Sabedoria 15
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Mas tu, ó Deus nosso, és suave e verdadeiro, paciente e tudo governas com misericórdia. 2Porquanto se pecarmos, não deixamos de ser teus, conhecendo a tua grandeza: E se nós não pecarmos, sabemos que tu nos contas no número daqueles que te pertencem. 3Porque o conhecer-te é a consumada justiça: E o saber a tua justiça e o teu poder, é a raiz da imortalidade. 4Pelo que não nos tem feito cair no êrro a invenção da arte má dos homens, nem o sombreado duma pintura, trabalho sem fruto, nem uma efígie entalhada com várias côres, 5cuja vista excita a concupiscência à um insensato, porque se afeiçoa ao fantasma duma imagem morta sem vida. 6Aqueles que amam o mal, são dignos de pôr a sua esperança em semelhantes deuses, assim os que os fazem como os que os amam e os que os adoram. 7Também do mesmo modo um oleiro, apertando a terra mole, forma com o seu trabalho cada um dos vasos destinados para os nossos usos e do mesmo lôdo faz vasos, que são para dêles com asseio nos servirmos e outros igualmente que a êstes são contrários: Mas êle o oleiro é o juiz que arbitra qual seja o uso que devem ter êstes vasos. 8E com vão trabalho forma um deus do mesmo lôdo: Aquêle que pouco antes fôra feito de terra e que dali a pouco se resolve naquilo mesmo de onde foi tomado, quando se lhe pedir o tributo da vida que êle tinha. 9Mas todo êste seu cuidado é, não por se haver de -empregar no trabalho, nem porque a vida lhe é curta, mas -porque se põe à competência com os artífices do ouro e da prata: E imita igualmente aos que trabalham em bronze e reputa ser esta a sua maior glória, por exprimir umas aparentes figuras. 10Porque o seu coração é cinza e a sua esperança uma terra insubsistente e mais vil do que o lôdo a sua vida: 11Porquanto não o conheceu ao que o formou e ao que lhe inspirou a alma, que obra e ao que pelo seu assô-pro infundiu nêle o espírito de vida. 12Mas até julgaram que a nossa vida era um di-vertintento e que a maneira de viver tinha sido destinada para O lucro e que importava por quaisquer meios ainda ilícitos adquirir cabedais. 13Porque êste, que forma de matéria de terra vasos quebradiços e simulacros, sabe quê peca mais que todos. 14Porque os inimigos do teu povo e que o dominam, são todos insensatos e sôbre tôda a imaginação infelizes os soberbos: 15Porquanto êles reputaram por deuses a todos os ídolos das nações, os quais nem uso de olhos têm para ver, nem narizes para tomar a respiração, nem ouvidos para ouvir, nem dedos de mãos para palpar, e ainda seus pés são preguiçosos para andar: 16Porque um homem é quem os fêz: E quem recebeu o espírito emprestado, êsse os formou. Porquanto nenhum homem poderá fazer um Deus semelhante a si. 17Porque sendo mortal, forma com as suas mãos iníquas uma obra morta. Porquanto êle mesmo é melhor do que aquêles a quem adora, porque êle tem realmente vivido, sendo mortal, mas aquêles nunca. 18Êles, porém, adoram até aos mais vis animais: Porque as coisas insensíveis comparadas com êstes, piores são do que êles. 19Mas nem ainda pela vista pode qualquer ver daqueles animais alguma coisa boa. Êles porém fugiram do louvor de Deus: E da sua bênção.