Atos dos Apóstolos 26
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Disse depois Agripa a Paulo: A ti se te permite falar em defesa de ti mesmo. Então Paulo estendendo a mão começou a dar a razão de si. 2Devendo eu fazer hoje a minha defensa na tua presença, ó rei Agripa, de tudo quanto me acusam os ju-deiis, me tenho por ditoso. 3Mormente sabendo tu todas as coisas e os costumes, e questões que há entre os judeus: Pelo que eu te su-.plico me oiças com paciência. 4E quanto à minha vida, desde a mocidade que eu observei desde aquele princípio entre a minha gente em Jerusalém, é certo que a sabem todos os judeus. 5Conhecendo-me desde os meus princípios (se quiserem dar disso testemunho) porque eu, segundo a seita mais segura da nossa religião, vivi fariseu. 6E agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais: 7A qual as nossas doze tribos, servindo a Deus de noite e de dia, esperam ver cumprida. Por esta esperança, ó rei, sou acusado dos judeus. 8Reputa-se no vosso conceito por alguma coisa incrível, que Deus ressuscite os mortos? 9E eu, na verdade, tinha para mim, que devia fazer a maior resistência contra o nome de Jesus Nazareno: Voo 10E assim o fiz em Jerusalém, e eu encerrei em cárceres a muitos santos, havendo recebido poder dos príncipes dos sacerdotes: E quando os faziam morrer, consenti. também nisso. 11E muitas vezes castigando-os por tôdas as sinagogas, os obrigava a blasfemar: E enfurecendo-me mais e mais contra êles, os perseguia até nas cidades estrangeiras. 12Levado dêstes intentos, indo a Damasco com poder e com missão dos príncipes dos sacerdotes, 13ao meio-dia vi, ó rei, no caminho uma luz do Céu que excedia o resplendor do sol, a qual me cercou a: mim e aos que iam comigo. 14E como todos nós caíssemos por terra, om i uma voz que me dizia em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão. 15Então disse eu: Quem és tu, Senhor? E o Senhor me respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. 16Mas levanta-te e põe-te em pé: Porque eu por isso te apareci, para te fazer ministro e testemunha das coisas que viste, e de outras que te hei de mostrar em minhas aparições, 17livrando-te do povo e dos gentios, aos quais eu agora te envio 18a abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz, e do poder de satanaz a Deus para que recebam perdão de seus pecados, e sorte entre os Santos pela fé que há em mim. 19Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial: 20Mas preguei primeiramente aos de Damasco, e -depois em Jerusalém e por tôda a terra de Judéia e aos gentios, que fizessem penitência e se convertessem a Deus, fazendo dignas obras de penitência. 21Por esta causa os judeus, estando eu no Templo, depois de prêso me intentaram matar. 22Mas assistido eu do socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho disso a pequenos e a grandes, não dizendo outras coisas fora daquelas que disseram os profetas e Moisés, que haviam de acontecer: 23Que o Cristo havia de padecer, que seria o primeiro da ressurreição dos mortos, e para anunciar a Iiz ao povo g às gentes. 24Dizendo êle estas coisas, e dando razão de si, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo: As muitas letras te tiram o teu sentido. 25Então Paulo: Eu não estou louco (disse), ótimo Festo, mas digo palavras de verdade e de prudência. 26Porque destas coisas tem conhecimento o rei, eni cuja presença falo até com tôda a liberdade: Pois creio que nada disto se lhe encobre. Porque nenhuma destas coisas se fêz ali a um canto. 27Crês, ó rei Agripa, nos profetas? Eu sei que crês. 28Então, Agripa disse a Paulo: Por pouco me não persuades a fazer-me Cristão. 29E Paulo lhe respondeu: Prouvera a Deus que por pouco e por muito, não somente tu, senão também todos quantos me ouvem se fizessem hoje tais qual eu também sou, menos estas prisões. 30Então se levantaram o rei e o presidente e Berenice, e os que estavam assentados com êles. 31E havendo-se retirado à parte, falaram uns com os outros, dizendo: Êste homem, pois, não fêz coisa que seja digna de morte nem de prisão. 32E Agripa disse para Festo: Êle podia ser solto, se não tivesse apelado para o César.