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Daniel 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da prosápia dos medos, que reinou no Império dos caldeus: 2No primeiro ano, digo, do seu reinado, eu Daniel pela lição dos livros entendi o número dos anos, do qual o Senhor falou ao profeta Jeremias, em que se haviam de completar os setenta anos da desolação de Jerusalém. 3E eu voltei o meu rosto para o Senhor meu Deus, para o rogar e o conjurar em jejuns, saco e cinza. 4E orei ao Senhor meu Deus, e confessei. as minhas faltas, e lhe disse: Ouve a minha oração. ó Senhor Deus grande e terrível, que guardas o teu pacto e a tua misericórdia para com os que te amam e que observam os teus mandamentos. 5Nós pecamos, nós cometemos a iniquidade, nós obramos impiamente e nós nos retiramos de ti: E nós nos apartamos dos teus preceitos e das tuas ordenanças. 6Nós não obedecemos aos profetas teus servos, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos príncipes, a nossos pais e a todo o povo da terra. 7A justiça é tua, ó Senhor: A nós porém não nos resta senão a confusão do nosso rosto, como sucede hoje a todo o homem de Judá, e aos habitantes de Jerusalém, e a todo o Israel, aos que estão perto e aos que estão longe, em todos os países para onde tu os lançaste por causa das suas iniquidades, que cometeram contra ti. 8Não nos resta, Senhor, senão a confusão do nosso rosto, a nós, aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais que pecaram. 9Mas a ti, que és o Senhor nosso Deus, pertence a misericórdia e a propiciação, porque nós nos retiramos 10E não ouvimos a voz do Senhor nosso Deus para andarmos na sua lei, que êle nos pôs por seus servos os profetas. 11E todos os de Israel violaram a tua lei e se desencaminharam para não ouvirem a tua voz, e choveu sôbre nós a maldição, e a execração, que está escrita no livro de Moisés servo de Deus, porque pecamos contra êle. 12E cumpriu as suas palavras, que proferiu contra nós e contra os nossos príncipes, que nos julgaram, para fazer vir sôbre nós êste grande mal, qual nunca se viu debaixo de todo o céu, como o que aconteceu a Jerusalém. 13Todo êste mal caiu sôbre nós, segundo está escrito na lei de Moisés: E nós nos não temos apresentado diante da tua face, para te pedirmos, ó Senhor nosso Deus, que nos apartássemos das nossas iniquidades e nos apli-cássemos ao conhecimento da tua verdade. 14Assim o Senhor vigiou sôbre a malícia, e fêz cair sôbre nós o castigo dela: o Senhor nosso Deus é justo em tôdas as suas obras que fêz: Porque nós não ouvimos a sua voz. 15E agora Senhor nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com uma mão poderosa, e que adquiriste então um nome que dura até o dia de hoje: Nós pecamos, nós cometemos a iniquidade. 16Senhor, nós pecamos contra tôda a tua justiça: Aparte-se, eu to peço, a tua ira, e o teu furor da tua cidade de Jerusalém e do teu santo Monte. Porque Jerusalém e o teu povo estão hoje em opróbrio para com tôdas as nações, que nos cercam, por causa dos nossos pecados e pelas iniquidades de nossos pais. 17Atende pois agora, Deus nosso, à oração do teu servo e às suas preces: E sôbre o teu Santuário, que está deserto, faze reluzir a tua face por amor de ti mesmo. 18Inclina, Deus meu, o teu ouvido e ouve: Abre os teus olhos, e vê a nossa desolação e a ruína daquela cidade, que teve a glória de se chamar do teu Nome: Porque nós, prostrando-nos em terra diante da tua face, não fazemos estas deprecações fundados em alguns mereci-mentos da nossa justiça, mas sim na multidão das tuas misericórdias. 19Escuta, Senhor, aplaca-te, Senhor: Atende-nos e põe mãos à obra: Não te dilates mais, Deus meu, por amor de ti mesmo: Porque esta cidade, e êste teu povo têm a glória de se chamarem do teu Nome. 20E quando eu ainda falava e orava, e confessava os meus pecados e os pecados do meu povo de Israel, e quando, prostrado, oferecia as minhas rogativas na presença do meu Deus, pelo santo Monte do meu Deus. 21Quando eu, digo, ainda não tinha bem acabado as palavras da minha súplica, eis-que o varão Gabriel, que eu tinha visto ao princípio na visão, voando rapida-mente me tocou ao tempo do sacrifício da tarde. 22E instruiu-me e falou-me e disse-me: Daniel, eu sai agora para te ensinar e para que tu entendesses. 23Desde o comêço das tuas preces, saiu da bôca de Deus um oráculo, e eu vim para te descobrir tôdas as coisas, porque tu és um varão de desejos: Tu, pois, toma bem sentido no que vou a dizer-te, e compreende a visão. 24Setenta semanas foram fixadas a respeito do teu povo e da tua Santa Cidade, a fim de abolir a prevaricação e pôr fim ao pecado, expiar a iniquidade e trazer a justiça eterna e para que as visões e profecias se cumpram e o Santo dos Santos será ungido. 25Sabe pois isto, e adverte-o bem: Desde a ordem para Jerusalém ser segunda vez edificada, até o Cristo Capitão, passarão sete semanas e sessenta e duas semanas: E segunda vez serão edificadas as ruas, e os muros na angústia dos tempos. 26E depois de sessenta e duas semanas, será morto o Cristo: E o povo, que o há de negar, não será mais seu povo. E um povo com o seu Capitão, que há de vir, destruirá a cidade e o Santuário: E o seu fim será uma ruína total e a desolação, a que ela foi condenada, lhe virá depois no fim da guerra. 27fsse Cristo porém confirmará para muitos o seu pacto numa semana: No meio da semana faltará a hóstia e o sacrifício: E ver-se-á no templo a abominação da desolação: E a desolação perseverará até a consumação e até o fim.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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