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Atos dos Apóstolos 23

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Paulo pois, pondo os olhos no conselho, disse: Varões irmãos, eu até o dia-de hoje me tenho portado diante de Deus com tôda a boa consciência. 2E Ananias, príncipe dos sacerdotes, mandou aos que estavam junto dêle, que o ferissem na cara. 3Então lhe disse Paulo: Deus tc ferirá a ti, parede branqueada. Tu estás aí sentado para julgar-me a mim segundo a lei, e contra a lei mandas que eu seja ferido? 4T os que estavam ali disseram: Tu injúrias ao sumo sacerdote de Deus? 5E disse Paulo: Não sabia eu, irmãos, que é príncipe dos sacerdotes. Porque escrito está: Não dirás mal do príncipe do teu povo. 6Ora sabendo Paulo que uma parte era de saduceus, e outra de fariseus, disse em alta voz no conselho: Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus, acerca da esperança; e da ressurreição dos mortos eu sou julgado. 7E quando isto disse; se moveu uma grande dissensão entre os fariseus e os saduceus, e se dividiu a multidão. 8Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito: Ao mesmo tempo que os fariseus reconhecem um e outro. 9Houve pois grande vozeria. E levantando-se alguns dos fariseus, altercavam, dizendo: Não achamos mal algum neste homem;. quem sabe, se lhe falou algum espirito ou anjo? 10E como se tivesse originado daqui uma grande dissenção, temendo o tribuno que Paulo fôsse por êles despedaçado, mandou que descessem os soldados, e que o tirassem dentre êles, e o levassem à cidadela. 11E na seguinte noite, aparecendo-lhe o Senhor, lhe disse: Tem constância: Porque assim' como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que também mo dês em Roma. 12E quando chegou o dia, houve alguns dos judeus que fizeram liga entre si, e apostados se praguejaram dizendo que êles não haviam de comer, nem beber, enquanto não matassem a Paulo. 13E eram passante de quarenta pessoas, as que tinham entrado nesta conjuração. 14As quais se foram apresentar aos príncipes dos sacerdotes, e aos senadores, e disseram: Nós temo-nos obrigado por voto, sob pena de maldição, a não provar- "mos bocado até não matarmos a Paulo. 15Vós pois agora com o conselho fazei saber ao tribuno que quereis vo-lo produza, como para haverdes de tomar algum conhecimento mais ao certo da sua causa. E nós estaremos prestes para o matar, antes que êle chegue. 16Mas um filho ela irmã êle Paulo. tendo ouvido -esta conspiração, foi, e entrou na cidadela, e deu aviso a Paulo. 17t Então Paulo chamando a si um dos centuriões, disse: Leva êste moço ao tribuno, porque tem coisa que lhe cômunicar. 18E nesta conformidade tomando-o êle consigo, o. Ievôu ao tribuno, e disse: O prêso Paulo me rogou que trouxesse eu a tua presença êste moço, que tem coisa que: dizer-te. 19E o tribuno tomando-o pela mão, o'tirou à parte, e lhe perguntou: Que é o que tens que me dizer? 20E êle disse: Os judeus têm concertado rogar-te que amanhã apresentes Paulo ao conselho, como para haverem de inquirir dele alguma coisa mais ao certo: 21Mas tu não os creias, porque há mais de quarenta deles que lhe armam traição, os quais têm jurado, sob pena de maldição, que não comerão, nem beberão, enquanto o não matarem: E para isto estão já prestes, esperando que tu faças o que êles desejam. 22Então o tribuno despediu o moço, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia dado aviso disto. 23E chamando a dois centuriões, lhes disse: Tende prontos duzentos soldados, que vão até Cesaréia, e setenta a cavalo, e duzentas lanças, desde a hora terceira da noite: 24E aparelhai cavalgaduras, para que fazendo-o montar a Paulo o chegassem a levar com segurança ao presidente Félix, 25(porque temeu não se desse caso que os judeus o arrebatassem, e o matassem, e depois disto fôsse êle acusado como guemhavia de receber dinheiro por lho entregar). 26Escrevendo uma carta nestes têrmos: CLÁUDIO Lísias ao ótimo presidente Félix, saúde. 27A êste homem, que foi prêso pelos judeus, e que estava a ponto de ser por êles morto, sobrevindo eu com a tropa o livrei tendo sabido já que é romano. 28E querendo saber o delito de que o acusavam, o levei ao conselho deles. 29Achei que êle era acusado sôbre questões da lei dos mesmos, sem haver nêle delito algum que merecesse morte, ou prisão. 30E como tivesse chegado a mim notícia das traições que êles judeus lhe tinham aparelhado, to remeti, intimando também aos acusadores que recorram a ti. Adeus. 31Os soldados pois, conforme a ordem que tinham, tomando a Paulo, o levaram de noite a Antipátride, 32E ao dia seguinte deixando aos de cavalo que fossem com êle, voltaram para a guarnição. 33Os quais, tendo chegado a Cesaréia, e depois de entregarem ao presidente a carta que levavam, apresentaram diante dêle também a Paulo. 34le, porém, depois de a ler, e perguntar de que província era, e sabendo que era de Cilícia, 35ouvir-te-ei, lhe disse, quando chegarem os teus acusadores. E mandou que Paulo fôsse pôsto em cus-todia no pretório de Herodes.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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