Receba o Santo do Dia e a Palavra de Deus no WhatsApp — grátis
‹ ›

Sabedoria 5

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então se levantarão os justos com grande afouteza contra aquêles que os atribularam, e que lhes roubaram o fruto dos seus trabalhos. 2Vendo-os assim, perturbar-se-ão com temor horrível, e ficarão assombrados pela novidade repentina da sua salvação, que êles não esperavam, 3dizendo dentro de si, tocados do arrependimento, e com angústia do espírito gemendo: Êstes são aquêles, de quem nós noutro tempo fazíamos zombaria, e a quem tínhamos por objeto de opróbrio. 4Nós insensatos reputávamos a sua vida por uma loucura, e o seu fim sem honra: 5Ei-los aí como têm sido contados entre os filhos de Deus, e entre os santos está a sua sorte. 6Logo nós nos extraviamos do caminho da verdade, e a luz da justiça não raiou para nós, e o sol da inteligência não nasceu sôbre nós. 7Nós nos cansamos no caminho da iniqüidade, e da perdição, e andamos por uns caminhos ásperos, e ignoramos o caminho do Senhor. 8De que nos aproveitou a soberba? ou de que nós serviu a jactância das riquezas? 9Tôdas aquelas coisas passaram como sombra, e como um correio que vai depressa. 10E como uma nau, que vai cortando as agitadas ondas. da qual se não pode achar rasto depois que passou, nem a esteira da sua quilha nas ondas: 11Ou como ave que voa, atravessando pelo ar, de cujo caminho se não acha indício algum, senão só o ruído das asas, que cortam o leve vento, e fendendo o ar com a fôrça do seu vôo, passou batendo as asas, e depois disto se não encontra sinal algum do seu caminho: 12Ou como seta despedida ao lugar destinado: O ar dividido logo se cerra em si mesmo, de maneira que se fica ignorando a passagem dela:, cs 13Assim também nós, logo que nascemos deixamos. de ser: E na verdade nenhum sinal de virtude podemos' mostrar, mas fomos consumidos em nossa, malícia. 14Tais são as coisas, que disseram no inferno êstes, que pecaram: 15Porque a esperança do ímpio é como a lanugem, que pelo vento é levada: E como a espuma tênue, que pela tempestade é espalhada: E como o fumo, que pelo vento é dissipado: E como a lembrança do hóspede de um dia, que passa. 16Mas os justos viverão para sempre, e a sua recompensa está no Senhor, e o pensamento dêles no Altis-simo. 17Portanto receberão da mão do Senhor um reino de honra, e um diadema de formosura: Porque os protegerá com a sua destra, e com o seu santo braço os defenderá. 18O seu zêlo se vestirá de tôdas as suas armas: E êle armará as suas criaturas para se vingar de seus inimigos. 19Tomará por couraça a justiça, e por capacete a inteireza do seu juízo: 20Embraçará a equidade como escudo inexpug-nável: 21Afiará a sua ira inflexível, como uma lança, e todo o Universo pelejará da parte dêle contra os insensatos. 22Irão com direita pontaria os tiros missivos dos raios e como dum arco bem encurvado das nuvens serão despedidos, e descarregarão sôbre lugar certo. 23A ira de Deus, semelhante a uma máquina de lançar pedras, fará chover uma grossa saraiva: Embra-vecer-se-á contra êles a água do mar, e os rios correrão juntos com furiosa enchente. 24O espírito de virtude se levantará contra êles, e como redemoinho de vento os espalhará: E a sua iniquidade reduzirá a uma solidão tôda a terra, e a malícia deitará abaixo os assentos dos poderosos.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

WhatsApp