Atos dos Apóstolos 7
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Então o sumo sacerdote disse: Pois com efeito são assim estas cousas? 2Respondeu êle: Varões irmãos, e Padres, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava em Mesopotâmia, antes de assistir em Caran. 3E lhe disse: Sai do teu país e da tua parentela, e vem para a terra que eu te mostrar. 4Então saiu êle da terra dos caldeus, e veio morar em Caran. E de lá, depois que morreu seu pai, Deus. o fêz passar a esta terra; na qual vós agora habitais. 5E não lhe deu herança nela, nem ainda o espaço dum pé: Mas prometeu dar-lhe a posse dela a êle, e depois dêle à sua posteridade, quando ainda não tinha filho. 6E Deus lhe disse: Que a sua descendência seria habitadora em terra estranha, e que a reduziriam à servidão, e a maltratariam por espaço de quatrocentos anos. 7Mas eu julgarei a gente, a quem êles houverem servido, disse o Senhor: E depois disto sairão, e me servirão neste lugar. 8E lhe deu o testamento da circuncisão: E assim gerou a Isaac, e circuncidou passados oito dias: E Isaac gerou a Jacó: E Jacó aos doze patriarcas. 9E os patriarcas, movidos de inveja; venderam a José para ser levado ao Egito: Mas Deus era com êle, 10eo livrou de tôdas as suas tribulações: E lhe deu graça, e sabedoria diante de Faraó, rei do Egito, o qual o fêz governador do Egito, e de tôda a súa casa. 11Veio depois fome por tôda a terra do Egito, e de Canaã, e uma grande tribulação, e os nossos pais não achavam que comer. 12E tendo Jacó ouvido dizer que havia trigo no Egito: Enviou a primeira vez a nossos pais. 13E na segunda foi conhecido José de seus irmãos, e foi descoberta a Faraó a sua linhagem. 14E enviando José mensageiros, fêz ir ao seu pai Jacó e a tôda à sua família, que constava de setenta e cinco pessoas 15E Jacó desceu ao Egito, e morreu êle, e nossos pais. 16E foram trasladados a Siquém, e postos no momento que Abraão tinha comprado em moeda de prata, aos filhos d'Hemor, filho de Siquém. 17E chegando o tempo da promessa, que Deus havia jurado a Abraão, cresceu o povo, e se multiplicou no Egito. 18Até que se levantou outro rei no Egito, que não conhecia a José. 19Êste, usando de astúcia contra a nossa Nação, apertou a nossos pais, para que expusessem a seus filhos, a fim de que não vivessem. 20Naquele mesmo tempo nasceu Moisés, e foi agradável a Deus, e se criou três meses na casa de seu pai. 21Depois, como êle fôsse exposto, a filha de Faraó o levantou, e o criou como seu filho. 22Depois foi Moisés instruído em tôda a literatura dos egípcios, e era êle poderoso em palavras e obras. 23E depois que completou o tempo de quarenta anos, lhe veio ao coração o visitar a seus irmãos, os filhos de Israel. 24E como visse a um que era injuriado, o defendeu: E vingou ao que'padecia a injúria, matando ao egípcio. 25E êle cuidava que seus irmãos estavam capaci-tados de que por sua mão os havia de livrar Deus, mas êles não o entenderam. 26Porém no dia seguinte, pelejando êles, se lhes manifestou: E os reconciliava em paz, dizendo: Varões, irmãos sois, por que vos maltratais um a outro? 27Mas o que fazia injúria ao seu próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu a ti príncipe, e juiz sôbre nós? 28Dar-se-á caso que tu me queiras matar, assim como mataste ontem aquele egípcio? 29Porém Moisés, ouvindo esta palavra, fugiu: E esteve como estrangeiro na terra de Madian, onde houve dois filhos. 30E cumpridos quarenta anos, lhe apareceu no deserto do monte Sinai um Anjo na chama de uma sarça que ardia. 31E vendo isto Moisés, se admirou de uma tal visão e, chegando-se êle para a examinar, se dirigiu a êle a voz do Senhor, a qual dizia: 32Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó. Moisés, porém, espantado, não ousava olhar. 