Tobias 7
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Entraram pois em casa de Raguel, e Raguel os recebeu com alegria. 2E pondo Raguel os olhos em Tobias, disse para Ana sua mulher: Como êste moço é parecido com meu primo! 3E proferindo isto, disse: De onde sois vós,nossos irmãos mancebos? E êles responderam: Somos da tribo de Neftali, dos cativos de Nínive. 4E disse-lhes Raguel: Vós conheceis a meu irmão Tobias? Responderam êles: Conhecemos. 5E como dissesse muitos bens dêle, o anjo disse a Raguel: Tobias, por quem perguntas, é o pai dêste moço. 6E Raguel se lançou a êle, e o beijou com lágrimas, e chorando sôbre o seu pescoço, 7disse: Abençoado sejas, meu filho, porque és filho dum homem de bem e virtuosíssimo. 8E Ana sua mulher, e Sara sua filha derramavam lágrimas. 9E depois que falaram, mandou Raguel matar um carneiro e preparar um banquete. E quando êle os rogava que se pusessem à mesa, 10disse Tobias: Eu não comerei nem beberei aqui hoje, menos que tu me não despaches-a minha petição, e prometas dar-me Sara tua filha. 11Ouvido isto, Raguel se assustou, sabendo o que tinha acontecido aos sete maridos, que se tinham chegado a ela: E começou a temer não sucedesse também o mesmo a êste: E como vacilasse, e não desse resposta alguma à petição que lhe fazia, 12o anjo lhe disse: Não temas dar tua filha a êste moço, porque a êste, que é temente a Deus, lhe é devida tua filha para esposa: E por isso nenhum outro a pôde ter. 13Então Raguel respondeu: Não duvido que Deus aceitasse em sua presença as minhas orações e as minhas lágrimas. 14E creio que por isso êle permitiu que vós viésseis a mim, para que esta filha se desposasse com um da sua parentela segundo a lei de Moisés: Assim não duvides que eu ta não haja de dar. 15E pegando na mão direita de sua filha, a pôs na mão direita de Tobias, dizendo: O Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó seja convosco, e êle mesmo vos ajunte, e cumpra a sua bênção em vós. 16E tomando papel, fizeram a escritura de casamento. 17E depois fizeram um banquete, bendizendo a Deus. 18E Raguel chamou a Ana sua mulher, e ordenou-lhe que preparasse outro aposento. 19E introduziu Ana no tal aposento a Sara, sua filha, e se pôs a chorar. 20E ela lhe disse: Tem bom ânimo, minha filha: o Senhor do Céu te encha de alegria pelos dissabores que tens padecido.