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Atos dos Apóstolos 27

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Mas cgmo se determinou enviá-lo por mar à Itália, e que Paulo fôsse entregue com outros presos a um, centurião da coorte augusta; por nome Júlio: 2Embarcando num navio de Adruméte, levantamos âncora começando a costear as terras da Ásia, perseverando em nossa companhia Aristarco, macedônio, de Tessalônica. 3Ao dia seguinte porém chegamos a Sidon. E Júlio, usando de humanidade com Paulo, lhe facultou ir ver seus amigos, e prover-se do que havia mister. 4E feitos dali à vela, fomos navegando abaixo de Chipre, por nos serem contrários os ventos. 5E tendo atravessado o mar da Cilícia, e da Pan-filia, chegamos a Listra, que é da Lícia.. 6E achando ali o genturião um navio de Alexandria que fazia viagem pata a Itália, fêz-nos embarcar nele. 7E como por muitos dias navegássemos lentamente, e apenas pudéssemos avistar o Gnido, sendo-nos contrário o vento, fomos costeando a Ilha de Creta junto a. Salmóna. 8Navegando com dificuldade ao longo da costa, abordamos a um lugar, a que chamam os Bons Portos, com quem vizinhava a cidade de Talassa. 9E como se tivesse passado muito tempo, e não fôsse já segura a navegação, pelo motivo de haver até já passado o jejum, Paulo os alentava, 10dizendoclhes: Varões; vejo que a navegação começa a ser trabalhosa, e com muito dano, não. somente do navio, e da sua carga, mas ainda das nossas vidas. 11Porém o centurião dava mais crédito ao mestre, e ao pilôto, do que ao que Paulo lhes dizia. 12E como o porto não era azado para invernar, foram os mais dêles de parecer que se passasse adiante, a ver se dalguma sorte podiam, em ganhando Fenice, invernar ali, por ser êste um porto de Creta, o qual olha ao Áfrico, e ao Côro. 13Começando porém a ventar brandamente o Sul, cuidando. êles que tinham o que desejavam, depois de le-vantárem âncora de Asson, iam costeando Creta. 14Mas não muito depois veio contra a mesma ilha um tufão de vento que é chamado Euro-aquilão. 15E sendo a nau arrebatada; e não podendo resistir ao veito, éramos levados, deixada a nau aos ventos. 16E arrojados da corrente a uma pequena ilha que se chama Cauda, apenas pudemos ganhar o esquife. 17Tendo-o trazido a nós, êles se valiam de todos os meios cingindo a nau, temerosos de dar na Sirte, caladas as velas: Eram assim levados. 18E agitados nós da fôrça da tormenta, ao dia seguinte akijaram: 19E ao terceiro dia também arrojaram com as suas mãos os aparelhos da nau. 20E não aparecendo por muitos dias sol, nem estrêlas, e ameaçando-nos uma não pequena tempestade, tínhamos já perdida tôda a esperança de chegarmos a sal-vamento. 21E havendo todos estado muito tempo sem comer, levantando-se então Paulo no meio dêles, disse: Era por certo conveniente, ó varões, seguindo o meu conselho, não ter saído de Creta, e evitar êste perigo, e dano. 22Mas agora vos admoesto que tenhais bom ânimo: Porque não perecerá nenhum de vós, senão somente o navio. 23Porque esta noite me apareceu o: Anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, 24dizendo: Não temas, Paulo, importa que tu compareças ante o César: E eu te anuncio que Deus te há dado todos os que navegam contigo. 25Pelo que, ó varões, tende bom ânimo: Porque eu confio em Deus que assim há de suceder como me foi dito. 26Porém é necessário que vamos dar a uma ilha. 27E quando chegou a noite do dia catorze, indo nós navegando pelo mar Adriático, perto da meia-noite suspeitaram os marinheiros que estavam perto dalguma terra. 28E lançando êles a sonda acharam vinte passos: Depois um pouco mais adiante, acharam quinze passos. 29E temendo que déssemos em alguns penedos, lançando quatro âncoras desde a pôpa, desejavam que viesse o dia. 30E procurando os marinheiros fugir do navio, depois de lançarem o esquite ao mar, com o pretexto de começarem a largar as âncoras da proa, 31disse Paulo ao centurião, e aos soldados: Se êstes homens não permanecerem no navio, não podereis vós salvar-vos. 32Então cortaram os soldados os cabos ao esquife, e deixaram-no perder. 33E entretanto que o dia vinha, rogava Paulo a todos que comessem alguma coisa, dizendo: Faz hoje já catorze dias, que estais à espera em jejum, sem comer bocado. 34Portanto rogo-vos por vida vossa, que comais alguma coisa, porque não perecerá nem um só cabelo da cabeça: de nenhum de vós: 35E tendo dito isto, tomando do pão, deu graças a Deus em presença de todos: E depois que o partiu, começou a comer. 36Todos com isto tomaram ânimo, e se puseram também a comer. 37EL as pessoas do navio éramos por tôdas duzentas e setenta e seis. 38E depois que se refizeram com a comida, alivia-ram o navio, lançando o tri'go ao mar. 39E como já tivesse aclarado o dia não conheceram a terra: Somente viram uma enseada que tinha ribeira, na qual intentavam, se pudessem, encalhar o navio. 40Pelo que tendo levantado âncoras, se entregaram ao mar, largando ao mesmo tempo as amarraduras dos je-. mes: E levantada ao vento a cevadeira, encaminharam-se à praia. 41Mas tendo nós dado numa língua de terra, que de ambos os lados era tornecada de mar, deram com o navio ao través: E a proa sem dúvida afincada permanecia imóvel, ao mesmo tempo que a pôpa se abria com a fôrça do mar. 42Nestes têrmos a resolução dos soldados era matar os presos: Por temerem não fugisse algum, salvando-se a nado. 43Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, embaraçou que o fizessem: E mandou que aqueles, que pu dessem nadar, fossem os primeiros que se lançassem às ondas, e se salvassem, e saissem em terra: 44E quanto aos mais, a uns faziam salvar em tá- »buas, a outros em cima dos destroços que eram do navio. E dêste modo aconteceu que tôdas as pessoas saíssem em terra.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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