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Números 23

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então disse Balaam a Balac: Edifica-me aqui sete altares, e prepara outros tantos novilhos e outros tantos carneiros. 2E tendo feito Balac o que Balaam lhe havia dito, puseram juntamente um novilho e um carneiro sôbre cada altar. 3E Balaam disse a Balac: Fica-te ura pouco ao pé do teu holocausto, enquanto eu vou ver se acaso o Senhor me aparece, e te direi tudo o que êle mandar. 4E partindo a tôda a pressa, apareceu-lhe Deus. E falando-lhe Balaam, disse: Eu levantei sete altares, e pus um novilho e um carneiro sôbre cada um. 5E o Senhor lhe pôs a palavra na bôca, e disse: Torna para Balac, e dir-lhe-ás estas coisas. 6Tornando, achou a Balac pôsto em pé junto do seu holocausto com todos os príncipes dos moabitas: 7e começando a falar em parábola, disse: Balac, rei dos moabitas, me trouxe de Aram, desde os montes do Oriente: vem, me disse, e amaldiçoa a Jacó: apressa-te, e detesta a Israel. 8Como amaldiçoarei eu a quem Deus não amaldi-' çoou? Como detestarei a quem o Senhor não detesta? 9Eu o. verei do cume dos rochedos, e o contemplarei dos outeiros. Êste povo habitará só e não será contado no número das nações. 10Quem poderá calcular o pó de Jacó, e conhecer o número dos filhos de Israel? A minha alma morra da morte dos justos, e o fim da minha vida se assemelhe aos destes homens. 11E disse Balac a Balaam: Que é isto que tu fazes? Eu chamei-te para amaldiçoares os meus inimigos; e tu pelo contrário os abençoas. 12Êle lhe respondeu: Acaso posso eu dizer outra coisa, senão o que o Senhor me mandou? 13Disse-lhe pois Balac: Vem comigo a outro lugar, donde tu vejas uma parte de Israel, sem que O possas ver. todo por inteiro, e amaldiçoa-o daí. 14E tendo-o levado a uma grande eminência no cume do monte Fasga, levantou ali Balaam sete altares, e postos sôbre cada altar um novilho e um carneiro, 15disse a Balac: Deixa-te aqui ficar ao pé do teu holocausto, enquanto eu vou ver se o encontro. 16E como o Senhor lhe aparecesse, e lhe pusesse a palavra na sua bôca, lhe disse: Torna para Balac, e dir-Ihe-ás estas coisas. 17Tornando o achou pôsto em pé junto do seu holocausto, e os príncipes dos moabitas com êle. Balac lhe perguntou: Que é o que te disse o Senhor? 18E êle continuando com a sua parábola, disse: Levanta-te, Balac, e escuta; ouve filho de Sefor. 19Deus não é como o homem capaz de mentir, nem como o filho do homem, sujeito a mudanças. Êle pois disse, e não o fará? Falou, e não o cumprirá? 20Eu fui trazido para abençoar, não posso impedir a bênção. 21Em Jacó não há ídolo, nem em Israel se vê simulacro. Com êle está o Senhor seu Deus, e nêle se ouve o som da vitória do rei. 22Deus o tirou do Egito, a sua fortaleza é semelhante à do rinoceronte. 23Não há agouros em Jacó, nem adivinhações em Israel. A seus tempos se dirá a Jacó e a Israel o que Deus obrou. 24Eis-aqui o povo que se levantará como uma leoa, e se porá em pé como um leão: não se deitará, menos que não devore a prêsa, e que não beba o sangue dos que tiver morto. 25E disse Balac a Balaam: Nem o amaldiçoes, nem o bendigas. 26E êle respondeu: Não te disse eu que havia de fazer tudo aquilo que o Senhor me mandasse? 27E Balac lhe disse: Vem, e levar-te-ei a outro lugar: a ver se é do agrado de Deus que tu dali os amaldiçoes. 28E depois de o ter levado acima do cume do monte Fogor, que olha para o deserto, 29disse-lhe Balaam: Levanta-me aqui sete altares, e prepara outros tantos novilhos, e igual número de carneiros. 30Fêz Balac o que Balaam lhe dissera: e pôs os novilhos, e os carneiros sobre o altar.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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