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Cântico dos Cânticos 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Quem me fará tão ditosa, que te tenha a ti por irmão pendente já dos peitos de minha mãe, para que eu te ache de fora, e te dê o suspirado ósculo, e ninguém mais me despreze? 2Eu te tomarei, e te levarei à casa de minha mãe: tu lá me ensinarás, e eu te darei a beber um vinho de confeição aromática, e um licor novo das minhas romãs. 3A sua mão esquerda se pôs já debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abraçará depois. 4O espôso. Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, que não perturbeis à minha amada o seu descanso, nem a façais despertar, até que ela se queira erguer. 5As filhas de Jerusalém. Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias, e firmada sôbre o seu amado? Eu te despertei debaixo da macieira: Ali é que tua mãe foi corrompida, ali é que perdeu a sua pureza a que te gerou. 6Põe-me a mim como um sêlo sôbre o teu coração, - como sêlo sôbre o teu braço: Porque o amor é valente como a morte, o zêlo do amor é inflexível, como o inferno, as suas lâmpadas são umas lâmpadas de fogo e de chamas. 7As muitas águas não puderam extinguir a caridade, nem os rios terão fôrça para a afogar: Se um homem der tôdas as riquezas de sua casa pelo amor, êle as desprezará, como se não tivera dado nada. 8Os irmãos da espôsa. A nossa irmã é pequena, e não tem.peitos. Que faremos nós à nossa irmã no dia em que se lhe há-de falar? 9O espôso. Se ela é um muro, edifiquemos sôbre ela baluartes de prata: Se é uma porta, guarneçamo-la com tábuas de cedro. 10A espôsa. Eu sou um muro: E os meus peitos são como uma tôrre, desde que me tenho na sua presença tornado bem como uma que acha paz. 11O pacífico teve uma vinha naquela que tem povos: Êle a entregou aos guardas: Cada homem dá mil siclos de prata pelo fruto que dela tira. 12A minha vinha está diante de mim. Tu, ó paci-fico, tirarás da tua vinha mil siclos, e os que a guardam, e lhe colhem os frutos, duzentos. 13Ó tu, a que habitas nos jardins, os teus amigos estão atentos: Faze-me ouvir a tua voz. 14Foge, amado meu, e faze-te semelhante a uma cabra montesa, e aos veadinhos sôbre os montes dos aromas.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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