Sabedoria 18
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Mas os teus santos tinham uma luz grandíssima, e ouviam a sua voz, porém não viam a sua figura. E porquanto êles não tinham padecido as mesmas coisas te en-grandeciam: 2E os que antes haviam sido maltratados, te davam as graças, porque já o não eram: E te pediam a mercê de que houvesse esta diferença. 3Por isso tiveram por guia dum caminho, em que não eram práticos, uma coluna ardente de fogo, e lhes deste um sol sem dano de boa hospedagem. 4Os outros eram por certo dignos de serem privados da luz, e de padecer um cárcere de trevas, pois tinham em prisões encerrados a teus filhos por meio dos quais se começava a dar ao mundo a luz incorruptivel da tua lei. 5Quando êles entraram em pensamento de tirar a vida aos infantes dos justos: E exposto um filho, e liber-tado para castigo dêles, tu lhes tiraste grande multidão «de filhos, e juntos os destruíste no abismo das águas. 6Porque aquela noite foi antes conhecida por nossos pais, para que sabendo êles com verdade a que juramentos deram crédito, ficassem os seus ânimos mais tranquilos. 7E foi na verdade alcançada pelo teu povo a con-servação dos justos, e o extermínio dos injustos. 8Porque assim como tu castigaste os nossos adversários: Assim também, unindo-nos a ti, nos engrandeceste. 9Porque os justos, filhos dos bons, te ofereciam em oculto o sacrifício, e estabeleceram de comum acôrdo esta lei de justiça: Que os justos receberiam igualmente assim os bens, como os males cantando já o louvor de seu pai. 10Mas ao mesmo tempo se estavam ouvindo as confusas vozes dos seus inimigos, e os lamentáveis prantos dos que choravam a morte dos infantes. 11E com a mesma pena foi afligido o servo e o senhor, e o homem plebeu padeceu o mesmo que o rei. 12Todos pois tinham do mesmo modo inumeráveis mortos com um só gênero de morte. Porque nem os vivos bastavam para os enterrar: Porquanto em um momento foi exterminada a prole, que das suas famílias era a mais esclarecida. 13Porque os que eram de todo o ponto incrédulos por causa dos encantos, logo que sucedeu o extermínio dos primogênitos, confessaram que aquêle era o povo de Deus. 14Porque quando tudo repousava num profundo silêncio, e a noite estava no meio do seu curso, 15a tua palavra tôda-poderosa baixando lá do Céu desde os teus reais assentos, de improviso saltou no meio da terra do extermínio, como um inexorável con-quistador, 16tendo uma aguda espada, que levava o teu irre-vogável decreto, e que, pondo-se diante dêles, tudo encheu de mortes, e estando em pé sôbre a terra chegava a tocar no Céu. 17Então os turbaram imediatamente visões de horríveis sonhos, e vieram sôbre êles temores não esperados. 18E um lançado de uma parte meio morto, outro da outra, mostravam a causa da morte, de que morriam. 19Porque as visões, que os turbaram, lhes adver-tiam isto antes, por não suceder morrerem sem saber a causa dos males que padeciam. 20É verdade que também tocou aos justos uma prova da morte, e que no deserto houve um levantamento da multidão: Mas não durou muito tempo a tua ira, 21porque apressando-se um homem irreprcensível a interceder pelo povo, lançando mão do escudo do seu ministério, presentando rogos e deprecações com o incenso, atalhou os progressos da ira, e pôs fim àquela necessidade, mostrando que é teu servo. 22E não venceu as turbações com a fôrça do corpo, nem com o poder das armas, mas sim com a sua palavra sujeitou aquêle que a si mesmo se maltratava, representando-lhe os juramentos, e a aliança de seus pais. 23Porque tendo caído já mortos a montões um sôbre outros, êle se meteu de permeio, e rebateu o ímpeto, e separou aquêle caminho que ia ter aos vivos. 24Porque na vestidura talar, que tinha, estava todo o Orbe da terra: E as grandezas dos padres se achavam esculpidas nas quatro ordens de pedras, e a tua soberania estava gravada no diadema de sua cabeça. 25A estas coisas pois cedeu o exterminador, e temeu-as: Porque bastava ter-se-lhes feito sentir esta prova da tua ira.