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Provérbios 5

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Meu filho, atende à minha sabedoria, e inclina o teu ouvido para a minha prudência, 2a fim de vigiares sôbre a guarda dos teus pensamentos, e para que os teus lábios conservem a disciplina. Não te iludas com os artifícios da mulher. 3Porque os lábios da prostituta são como o favo que distila o mel, e a sua garganta é mais lustrosa do que o óleo: 4Mas o seu fim é amargoso como o absinto, e talhantê como a espada de dois gumes. 5Os seus pés descem à morte, e os seus passos penetram até aos infernos. 6Êles não andam pela vereda da vida, os seus passos são vagabundos, e ininvestigáveis. 7Agora pois, meu filho, ouve-me, e não te apartes das palavras da minha bôca. 8Alonga dela o teu caminho, e não chegues às portas de sua casa. 9Não dês a tua honra às alheias, nem os teus anos à cruel: 10Para que não suceda que os estranhos enriqueçam dos teus bens e que os teus trabalhos estejam na casa de outrem, 11e que tu gemas no fim, quando tiveres consumido as tuas carnes e O teu corpo e digas: 12Por que detestei eu a disciplina, e por que não cedeu às repreensões o meu coração, 13nem ouvi a voz dos que me ensinavam, nem apliquei aos mestres o meu ouvido? 14Quase que em todo o mal me achei, no meio da Igreja e da Sinagoga. 15Bebe da água da tua cisterna, e das correntes do teu poço: 16Corram fora os regatos da tua fonte, e reparte as tuas águas nas ruas. 17Possui-as tu só, e não tenham parte nelas os estranhos. 18A tua fonte seja bendita, e vive alegre com a mulher que tomaste na tua adolescência: 19Ela seja para ti a corça que muito amas, e o teu engraçadíssimo veadinho: Os seus peitos te embebedem em todo o tempo, no seu amor busca sempre o teu prazer. 20Por que te deixas, meu filho, enganar da alheia, e repousas no seio duma outra? 21O Senhor olha atentamente para os caminhos do homem, e considera todos os seus passos. 22As suas mesmas iniquidades prendem ao ímpio, e é apertado com as ataduras dos seus pecados. 23Êle morrerá, porque não admitiu a correção, e sc achará enganado pelo excesso da sua loucura.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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