Dia 103
Rt 2–4 · Lc 9,42-62 · Sl 65,1-10 (66) · cerca de 12 min
Destaque da leitura de hoje“Vinde, e vêde as obras de Deus: Terrível nos conselhos sôbre os filhos dos homens.”Salmo 65,5 (66)
Antigo TestamentoRt 2–4
Rute 2
1Ora havia um homem poderoso, e muito rico, chamado Booz, que era consanguíneo de Elimelec. 2E Rute moabita disse a sua sogra: Se o mandas, irei ao campo apanhar as espigas que tiverem escapado das mãos dos segadores, onde quer que eu ache algum pai de famílias, que se mostre clemente para comigo. E ela lhe respondeu: Vai, minha filha. 3Foi Rute pois, e apanhava as espigas por detrás dos segadores. Aconteceu porém que aquêle campo tinha por dono a um homem chamado Booz, que era da família de Elimelec. 4Eis que chegou êle de Belém, e disse aos segadores: o Senhor seja convosco. Êles lhe responderam: O Senhor te abençoe. 5E disse Booz para o mancebo, que tomava sentido nos segadores: De quem é esta moça? 6Êle lhe respondeu: Esta é a moabita, que veio com Noemi, do país de Moab, 7e pediu-me que a deixasse apanhar as espigas, que ficassem atrás dos segadores: e anda no campo desde a manhã até agora, sem ter voltado a casa nem por um momento. 8E disse Booz a Rute: Ouve, filha, não vás a outro campo a respigar, não te apartes deste lugar: Mas. ajunta-te com as minhas moças. 9E segue-as por onde tiverem segado. Porque eu ordenei aos meus criados, que nenhum te moleste: e ainda quando tiveres sêde, vai aos barris, e bebe da água de que também bebem os meus criados. 10Ela, prostrando o seu rosto èm terra, e fazendo-lhe uma profunda reverência, lhe disse: De onde me vem a dita de ter achado graça diante de ti, e de que te dignasses de fazer caso de mim, que sou uma mulher estrangeira? 11Ao que Booz respondeu: Tem-se-me contado tudo o que tens feito a respeito de tua sogra, depois da morte de teu marido: e como deixaste a teus parentes e a terra onde nasceste, e vieste para um povo, que antes não conhecias. 12O Senhor te dê o galardão do bem que fizeste, e recebas uma plena recompensa do Senhor Deus de Israel, para quem vieste, e debaixo de cujas asas te acolheste. 13Ela respondeu: Tenho achado graça diante de teus olhos, meu Senhor, que me consolaste, e falaste ao coração da tua escrava, que não me assemelho a uma das tuas moças. 14E Booz lhe disse: Quando chegar a hora de comer, vem aqui, e come o pão, e molha o teu bocado no vinagre. Ela pois se assentou ao lado dos segadores, e preparou para si umas papas de farinha torrada, e comeu e ficou satisfeita, e levantou os sobejos. 15E depois levantou-se dali para continuar a colhêr as espigas segundo o costume. Booz porém deu esta ordem aos seus moços, dizendo: Ainda que ela queira segar convosco, não lho embaraceis: 16E de propósito deixai cair algumas espigas das vossas gavelas, e que fiquem ali, para que ela as apanhe sem rubor, e nenhum a repreenda quando as apanhar. 17Estêve pois Rute apanhando no campo até à tarde: e tendo batido e sacudido com uma vara as espigas que havia colhido, achou quase a medida de um efi de cevada, isto é, três alqueires. 18E carregando com êles voltou para a cidade, e os mostrou a sua sogra: e além disso tirou para fora, e lhe deu dos sobejos da comida, de que ela se tinha fartado. 19E sua sogra lhe pergunta: Onde respigaste tu-hoje, e onde trabalhaste? Abençoado seja quem se compadeceu de ti. E ela lhe disse onde tinha trabalhado: e que o dono se chamava Booz. 20Ao que Noemi respondeu: Abençoado seja êle do Senhor: Porque a mesma boa vontade que mostrara aos vivos, a mostrou também aos mortos. E ajuntou: Êsse homem é nosso parente chegado. 21E Rute disse: Êle me deu também ordem, que me ajuntasse aos seus segadores, até que se acabasse tôda a ceifa. 22A sogra lhe respondeu: Melhor é, minha filha, que vás segar entre as moças desse homem, não suceda que noutro campo te moleste alguém. 23Ela pois se incorporou com as moças dê Booz: e continuou a andar segando com elas, até que as cevadas e os trigos se recolheram nos celeiros.
