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Números 24

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Balaam vendo que era do agrado do Senhor que abençoasse a Israel, não foi, como antes tinha ido, buscar os seus agouros: mas voltando o seu rosto para o deserto, 2e levantando os olhos, viu a Israel acampado nas tendas pelas suas tribos: e vindo sôbre êle o Espírito de Deus, 3tornando ao fio da sua parábola, disse: Eis-aqui o que disse Balaam, filho de Beor; eis-aqui o que disse o homem dos olhos tapados: 4Eis-aqui o que disse o ouvinte das palavras de Deus; aquele, que viu as visões do Todo-Poderoso; aquele, que cai, e que deste modo se lhe abrem os olhos. 5Que formosos são os teus pavilhões, ó Jacó; e que belas as tuas tendas, ó Israel! 6São como os vales cobertos de grandes arvoredos; como as hortas junto aos rios que as regam; como as tendas, que o Senhor plantou; como os cedros junto às ribeiras. 7A água correrá do seu alcatruz, e a sua posteridade se fará semelhante às grandes águas. O seu rei será rejeitado por causa de Agag, e o reino lhe será tirado. 8Deus o tirou do Egito, a sua fortaleza é semelhante à do rinoceronte. Êles devorarão os povos, seus inimigos, e lhes quebrarão os ossos, e os traspassarão com as flechas. 9Deitando-se adormeceu como o leão, e como a leoa, que ninguém se atreverá a acordar. O que te abençoar, será também bendito: e o que te amaldiçoar, será tido por amaldiçoado. 10E Balac irado contra Balaam, batendo com as mãos, lhe disse: Eu tinha-te chamado para amaldiçoares os meus inimigos, e tu pelo contrário os tens abençoado já por três vezes: 11Volta para a tua terra. Eu na verdade tinha determinado honrar-te com magnificência, mas o Senhor te privou da honra destinada. 12Respondeu Balaam a Balac: Pois não disse eu aos teus mensageiros, que me mandaste: 13Ainda quando Balac me desse a sua casa atulhada de prata e de ouro, não poderia eu transgredir as ordens do: Senhor meu Deus, para proferir de minha cabeça a mínima coisa, ou em bem, ou em mal: mas eu hei de dizer tudo o que o Senhor me tiver dito. 14Contudo na volta para o meu povo, dar-te-ei um cofiselho, sôbre o que por último há de fazer o teu povo contra êste outro. 15Prosseguindo pois a sua parábola, tornou a dizer: Eis-aqui o que disse Balaam, filho de Beor: Eis-aqui o que disse o homem dos olhos tapados: 16Eis-aqui o que disse o ouvinte das palavras de Deus; o que conhece a doutrina do Altíssimo, e vê as visões do Todo Poderoso; o que caindo tem os olhos abertos. 17Eu o verei, mas não agora: eu o contemplarei, mas não de perto. Nascerá uma Estrela de Jacó, e levantar-se-á uma vara de Israel; e ferirá os capitães de Moab, e destruirá todos os filhos de Set. 18E a Iduméia será sua possessão: a herança de Seir cederá aos seus inimigos: 'Mas Israel obrará valorosamente. 19De Jacó sairá o dominador, e arruinará as relíquias da cidade. 20E como visse Amalec, continuando a parábola, disse: Amalec tem sido o primeiro das gentes, e por fim êle perecerá inteiramente. 21Viu também os cineus: e prosseguindo a parábola, disse: O lugar em que tu habitas é forte: Mas quando tu tiveres estabelecido o teu ninho no rochedo, 22e tiveres sido escolhido da estirpe de Cin, por quanto tempo poderás tu durar? Porque o assírio te cativará. 23E outra vez prosseguindo a parábola, disse: Ai! quem se achará vivo, quando Deus fizer estas coisas? 24Êles virão da Itália nas suas galés; vencerão aos assírios, e arruinarão os hebreus; e por fim também êles mesmos perecerão. 25E levantou-se Balaam, voltou para a sua terra: Balac também voltou pelo mesmo caminho, por onde tinha vindo.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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