o tumulto: Mandando vir água, lavou as mãos à vista do povo, dizendo: Eu sou inocente do sangue dêste justo: Vós lá vos avinde. 25E respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sôbre nós, e sôbre nossos filhos. 26Então lhes soltou a Barrabás: E depois de fazer açoitar a Jesus, entregou-lho para ser crucificado. 27Então os soldados do governador, tomando a Jesus para O levarem ao Pretório, fizeram formar à roda dêle tôda a coorte: 28E despindo-o, lhe vestiram um manto carmezim. 29E tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sôbre a cabeça, e na sua mão direita uma cana. E ajoe-lhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Deus te salve, rei dos judeus. 30E cuspindo nele, tomaram uma cana, e lhe davam com ela na cabeça. 31E depois que o escarneceram, despiram-no do manto, e vestiram-lhe os seus hábitos, e assim o levaram para o crucificarem. 32E ao sair ela cidade acharam um homem de Cirene, por nome Simão: A êste constrangeram a que levasse a cruz dele padecente. 33E vieram a um lugar que se chama Gólgota, que é o lugar do Calvário. 34EL lhe deram a beber vinho misturado com fel. E tendo-o provado não o quis beber. 35E depois que o crucificaram, repartiram as suas vestiduras, lançando sortes: Porque se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta, que diz: Repartiram entre si as minhas vestiduras, e sôbre a minha túnica lançaram sortes. 36E assentados o guardavam. 37Puseram-lhe também sôbre a cabeça esta inscrição, que declarava a causa da sua morte: ÊSTE E' JESUS, REI DOS JUDEUS. 38Ao mesmo tempo foram crucificados com êle dois ladrões: Um da parte direita, e outro da parte esquerda. 39E os que iam passando blasfemavam dele, movendo as suas cabeças, 40e dizendo: Ah, tu o que destróis o templo de Deus, e o reedificas em três dias, salva-te a ti mesmo: Se és filho de Deus, desce da cruz. 41Da mesma sorte insultando-o também os príncipes dos sacerdotes com os escribas, e anciãos, diziam: 42Êle salvou a outros, a si mesmo não se pode salvar: Se é rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele: 43Confiou em Deus; livre-o lá agora, se é seu amigo, porque êle disse: Eu, pois, sou. Filho de Deus. 44E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões, que haviam sido crucificados com êle. 45Mas desde a hora sexta até à hora nona se difundiram trevas sôbre tôda a terra. 46E perto ela hora nona deu Jesus um grande brado, dizendo: Eli, Eli, lamma sabachthani? isto é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? 47Alguns porém dos que ali estavam, e que ouviram isto, diziam: Êste'chama por Elias. 48E logo correndo.um dêles, tendo tomado uma esponja, a ensopou em vinagre, e a pôs sôbre uma cana e lha dava a beber. 49Porém os mais diziam: Deixa, vejamos se vem Elias a livrá-lo. 50E Jesus tornando a dar outro grande brado, rendeu o espírito. 51E eis que se rasgou o véu do templo em duas partes dalto abaixo: E tremeu a terra, e partiram-se as pedras. 52E abriram-se as sepulturas: E muitos corpos de santos, que eram mortos, ressurgiram. 53E saindo das sepulturas depois da ressurreição de Jesus, vieram à cidade santa, e apareceram a muitos. 54Mas o centurião, e os que com êle estavam de guarda a Jesus, tendo presenciado o terremoto, e os sucessos que aconteciam, tiveram grande mêdo, e diziam: Na verdade, êste homem era Filho de Deus. 55Achavam-se também ali, vindo de longe, muitas' mulheres, que desde a Galiléia tinham seguido a Jesus, subministrando-lhe o necessário: 56Entre as quais estavam Maria Madalena, e Ma-bedeu. 57E quando foi lá pela tarde, veio um homem rico de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus: 58Este chegou a Pilatos, e lhe pediu o corpo de Jesus. Pilatos mandou então que se lhe desse o corpo. 59Tomando, pois, o corpo, amortalhou-o José num asseado lençol. 60E depositou-o no seu sepulcro, que ainda não tinha servido, o qual êle tinha aberto numa rocha. E tapou a bôca do sepulcro com uma grande pedra que para ali re-volveu, e retirou-se. 61E Maria Madalena, e outra Maria estavam ali sentadas defronte do sepulcro. 62E no outro dia, que é o seguinte ao Parasceve, os príncipes dos sacerdotes, e os fariseus acudiram juntos à casa de Pilatos, 63dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, vivendo ainda, disse: Eu hei de ressurgir depois de três dias. 64Dá logo ordem que se guarde o sepulcro até ao dia terceiro: Por não suceder que venham seus discípulos, e o furtem, e digam à plebe: Ressurgin dos mortos: E desta sorte virá o último embuste a ser pior do que o primeiro. 65Pilatos lhes rspeondeu: Vós aí tendes guardas; ide, guardai-o como entendeis. 66Êles, porém, retirando-se, trabalharam por ficar seguro o sepulcro, selando a campa, e pondo-lhe guardas.