Rute 3
1Tendo Rute voltado para sua sogra, esta lhe disse: Minha filha, eu ando cuidando em te pôr em descanso, e o farei de modo que fiques bem. 2Êste Booz, com cujas moças tu andaste unida no campo, é nosso parente chegado, e esta noite há de alimpar a sua cevada na eira. 3Lava-te pois, e unge-te e toma os teus melhores vestidos, e vai à sua eira. Não te veja êste homem, menos que não tenha acabado de comer e beber. 4E quando se fôr deitar, nota bem o lugar em que dorme: e irás, e levantar-lhe-ás a capa com que se cobre da parte dos pés, e ali te deitarás, e te deixarás estar: e êle te dirá o que deves fazer. 5Ela lhe respondeu: Farei tudo o que ordenas. 6E partiu para a eira, e fêz tudo o que sua sogra lhe tinha mandado. 7E quando Booz, depois de ter comido, estava mais alegre, e se foi deitar a dormir ao pé duma meda, veio ela muito de mansinho, e tendo-lhe levantado a capa pelos pés, deitou-se ali. 8E eis que pela meia-noite espertou o homem espavorido, e turbado: e viu uma mulher deitada aos pés, 9e lhe disse: Quem és tu? Ela lhe respondeu: Sou Rute tua escrava. Estende a tua capa sôbre a tua serva, porque és parente chegado. 10E êle disse: Filha, bendita sejas do Senhor, que excedeste a tua primeira bondade com esta de agora: Pois que não buscaste mancebos pobres, ou ricos. 11Não temas pois que eu te farei tudo que me disseres: Porque todo o povo, que mora das portas para dentro da minha cidade, sabe que és uma mulher de virtude. 12Nem eu nego que sou teu parente, mas há outro mais próximo. 13Descansa esta noite: e quando fôr manhã, se êle te quiser receber pelo direito de parentesco, muito embora: Mas se o não quiser; viva o Senhor, que eu in-dubitàvelmente te hei de receber. Dorme até pela manhã. 14Dormiu ela pois a seus pés, até que se passou a noite. E levantou-se antes que os homens se pudessem entreconhecer, e Booz lhe disse: Vê, não saiba ninguém que vieste aqui. 15E ajuntou: Estende a capa com que te cobres, w segura-a bem com ambas as mãos. Tendo-a Rute estendido, e segurando-a, êle lhe mediu seis alqueires de cevada, e lhos pôs em cima. Ela carregada com êles entrou na cidade, 16e voltou para sua sogra. Esta lhe disse: Que fizeste, filha? E ela lhe contou tudo o que o homem lhe fizera. 17E acrescentou: Eis-aqui seis alqueires de cevada que êle me deu, dizendo: Não quero que tornes vazia para tua sogra. 18E Noemi lhe disse: Espera, filha, até vermos em que pára êste negócio: Porque Booz não há de descansar, enquanto não cumprir o que. disse.
Rute 4
1Foi pois Booz pôr-se à porta, e assentou-se ali. E vendo passar o parente, de que antes falamos, chamando-o pelo seu nome, lhe disse: Vem cá por um pouco, e assenta-te aqui. Veio êle, e assentou-se. 2Então Booz tomando de parte a dez homens dos anciãos da cidade, lhes disse: Assentai-vos aqui. 3Assentados êles, falou Booz ao seu parente: Noemi, que voltou do país de Moab, está para vender uma parte do campo de Elimelec nosso irmão: 4o que eu quis que tu saibas, e dizer-to diante de todos os que estão aqui assentados, e dos anciãos do meu povo. Se o queres possuir pelo direito do parentesco, compra-o, e fica-te com êle: e se te desagrada, dize-mo, para que eu saiba o que devo fazer: Porque não há outro parente senão tu, que és o primeiro, e eu que sou o segundo. E êle respondeu: Eu comprarei o campo. 5Booz lhe disse: Logo que compres o campo de Noemi, é também necessário que cases com Rute moabita, que foi mulher do defunto: Para que ressuscites o nome do teu parente na sua herança. 6Êle respondeu: Eu cedo do direito de parentesco: Porque não devo extinguir a posteridade da minha família: Usa tu do meu privilégio, do qual eu declaro que me desfaço de boamente. 7Êste pois era um costume antigo em Israel entre os parentes, que quando um cedia o seu direito a outro, parà a cessão ser válida, o que cedia tirava o seu sapato, e o dava a seu parente. Êste era o testemunho de cessão em Israel. 8Disse pois Booz a seu parente: Tira o teu sapato. E êle o tirou logo do seu pé. 9E Booz disse aos anciãos, e a todo o povo: Vós sois hoje testemunhas, de que entro a possuir tudo o que era de Elimelec, e Quelion, e Maalon, entregando-mo Noemi: 10E de que recebo por mulher a Rute moabita, casada que foi com Maalon, para eu fazer reviver o nome do defunto na sua herança, para o seu nome se não extinguir na sua família e irmãos, e no seu povo. Vós, torno a dizer, sois testemunhas desta coisa. 11Respondeu todo o povo que estava à porta, e os anciãos: Nós somos testemunhas: o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, assim como a Raquel, e a Lia, que fundaram a casa de Israel: Para que seja exemplo de virtude em Efrata, e tenha um nome célebre em Belém: 12E a tua casa seja, como a casa de Farés, que Tamar pariu a Judá, pela posteridade que o Senhor te dê desta mulher moça. 13Tomou pois Booz a Rute, e casou com ela: e tendo-a conhecido, fêz-lhe o Senhor a graça de que concebesse, e parisse um filho. 14E disseram as mulheres a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não permitiu que faltasse sucessor a tua família, e que o seu nome se conservasse em Israel. 15E que tenhas quem console a tua alma e te sustente na velhice: Porque nasceu um menino da tua nora, que te ama: e é para ti muito melhor, do que se tiveras sete filhos. 16E Noemi tomando o menino o pôs no seu regaço, e fazia as vêzes de ama, levando-o nos braços. 17E as mulheres suas vizinhas lhe davam os parabéns, e diziam: Nasceu um filho a Noemi: E chamaram ao menino Obed: Êste é pai de Isai, que foi pai de Davi. 18Estas são as gerações de Farés: Farés gerou a Esron. 19Esron gerou a Aram, Aram gerou a Aminadab, 20Aminadab gerou á Naasson, Naasson gerou a Salmon, 21Salmon gerou a Booz, Booz gerou a Obed, 22Obed gerou a Isai, Isai gerou Davi.
