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Provérbios 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Porventura a sabedoria não está repetidas vêzes clamando, e a prudência não faz ouvir a sua voz? 2No mais alto e elevado das eminências, ao longo do caminho, no meio das veredas posta em pé, 3junto às portas da cidade, na mesma entrada, fala, dizendo: 4A vós, ó homens, é que eu estou continuamente clamando, e aos filhos dos homens é que se dirige a minha voz. 5Aprendei, ó pequeninos, a astúcia, e vós, insensatos, prestai-me atenção. 6Ouvi, porque tenho de vos falar acêrca de grandes coisas: E os meus lábios se abrirão para anunciarem o que é reto. 7A minha garganta meditará a verdade, e os meus lábios detestarão ao ímpio. 8Justos são todos os meus discursos, nêles não há coisa má, nem depravado: 9Retos são para os inteligentes, e de equidade para os que acham ciência. 10Recebei as minhas instruções com maior gôsto, do que se recebêsseis dinheiro: Escolhei antes a doutrina que o ouro. 11Porque melhor é a sabedoria que tôdas as riquezas de mais subido valor: E tudo quando é apetecível com ela se não pode comparar. 12Eu, a sabedoria, habito no conselho, e me acho presente aos pensamentos judiciosos. 13O temor do Senhor aborrece o mal: Eu detesto a arrogância, e a soberba, e o caminho corrompido, e a bôca de duas línguas. 14Meu é o conselho, e a equidade, minha é a prudência, minha é a fortaleza. 15Por mim reinam os reis, e por mim decretam os legisladores o que é justo: 16Por mim imperam os príncipes, e os poderosos decretam a justiça. 17Eu amo aos que me amam: E os que vigiam desde a manhã por me buscarem, achar-me-ão. 18Comigo estão as riquezas, e a glória, a magnífica opulência, e a justiça. 19Porque melhor é o meu fruto que o ouro, e que a pedra preciosa, e as minhas produções melhores que a prata escolhida. 20Eu ando nos caminhos da justiça, no meio das veredas do juízo. 21Para enriquecer aos que me amam, e para encher os seus tesouros. 22O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio antes que criasse coisa alguma. 23Desde a eternidade fui constituída, e desde o princípio, antes da terra ser criada. 24Ainda não havia os abismos, e eu estava já concebida: Ainda as fontes das águas não tinham arrebentado: 25Ainda se não tinham assentado os montes sôbre a sua pesada massa: Antes de haver outeiros, era eu dada à luz: 26Ainda êle não tinha feito a terra, nem os rios, nem tinha firmado o mundo sôbre os seus polos. 27Quando êle preparava os céus, eu me achava presente: Quando com lei certa, e dentro do seu âmbito encerrava os abismos: 28Quando firmava lá no alto a região etérea, e quando equilibrava as fontes das águas: 29Quando circunscrevia ao mar o seu têrmo, e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites: Quando sustentava pendentes os fundamentos da terra. 30Estava eu com êle regulando tôdas as coisas: E cada dia me deleitava, brincando em todo o tempo diante dêle: 31Brincando na redondeza da terra: E achando as minhas delícias em estar com os filhos dos homens. 32Agora pois, filhos, ouvi-me: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos. 33Ouvi a instrução e sêde sábios, e não queirais rejeitá-la. 34Bem-aventurado o homem que me ouve e que vela todos os dias à entrada da minha casa, e que está feito espia às umbreiras da minha porta. 35Aquêle que me achar, achará a vida, e haverá do Senhor a salvação: 36Aquêle porém que pecar contra mim fará mal à sua alma. Todos os que me aborrecem, amam a morté.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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