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Provérbios 7

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Meu filho, guarda as minhas expressões, e esconde dentro de ti os meus preceitos. Filho, 2observa os meus mandamentos, e viverás: E guarda a minha lei como a menina do teu ôlho: 3Traze-a atada aos teus dedos, escreve-a nas tábuas do teu coração. 4Dize à sabedoria, tu és minha irmã: E chama à prudência a tua amiga, 5para que te guarde da mulher estranha, e da alheia, que adoça as suas palavras. 6Porque desde a janela da minha casa me tenho. pôsto a olhar por entre as gelosias, 7e vejo aos incautos, considero ã uni mancebo insensato, 8que passa pela rua junto da esquina, e pelo pé da casa daquela, anda, 9sendo já escuro, quando o dia se vai acabando nas trevas, e obscuridade da noite. 10E eis-aqui que lhe sai ao encontro esta mulher ornada à moda das prostitutas, prevenida para caçar as almas: Faladora e vagabunda, 11não lhe sofrendo o coração estar quêda, nem po-. dendo ter os pés dentro em casa, 12pondo-se de emboscada, umas vêzes fora outras nas praças, outras às esquinas. 13E tendo mão num mancebo, o beija, e com uma cara sem vergonha lhe faz carícias, dizendo: 14Pela tua saúde ofereci vítimas, e hoje dei cumprimento aos meus votos: 15Por isso te saí ao encontro, desejando ver-te, e eis que te achei. 16Fiz sôbre cordões a minha cama, cobria com colchas bordadas do Egito: 17Perfumei a câmara de mirra, e de aloés, e de cinamomo. 18Vem, embriaguemo-nos de amores, e gozemos abraços desejados, até que amanheça o dia: 19Porque meu marido não está em sua casa, foi fazer uma jornada muito dilatada: 20Levou consigo um saco de dinheiro: Lá para o dia da lua cheia é que há de voltar à sua casa. 21Meteu-o assim na rêde com os seus longos discursos, e o arrastou com as lisonjas dos seus lábios. 22Segue-a logo como boi que é levado ao sacrifício, e como cordeiro que vai saltando, e ignora o néscio que é arrastado para uma prisão. 23Até que uma seta lhe traspassa o fígado: Como ave que apressada corre ao laço, e não sabe que se trata do perigo da sua vida. 24Ouve-me pois agora, meu filho, e está atento às palavras da minha bôca: 25Não se deixe arrastar o teu espírito a ir pelos caminhos desta mulher: Nem tu te deixes enganar das suas veredas: 26Porque a muitos derribou feridos, e os mais fortes por ela foram mortos. 27Caminhos do inferno são a sua casa, que penetram até às entranhas da morte.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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