33E o Senhor lhe disse: Tira os sapatos dos teus pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa. 34Considerando bem, tenho visto a aflição do meu povo, que reside no Egito, e tenho ouvido os seus gemidos, e baixei a livrá-los. Vem, pois, agora, para eu te enviar ao Egito. 35A êste Moisés, ao qual desprezarafn, dizendo: Quem te fêz a ti príncipe, e juiz? A êste enviou Deus por príncipe e redentor, pon mão do Anjo que lhe apareceu na sarça. 36Este os fêz sair obrando prodígios, e milagres na terra do Egito, e no mar Vermelho, e no deserto, por espaço de quarenta anos. 37Este é aquele Moisés, que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a êle ouvireis. 38Este é o que esteve na assembléia do Povo, no deserto, com o Anjo, que lhe falava no monte Sinai, e com os nossos pais, que recebeu palavras de vida, para no-las dar a nós. 39A quem nossos pais não quiseram obedecer, antes o repeliram, e com os seus corações se tornaram ao Egito, 40dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão adiante de nós, porque no tocante a êste Moisés, que nos tirou da terra do Egito, nós não sabemos que foi feito dele. 41E por aqueles dias fizeram um bezerro, e ofereceram sacrifício ao ídolo, e se alegravam nas obras das suas mãos. 42Mas Deus se apartou, e os abandonou a que servissem a milícia do Céu como está escrito no Livro dos Profetas. Porventura oferecestes-me vós, Casa de Israel, algumas vítimas, e sacrifícios pelo.espaço de quarenta anos no deserto? 43E recebestes a tenda de Moloque, e a estrêla do vosso deus Renfam, figuras que vós fizestes para as adorar. Pois eu vos fareiir para lá de Babilônia. 44O tabernáculo do testemunho esteve com os nossos pais no deserto, assim como Deus lho ordenou, dizendo a Moisés que o-fizesse conforme o modêlo que tinha visto. 45E nossos pais, depois de o terem recebido, o levaram debaixo da conduta de Josué à possessão dos gentios, aos quais lançou Deus fora da presença de nossos pais, até aos dias de Davi. 46O qual achou graça diante de Deus, e pediu o achar tabernáculo para o Deus de Jacó. 47Mas Salomão lhe edificou a casa. 48Porém o Excelso não habita em feitura de mãos, como diz o profeta: 49O Céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis vós? diz o Senhor; ou qual é o lugar do meu repouso? 50Não fêz porventura a minha mão tôdas estas coisas? 51Homens de dura cerviz, de corações e ouvidos incircuncisos, vós sempre resistis ao Espirito Santo; assim como obraram vossos pais, assim o fazeis vós também. 52A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? E mataram êles aos que de antemão anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas: 53Vós, que recebestes a lei por ministério dos anJos, e não a guardastes. 54Ao ouvir, porém, tais palavras, enraiveciam-se dentro nos seus corações, e rangiam com os dentes contra êle, 55Mas como êle estava cheio. do Espirito Santo, olhando para o Céu, viu a glória de Deus e a Jesus que estava em pé à destra de Deus. E disse: Eis estou eu vendo os Céus abertos, e-o Filho do homem que está em pé à mão direita de Deus. 56Então êles, levantando uma grande grita, taparam os seus ouvidos, e todos juntos arremeteram a êle com fúria. 57E tendo-o lançado para fora da cidade, o apedrejaram: E as testemunhas depuseram os seus vestidos aos pés de um moço que se chamava Saulo. 58E apedrejavam a Estêvão, que invocava a Jesus, e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espirito. 59E pôsto de joelhos, clamou em voz alta, dizendo: Senhor, não lhes imputes êste pecado. E tendo dito isto, dormiu no Senhor. E Saulo era.consentidor na sua morte. CAPfTULO