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Sabedoria 19

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Mas sôbre os ímpios até ao fim veio a ira de Deus sem misericórdia. Porque êle também sabia de antemão o que lhes tinha de acontecer: 2Porquanto êles mesmos, tendo permitido aos israelitas que se fôssem, havendo-os já despedido com grande pressa, levados do arrependimento disto iam em seu alcance. 3Pois quando eles tinham ainda entre mãos o pranto, e estavam chorando junto aos sepulcros dos mortos, para sua ruína tomaram outro desígnio de ignorância: E aos que tinham expulsado com rogos, perseguiam depois como a fugitivos:, 4Porque os levava a êste fim uma necessidade de que êles eram dignos: E perdiam a lembrança do que lhes tinha acontecido, para que o castigo enchesse o que faltava aos seus tormentos: 5E para que ao mesmo tempo tivesse o teu povo um miraculoso trânsito, e êles achassem um novo gênero de morte. 6Porque tôdas as tuas criaturas tomavam como no princípio cada uma no seu gênero uma nova forma, obedecendo aos teus mandados, a fim de que os teus ser-vos se conservassem ilesos. 7Porque uma nuvem fazia sombra ao seu arraial, e onde antes havia água apareceu terra sêca, e no mar Vermelho uma passagem sem embaraço, e um campo viçoso no seu profundo abismo: 8Pelo qual passou tôda a nação hebréia, que era protegida da tua mão, vendo as tuas maravilhas e os teus prodígios. 9Porque à maneira de cavalos que têm bom pasto, êles tomaram a sua refeição, e como cordeiros saltaram de prazer, engrandecendo-te a ti, Senhor, que os livraste. 10Porque estavam ainda lembrados daquelas coisas, que aconteceram no tempo da sua vivenda em terra estranha, como em vez de geração de animais produ: ziu a terra môscas, e em lugar de peixes desentranhou o rio multidão de rãs. 11E ultimamente viram uma nova casta de aves, quando levados da apetência pediram manjares para seu desfastio. 12Porque para despacho da súplica do seu desejo, lhes vieram da banda do mar crescidas codornízes: Mas sôbre os pecadores ao contrário descarregaram vexações, não sem aquêles avisos, que antecipadamente lhes tinham sido feitos pela violência dos raios: Pois justamente padeciam segundo -as suas maldades. 13Porquanto eles usaram de uma inospitalidade. a mais detestável: Pois uns não davam agasalho àqueles estrangeiros desconhecidos, e outros a uns bons hóspedes reduziam à escravidão. 14E não só foram por isto castigados, mas ainda havia outro diverso motivo para êles o serem: Que era, o tratarem com desumanidade a uns estranhos. 15Mas aquêles que receberam com alegria os que tinham já vivido com eles debaixo das mesmas leis, foram os que os afligiram com mui cruéis trabalhos. 16E foram feridos de cegueira: Como aquêles à porta do justo, quando, tendo sido repentinamente cobertos de trevas, buscava cada um a entrada da sua porta. 17Porque tudo isto sucede enquanto os elementos se convertem uns em outros, do mesmo modo que num instrumento músico se muda a qualidade do som, e tudo guarda a sua harmonia: Do que se pode fazer ao certo um conceito pelo mesmo sucesso que, então se viu. 18Porque os animais terrestres pareciam mudados em aquáticos: E os que nadavam nas águas, se passavam para a terra. 19O fogo, excedendo a sua virtude, se ateava no meio da água, e esta se esquecia da natureza que tem de o apagar. 20As chamas pelo contrário não ofenderam as carnes dos animais corruptíveis que andavam entre elas, nem dissolviam aquêle delicioso manjar, que se desfazia facilmente como o gêlo. Porque em tôdas as coisas engrandeceste, Senhor, ao teu povo, e o honraste, e não o desprezaste, assistindo-lhe em todo o tempo, e em todo o lugar.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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