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Atos dos Apóstolos 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Naquele dia pois se moveu uma grande perseguição na igreja que estava em Jerusalém, e foram todos dispersos pelas províncias da Judéia, e de Samaria, excetuando os Apóstolos. 2E uns homens timoratos trataram de enterrar a Estêvão e fizeram um grande pranto sobre êle. 3Mas Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas, e tirando com violência homens e mulheres, os fazia meter no cárcere. 4Portanto, os que haviam sido dispersos iam de uma parte para a outra, anunciando a palavra de Deus. 5E Filipe, descendo a uma cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo. 6E os povos estavam atentos ao que Filipe lhes dizia, escutando-o com um mesmo ardor, e vendo os prodígios que fazia. 7Porque os espíritos imundos de muitos possessos saiam dando grandes gritos. 8E muitos paralíticos e côxos foram curados. 9Pelo que se originou uma grande alegria naquela cidade. Havia porém nela um homem, por nome Simão, o qual antes tinha ali exercitado a mágica, enganando ao povo samaritano, dizendo que êle era um grande homem. 10A quem todos davam ouvidos desde o menor até ao maior, dizendo: Êste é a virtude de Deus, a qual se chama grande. 11E êles o atendiam: Porque, com as suas artes mágicas, por muito tempo os havia dementado. 12Porém, depois que creram o que Filipe lhes anunciava do reino de Deus, iam-se batizando homens e mulheres em nome de Jesus Cristo. 13Então creu também o mesmo Simão: E depois que foi batizado, andava unido a Filipe. Vendo também os prodígios e grandíssimos milagres que se faziam, todo cheio de pasmo se admirava. 14Os Apóstolos, porém, que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, mandaram-lhes lá a Pedro e a João. 15Os quais, como chegaram, fizeram oração por êles, a fim de receberem o Espirito Santo. 16Porque êle ainda não tinha descido sôbre nenhum, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. 17Então punham as mãos sôbre êles, e recebiam o Espirito Santo. 18E quando Simão viu que se dava o Espirito Santo por meio da imposição da mão dos Apóstolos, lhes ofereceu dinheiro, 19dizendo: Dai-me também a mim êste poder, que qualquer a quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo. Mas Pedro lhe disse: 20O teu dinheiro pereça contigo: Uma vez que tu te persuadiste que o dom de Deus se podia adquirir com dinheiro, 21tu não tens parte, nem sorte alguma, que pretender neste ministério: Porque o teu coração não é reto diante de Deus. 22Faze, pois, penitência desta tua maldade: E rogá a Deus que, se é possível, te seja perdoado êste pensamento do teu coração. 23Porque eu vejo que tu estás num fel de amargura, e preso nos laços da iniquidade. 24E respondendo Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que não venha sôbre mim nenhuma coisa das que haveis dito. 25E eles, depois de terem testemunhado com efeito, e anunciado a palavra do Senhor, tornavam já para Jerusalém e pregavam por muitos lugares dos samaritanas. 26Eo anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai contra o meio-dia em direitura ao caminho que vai de Jerusalém a Gaza: Esta se acha deserta. 27E êle, levantando-se, partiu. E eis que um varão etíope, eunuco, valido de Candace, rainha da Etiópia, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, tinha vindo a Jerusalém para fazer a sua adoração: 28E voltava já assentado sôbre o seu coche, e ia lendo o profeta Isaías. 29Então disse o espirito a Filipe: Chega e ajunta-te a êste coche. 30E correndo logo Filipe, ouviu que o eunuco lia no profeta Isaías, e lhe disse: Crês porventura que entendes o que estás lendo? 31Êle lhe respondeu: E como o poderei eu entender, se não houver alguém que mo explique? E rogou a Filipe que montasse e se assentasse com êle. 32Ora, a passagem da Escritura que lia era esta: Como ovelha foi levado ao matadouro: E como cordeiro mudo diante do que o tosquia, assim êle não abriu a sua bôca. 33No seu abatimento o seu juízo foi exaltado. Quem poderá contar a sua geração, pois que a sua vida será tirada da terra? 34E respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te que me digas de quem disse isto o Profeta? De si-mesmo ou dalgum outro? 35E abrindo Filipe a sua bôca,' e principiando por esta Escritura, lhe anunciou a Jesus. 36E continuando êles o seu caminho, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui está água; que embaraço há para que eu não seja batizado? 37E disse Filipe: Se crês de todo o coração, bem podes. E êle respondendo disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. 38E mandou parar o coche: E desceram os dois à água, Filipe e o eunuco, e o batizou. 39E tanto que êles saíram da água, arrebatou o Espirito do Senhor a Filipe, e o eunuco o não viu mais. Porém continuava o seu caminho cheio de prazer. 40Mas Filipe se achou em Azot, e indo passando pregava o Evangelho em tôdas as cidades até que veio a Cesaréia.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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