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Atos dos Apóstolos 28

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E estando nós já em salvo, soubemos então que a ilha se chamava Malta. E os bárbaros nos trataram com muita humanidade. 2Porquanto, acesa uma grande fogueira, nos alen-taram a todos contra a chuva que vinha, e em razão do frio. 3Então havendo Paulo ajuntado e pôsto sôbre o lume um molho de vides, uma víbora que fugirá do calor, lhe acometeu uma mão. 4Quando porém os bárbaros viram a bicha pendente da sua mão, diziam uns para os outros: Certamente êste homem é algum matador, pois tendo escapado do mar, a vingança o não deixa viver. 5Mas é certo que êle sacudindo a bicha no fogo, não experimentou nenhum dano. 6Os tais porém julgavam que êle viesse a inchar, e que sùbitamente caisse e morresse. Mas depois de esperarem muito tempo, e vendo que lhe não sucedia mal nenhum, mudando de parecer, disseram que êle era algum deus. 7E naqueles lugares havia umas terras do príncipe da ilha, chamado Públio, o qual hospedando-nos-em sua casa, três dias nos tratou bem. 8Sucedeu porém achar-se então doente de febre e de disenteria, o pai de Públio. Foi Paulo vê-lo: E: como fizesse oração, e lhe impusesse as mãos, sarou-o.: 9Depois do qual milagre, todos os que na ilha se achavam doentes, vinham a êle e eram curados: 10Êles nos fizeram também grandes honras, e quando estávamos a ponto de navegar, nos proveram do que era necessário. 11E ao cabo de três meses embarcamos num navio de Alexandria, que tinha invernado na Ilha, o qual levava por insígnia Castor e Pollux. 12E arribados a Siracusa, ficamos ali três dias. 13De lá correndo a costa, viemos a Régio: E um dia depois, ventando o Sul, chegamos em dois a Pu-zolo: 14Onde, como achamos irmãos, êles nos rogaram que ficássemos na sua companhia sete dias: E passados êles, tomamos o caminho de Roma. 15Donde, porém, tendo os irmãos novas que che-gávamos, saíram a receber-nos à Praça d'Ápio, e às Três Vendas. Paulo, como os viu, dando graças a Deus, cobrou ânimo. 16E chegados que fomos a Roma, deu-se licença a Paulo que ficasse onde quisesse com um soldado que o guardasse. 17Mas passados três dias convocou Paulo os principais dos judeus. Havendo-se êles ajuntado, lhes disse: Eu, varões irmãos, sem cometer nada contra o povo, nem contra os costumes de nossos pais, havendo sido prêso em Jerusalém, fui entregue nas mãos dos romanos. 18Os quais tendo-me examinado, quiseram soltar-me, visto que não achavam em mim crime algum-que merecesse morte. 19Mas opondo-se a isso os judeus, vi-me obrigado a apelar para o César, sem intentar contudo acusar de alguma coisa os da minha nação. 20Por esta causa pois é que vos mandei chamar aqui, para vos ver, e vos falar. Porquanto, pela esperança de Israel é que eu estou prêso com esta cadeia. 21Então eles lhe responderam: Nós nem temos recebido carta de Judéia que fale em ti, nem de lá tem vindo irmão algum que nos dissesse ou falasse algum mal da tua pessoa. 22Porém quiséramos que tu nos dissesses o que sentes: Porque o que nós sabemos desta seita, é que em tôda a parte a impugnam. 23Tendo-lhe pois aprasado dia, vieram muitos vê-lo ao seu hospício, aos quais êle tudo expunha, dando testemunho do Reino de Deus, e convencendo-os a respeito de Jesus pela lei de Moisés e pelos profetas, de pela manhã até à tarde. 24Uns criam o que êle dizia, outros porém não criam. 25E como não estivessem entre si concordes, estavam para se retirar, quando lhes disse Paulo esta palavra: Bem falou pois o Espírito Santo pelo profeta Isaías, a nossos pais, 26dizendo: Vai a êsse povo, e dize-lhes: De ouvido ouvireis, e não entendereis: E vendo vereis, e não per-cebereis. 27Porque o coração dêste povo se endureceu, e dos ouvidos ouviram pesadamente, e apertaram os seus olhos: Porque não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, 28Seja-vos pois notório que aos gentios é enviada esta salvação de Deus, e êles a ouvirão. 29E tendo acabado de dizer isto, saíram dali os judeus, tendo entre si grandes altercações. 30E dois anos inteiros permaneceu Paulo num aposento que alugara: E recebia a todos que o vinham ver, 31pregando o reino de Deus, e ensinando as coisas que são concernentes ao Senhor Jesus Cristo, com tôda a liberdade, sem proibição.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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