Atos dos Apóstolos 24
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E dali a cinco dias veio o príncipe dos sacerdotes, Ananias, com alguns anciãos, e com um certo Tertulo orador, todos os quais compareceram ante o presidente contra Paulo. 2E citado Paulo, começou Tertulo a acusá-lo nestes: têrmos: Como pela tua autoridade é que nós gozamos de uma profunda paz, e pela tua sábia providência se têm emendado muitos abusos: 3Nós o reconhecemos em todo o tempo e lugar, ótimo Felix, com a devida ação de graças. 4Mas por te não ter suspenso muito tempo, rogo-te que oiças com a tua equidade ordinária, o que te vamos a dizer em breves palavras. 5Nós temos achado que êste homem é pestífero, e que em todo o mundo excitá sedições entre todos os judeus, e que é da sediciosa seita dos Nazarenos: 6Que também intentou profanar o templo, de maneira que depois de prêso o quisemos julgar segundo a nossa lei. 7Mas sobrevindo o tribuno Lísias, êle no-lo tirou das mãos com grande violência, 8ordenando que 'os seus acusadores viessem comparecer diante de ti: Dêle poderás tu mesmo, julgando, tomar conhecimento de tôdas estas coisas, de que nos o acusamos. 9E também os judeus acrescentaram, dizendo ser isto assim. 10Mas Paulo (tendo-lhe o presidente feito sinal que falasse) respondeu: Sabendo que tu és juiz desta nação muitos anos há, com bom ânimo satisfarei por mim. 11Tu podes facilmente saber que não há mais que doze dias, que eu cheguei a Jerusalém a fazer a minha adoração: 12E nem me acharam no templo disputando com algum, nem fazendo concurso de gente, nem nas sinagogas. 13nem na cidade: Nem te podem provar as coisas de que agora me acusam. 14Porém confesso isto diante de ti que, segundo a seita que eles chamam heresia, sirvo eu a meu Pai, e Deus, crendo tôdas as coisas que estão escritas na lei, e nos profetas:. 15Tendo esperança em Deus, como êles mesmos também esperam, que há de haver a ressurreição dos justos, e dos pecadores. 16E por isso procuro ter sempre a minha consciência sem tropeço diante de Deus, e dos homens. 17E depois de muitos anos vim à minha gente a fazer esmolas, e oferendas, e votos: 18Nisto me acharam purificado no templo: Não com turba, nem com tumulto. 19E êstes foram uns judeus da Ásia, que deviam, comparecer diante de ti, e acusar-me se tivessem alguma coisa contra mim;. 20Ou estes mesmos digam se acharam em mim alguma maldade, quando eu compareci em conselho, 21senão só destas palavras, que proferi em alta, voz, estando no meio deles: Eu hoje pois sou julgado por vós acerca da ressurreição dos mortos. 22Félix, porém, que sabia perfeitissimamente as; coisas dêste caminho, os remeteu para outro tempo, dizendo: Quando vier o tribuno Lisias, então vos ouv'rei.: 23E mandou a um centurião que o tivesse em, custódia, mas sem tanto apêrto, e sem' proibir que os seus o servissem. 24E passados alguns dias, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia, chamou a Paulo, e o esteve ouvindo falar da fé que há em Jesus Cristo. 25Mas como Paulo lhe falou em tom de disputa da justiça, e da castidade, e do' Juízo futuro, Felix todo atemorizado lhe disse: Por ora basta, vai-te: IE quando tiver vagar eu te chamarei. 26Esperando também ao mesmo tempo que Paulo lhe desse algum dinheiro, por cuja causa, mandando-o chamar ainda repetidas vezes, se entretinha com êle. 27Completos porém dois anos, teve Felix por sucessor a -Pórcio Festa. E querendo Felix ganhar a graça dos judeus, deixou à Paulo na prisão.