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Atos dos Apóstolos 25

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Tendo pois chegado Festo à província veio, passados três dias, de Cesaréia a Jerusalém. 2E os príncipes dos sacerdotes, e os principais dos judeus acudiram a êle contra Paulo, e lhe rogavam: 3Pedindo favor contra êle, para que o mandasse vir a Jerusalém, armando-lhe insídias, para o assassinarem no caminho. 4Mas Festo respondeu que Paulo se achava em custódia em Cesaréia: E que êle partiria para lá dentro de poucos dias. 5Por onde, os que dentre vós (disse êle) são os principais, vinde comigo, se algum crime há neste homem, acuserm-no. 6E havendo-se demorado entre êles não mais de oito, ou dez dias, baixou a Cesaréia, e o dia seguinte se assentou no Tribunal, e mandou trazer a Paulo. 7O qual depois de ser ali trazido, o rodearam os judeus que tinham vindo de Jerusalém, acusando-o de muitos e graves delitos, que não podiam provar. 8Dizendo Paulo em sua defesa: Em nada pois tenho pecado contra a lei dos judeus, nem contra o Templo, nem contra o César. 9Mas Festo querendo comprazer com os judeus,. respondendo a Paulo, disse: Queres subir a Jerusalém, e ser ali julgado destas coisas diante de mim? 10E Paulo disse:Ante o tribunal do César estou, onde convém que seja julgado: Nenhum mal tenho feito aos judeus, como tu melhor o sabes. 11E se lhes tenho feito algum mal, ou coisa digna de morte, não recuso morrer: Mas se nada há daquilo de que êstes me acusam, ninguém me pode entregar a êles: Apelo para o César. 12Então Festo, depois de haver conferido o negócio com o conselho, respondeu: Para o Cesar tens apelado? Ao César irás. 13E alguns dias depois o rei Agripa e Berenice vieram a Cesaréia a dar os emboras a Festo. 14E demorando-se ali muitos dias Festo deu noticia de Paulo ao rei, dizendo: Felix deixou aqui prêso a um certo homem. 15Por cujo respeito quando estive em Jerusalém, acudiram a mim os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos dos judeus, pedindo que o condenasse. 16Aos quais respondi que não era costume dos romanos condenar homem algum antes do acusado ter presentes os seus acusadores, e antes de se lhe dar liberdade para êle se defender dos crimes que se lhe imputam. 17Tendo êles, pois, acudido aqui sem a menor dilação, ao outro dia assentando-me no meu tribunal, mandei trazer a êste homem. 18A quem, estando presentes os seus acusadores, nenhum delito opuseram dos que eu suspéitava: 19Mas tinham só contra êle algumas questões sôbre a sua superstição, e sobre um certo Jesus defunto, o qual Paulo afirmava viver. 20E duvidando eu de semelhante questão, lhe disse se queria ir a Jerusalém e ali ser julgado destas coisas. 21Mas apelando Paulo para que ficasse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o remeta ao César. 22Então Agripa disse a Festo: Eu também queria ouvir a êste homem. Amanhã, respondeu êle, o ouvirás. 23Ao outro dia, pois, tendo vindo Agripa e Berenice com grande pompa, e depois de entrarem na audiência com os tribunos e pessoas principais da cidade, foi trazido Paulo pór ordem que Festa dera. 24E disse Festa: Rei Agripa, e todos os varões que aqui estais conosco, aqui tendes êste homem, contra quem tôda a multidão dos judeus me fêz recurso em Jerusalém, pedindo e gritando que não convinha que êle vivesse mais. 25E eu tenho achado que êle não tem feito coisa alguma de morte. Mas havendo êle mesmo apelado para Augusto, tenho determinado remeter-lho. 26Do qual não tenho coisa certa que escrever ao senhor. Pelo que vo-lo tenho apresentado, e mormente a ti, ó rei Agripa, a fim de ter que escrever-lhe, depois de feita a informação. 27Porque me parece sem razão remeter um homem prêso, e não informar das acusações que lhe fazem.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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