Sabedoria 16
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Por amor destas coisas e por outras assim semelhantes merecidamente padeceram tormentos e foram exterminados por uma multidão de sevandijas. 2Em lugar destas penas, trataste amigavelmente o teu povo, a quem deste a satisfação do apetite do seu gôsto quanto a um novo sabor, aparelhando-lhe por iguaria crescidas codornízes: 3Para que estando aquêles por certo com vontade de comer, por causa das pragas, que se lhes mostraram e enviaram, ficassem com antôjo até à comida necessária. Mas êstes postos em necessidade por pouco tempo, gostaram um novo manjar. 4Porque importava que sobreviesse uma ruína inevitável aqueles que exercitavam a tirania: E mostrar só a êstes de que modo eram exterminados os seus inimigos. 5Porque quando veio sobre êles a cruel ira dos animais, eram mortos pelas mordeduras. de cobras astu-ciosas. 6Porém a tua ira não durou para sempre, mas eles só por pouco tempo estiveram nesta turbação, para ela lhes servir de advertência, tendo um sinal de salvação para os fazeres lembrar dos mandamentos da tua lei. 7Porque aquêle que se voltava para o referido sinal, não era curado, porque o via, mas sim por ti que és o Salvador de todos os homens, 8e nesta ocasião fizeste tu ver aos teus inimigos, que tu és o que livras de todo o mal. 9Porquanto àqueles mataram as mordeduras dos gafanhotos, e das môscas, e não se achou saúde para a sua alma: Porque eram dignos de serem assim exterminados. 10Mas nem aos teus filhos venceram os dentes de dragões venenosos: Porque sobrevindo a tua misericórdia - os sarava. 11Pois eram provados na memória dos teus preceitos, e logo ficavam salvos, para que não sucedesse que caindo êles num profundo esquecimento, não pudessem utilizar-se de teu ajutório. 12Porquanto nem foi erva a que os sarou, nem algum lenitivo, mas sim a tua palavra, Senhor, que sara tôdas as coisas. 13Porque tu, Senhor, és o que tens o poder da vida e da morte, e o que nos levas às portas da morte, e o que daí nos tiras: 14E verdadeiramente pode um homem por mali-cia matar a outro, mas quando tiver saído o espírito não voltará, nem fará tornar a alma que já foi recebida: 15Porém o escapar da tua mão é coisa impossível. 16Por isso dizendo os ímpios que te não conheciam, pela fortaleza do teu braço foram açoitados:, Tendo padecido perseguição por águas novas, e saraivas, e chuvas tempestuosas, e consumidos pelo fogo. 17E o que nisto havia de admirável era que o fogo se ateava ainda mais na mesma água, que tudo extingue: Porque o universo é vingador dos justos. 18Pois em um tempo se amansava o fogo, para se não queimarem os animais, que tinham sido enviados contra os ímpios: E isto para que vendo êles uma tal maravilha, reconhecessem que por um juízo de Deus é que padeciam esta perseguição. 19E noutro tempo ardia o fogo na água de tôdas as partes, chegando a exceder o seu natural, para acabar de todo com as produções duma terra iníqua. 20Em contraposição de tudo isto alimentaste o teu povo com o mantimento dos anjos, e lhe deste pão vindo do céu, preparado sem trabalho, que tinha em si tôda a delícia, e a suavidade de todo o sabor. 21Porque êste alimento mostrava a doçura que tens para com teus filhos: Porque, acomodando-se à vontade de cada um, ela se transmutava no que cada um queria. 22E a neve, e o gêlo aturavam a violência do fogo e não se derretiam: Para que soubessem que destruia os frutos dos inimigos um fogo, que ardia no meio da saraiva e que cintilava por entre a chuva. 23Mas êste fogo, para que fôssem sustentados os justos, como que abandonou a sua própria fôrça. 24Porque a criatura, servindo-te a ti seu Criador, se inflama para atormentar os injustos: E se torna mais benigna para fazer bem a favor daqueles que em ti confiam. 25Por causa disto ela, transformada de tôdas as formas, servia à tua graça, que tudo sustenta, para satisfazer a vontade daqueles que de ti a desejavam: 26Para que soubessem os teus filhos, a quem amaste, Senhor, que não são os frutos, que a terra produz, os que sustentam aos homens: Mas que a tua palavra é a que conserva aquêles que em ti crerem. 27Porque o que pelo fogo não podia ser devorado, aquecido por um escasso raio do sol imediatamente se desfazia: 28Para que a todos fôsse notório que importa prevenir o nascer do sol para te bendizer, e que deve cada um adorar-te logo ao raiar da manhã. 29Porque a esperança do ingrato se derreterá como o gêlo do inverno, e se perderá como uma água inútil.