Sabedoria 13
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1São porém vãos todos os homens, nos quais se não acha a ciência de Deus: E que pelas coisas boas que se vêe m, não puderam conhecer aquêle que é, nem considerando as suas obras reconheceram quem era o Artifice: 2Mas reputaram por deuses governadores do Universo, ou ao fogo, ou ao espírito, ou ao ar comovido, ou ao giro das estrêlas, ou à imensidade das águas, ou ao sol e à lua. 3De cuja formosura se êles encantados os julgaram deuses: Reconheçam quanto é mais formoso do que êles o que é seu Senhor: Porque o Autor da formosura criou tôdas estas coisas. 4Ou se êles se maravilharam da sua virtude e in-fluências, entendam por elas, que o que as fêz é mais forte do que elas: 5Porque pela grandeza da formosura e da criatura se poderá visivelmente chegar ao conhecimento do criador delas: 6Mas ainda com tudo isso não há contra êstes tanta razão de queixa. Porque se êles talvez erram é buscando a Deus e desejando-o achar. 7Porquanto êles o buscam, vivendo no meio das suas obras: E se capacitam de que são boas as coisas que se vêem. 8Mas por outra parte nem êstes merecem perdão. 9Porque se êles puderam ter luz bastante, para poderem conhecer a ordem do mundo: Como não descobriram êles mais facilmente ao Senhor dêle? 10Porém são desgraçados, e entre os mortos está a esperança daqueles outros, que chamaram deuses às obras das mãos dos homens, ao ouro, e à prata, à invenção da arte, e às semelhanças de animais, ou a uma pedra inútil, obra de mão antiga. 11Como se algum artífice hábil cortasse do mato algum tronco direito, e destramente lhe tirasse tôda a casca, e, valendo-se da sua arte, fizesse com esmêro alguma peça útil para uso da vida 12e das relíquias daquela obra se servisse para cozinhar a comida: 13E quanto ao resto de tudo isto, que para nenhum uso é útil, por ser um madeiro torto, e cheio de nós, êle cuidadosamente muito de seu vagar o desbastasse, e pela perícia da sua arte lhe desse figura, e o afeiçoasse em forma de homem, 14ou o proporcionasse a algum dos animais, dando-lhe vermelhão, e pintando-o de uma côr encarnada contrafeita, e encobrindo-lhe tôda a mancha, que nêle há: 15E lhe fizesse um correspondente nicho, e pondo-o na parede, e segurando-o com algum ferro, 16usando com êle desta precaução, para que talvez não caísse, reconhecendo que se não pode ajudar a si mesmo: Porque é uma imagem, e tem necessidade de socorro. 17E fazendo-lhe votos, o consultasse a respeito da sua fazenda, e de seus filhos, e de suas bodas. Não se envergonha de falar com aquêle madeiro, que está sem alma: 18E pela saúde roga por certo a um inválido, e pela vida pede a um morto, e invoca em seu socorro a um inútil: 19E para o bom sucesso da jornada se vale do pa-trocínio daquele que não pode andar: E para o que há de adquirir, e tem de traficar, e para o bom êxito de tôdas as suas coisas, implora a quem para tudo é inútil,