Tobias 6
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Partiu pois Tobias, e um cão o seguiu, e ficou na primeira pousada ao pé do rio Tigre. 2E saiu a lavar os seus pés, e eis que sai da água um peixe monstruoso para o tragar. 3À sua vista espavorido Tobias clamou em alta voz, dizendo: Senhor, êle lança-se a mim, 4E disse-lhe o anjo: Pega-lhe pelas guelras, e pu-xa-o para ti. Tendo-o assim feito, puxou-o para a terra, e o peixe começou a palpitar a seus pés. 5Então disse-lhe o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e toma para ti o coração, e'o fel, e o fígado: Porque te serão necessárias estas coisas para remédios úteis. 6O que feito, assou Tobias parte da sua carne, e a levaram consigo para o caminho: 'salgaram o mais que lhes bastasse, até chegarem a Ragés cidade dos medos. 7Então perguntou Tobias ao anjo, e clisse-lhe: Irmão Azarias, suplico-te que me digas cie que remédio servirão estas coisas, que tu mandaste guardar do peixe? 8E o anjo, respondendo, lhe disse: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sôbre as brasas acesas, o seu fumo afugenta tôda a casta de demônios, tanto do homem, como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. 9E o fel é bom para untar os olhos, que tem algumas névoas, e sararão. 10E disse-lhe Tobias: Onde queres que nós nos pousemos 11E respondendo, o anjo disse: Aqui, há um homem chamado Raguel, teu parente da tua tribo, e este tem uma filha por nome Sara, e fora ela não tem mais filho, nem filha. 12Todos os seus bens te pertencem, e importa que tu a recebas por mulher. 13Pecle-a pois a seu pai, e êle ta dará em casamento. 14Então Tobias lhe respondeu, e disse: Eu sei que ela fóra já casada com sete maridos, e que morreram: E também soube que um demônio os matara. 15Temo pois não me suceda também o mesmo: E como sou filho único de meus pais, temo conduzir a sua velhice com tristeza até a sepultura. 16Então o anjo Rafael lhe disse: Ouve-me, e eu te mostrarei quais são aqueles sôbre quem o demônio tem poder. 17Êstes são pois os que se casam de maneira que lançam a Deus fora de si e do seu espírito, e se entregam tanto ao seu deleite, como o cavalo e o macho, que não têm entendimento: Então tem o demônio poder sôbre eles. 18Mas tu quando a tiveres recebido. tendo entrado na câmara, viverás com ela em continência por três dias, e não cuidarás noutra coisa que em fazeres orações com ela. 19E nesta mesma noite, queimando o fígado do peixe, se afugentará o demônio. 20E na segunda noite serás associado aos santos Patriarcas. 21E na terceira noite, conseguirás a bênção, para que de vós nasçam filhos robustos. 22E passada a terceira noite, receberás esta donzela em temor do Senhor, levado mais do desejo de teres filhos do que por sensualidade, a fim de conseguires nos filhos a bênção reservada à descendência de Abraão.