Novo TestamentoLc 9,42-62
Lucas 9
42E quando êste ia chegando, o lançou o demônio por terra, e o agitou com violentas convulsões. 43Mas Jesus ameaçou ao espírito imundo, e sarou o menino, e o restituiu a seu pai. 44E pasmavam todos do grande poder de Deus: E admirando-se todos de tôdas as coisas que fazia, disse Jesus aos seus discípulos: Ponde vós nos vossos corações estas palavras: O Filho do homem há de vir a ser entregue nas mãos dos homens. 45Mas êles não entendiam esta palavra, e lhes era tão obscura, que não a compreendiam: E tinham mêdo de lhe perguntar acerca dela. 46l/ cio-Ihes então ao pensamento qual deles era o maior. 47Mas Jesus vendo o que êles cuidavam nos seus corações, tomou um menino, e o pôs junto de si, 48e lhes disse: Todo o que receber êste menino em meu nome, a-- mim me recebe: E todo o que me receber a mim, recebe àquele que me enviou. Porque quem dentre vós todos é o menor, êsse é o maior. 49Então respondendo João, disse: Mestre, nós vimos a um que expelia os. demônios em teu nome, e lho ve-damos: Porque não te segue conosco. 50E Jesus lhes disse: Não lho proibais; Porque o que não é contra vós, é por vós. 51E aconteceu que sendo chegado o tempo da sua Assunção, mostrou êle um semblante intrépido e resoluto para ir para Jerusalém. 52E enviou adiante de si mensageiros: E indo êles entraram em uma cidade dos samaritanos para lhe preve-. nirem pousada. 53E nãc o receberam, por êle dar mostras de que ia para Jerusalém. 54O que porém tendo visto seus discípulos Tiago e João, disseram: Senhor, queres tu que digamos que desça fogo do Céu, e que os consuma? 55Porém Jesus voltando-se para êles, os repreendeu, dizendo: Vós não sabeis. qual é o espirito da vossa vocação. 56O Filho do homem não veio a perder as almas, mas a salvá-las. E foram para outra povoação. 57E aconteceu isto: Indo êle pelo caminho, veio um homem, e disse a Jesus: Eu seguir-te-ei para onde quer que tu fôres. 58"Respondeu-lhé Jesus: As raposas têm suas covas, e as aves do Céu têm seus ninhos: Mas o Filho do homem não tem onde.reclinar a cabeça. 59E a outro disse Jesus: Segue-me: E êle lhe disse: Senhor, permite-me que vá eu primeiro enterrar a meu pai. 60E Jesus lhe respondeu: Deixa que os mortos en-terrem os seus mortos: E tu vai, e anuncia o Reino de Deus. 61E disse-lhe outro: Eu, Senhor, seguir-te-ei, mas dá-me licença que eu vá primeiro dispor dos bens que tenho em minha casa. 62Respondeu-lhe Jesus: Nenhum que mete a sua mão no arado, e olha para trás, é apto pata o Reino de Deus.
Salmos e ProvérbiosSl 65,1-10 (66)
Salmo 65 (66)
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais: Salmo 66.
1Ao regente do côro. Cântico do Salmo da Ressurreição. Celebrai a Deus todos os da terra, 2dizei: salmo ao seu nome: Dai a glória ao seu louvor. 3Dizei a Deus quão terríveis são, Senhor, as tuas obras! Por ocasião do teu grande poder se convencerão de mentira os teus inimigos. 4A terra tôda te adore, e te cante a ti salmo: Diga salmo ao teu nome. 5Vinde, e vêde as obras de Deus: Terrível nos conselhos sôbre os filhos dos homens. 6Êle tornou o mar em sêco, pelo rio passarão a pe enxuto: Ali nos alegraremos com êle. 7Êle domina pelo seu poder para sempre, os olhos dêle estão olhando sôbre as gentes: Os que o irritam não se ensoberbeçam dentro de si-mesmos. 8Bendizei, ó Gentes, o nosso Deus: E fazei que se ouça a voz do seu louvor. 9O qual tornou a minha alma em vida: E não permitiu que vacilassem os meus pés. 10Porquanto nos provaste, ó Deus: Com fogo nos afinaste, como se afina a prata.