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Daniel 5

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1O rei Baltasar deu um grande banquete a mais de mil grandes da sua côrte: E cada um bebia nêle conforme a sua idade. 2Estando pois já bem cheio êle vinho, mandou que lhe trouxessem os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha transportado do templo de Jerusalém, para beberem por eles o rei, e os grandes da sua córte, e as mulheres dêle, e concubinas. 3No mesmo ponto foram trazidos os vasos de ouro e de prata, que tinha transportado do templo de Jerúsa-lém: E por êles beberam o rei, e os grandes da sua côrte, as mulheres dele, e concubinas. 4Êles bebiam do vinho, e louvavam os seus deuses de ouro, e de prata, e de metal, de ferro, e de pau, e de pedra. 5Na mesma hora apareceram uns dedos, como de mão de homem, que escrevia defronte do candeeiro na superfície da parede da sala do rei: E o rei via os movi-mentos das juntas dos dedos da mão que escrevia. 6Então o semblante do rei se mudou, e os seus pensamentos o perturbavam: E as juntas dos seus rins se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. 7O rei pois deu um grande grito, ordenando que fizessem entrar os mágicos, os caldeus, e os agoureiros. E falando o rei disse aos sábios de Babilônia: Todo o que ler esta escritura, e me fizer manifesta a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará um colar dé ouro ao pescoço, e será O terceiro no meu reino. 8Então depois de terem entrado todos os sábios do rei à sua presença, não puderam nem ler esta escritura, nem dar ao rei a sua interpretação. 9Por cujo motivo ficou o rei Baltasar em grande maneira perturbado, e o seu rosto se mudou: E os grandes da sua córte se achavam também sobressaltados. 10Mas a rainha, movida do que tinha acontecido ao rei, e aos grandes que estavam ao pé dêle, entrou na sala do banquete: E falando-lhe disse: O' rei, vive eternamente: Não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu rosto. 11No teu reino há um homem que tem em si o espírito dos Deuses Santos: E nos dias de teu pai se acharam nêle a ciência e a sabedoria: Por isso até o rei N abu-codonosor, teu pai, o constituiu príncipe dos mágicos, dos encantadores, dos caldeus, e dos agoureiros, teu pai, digo, ó rei, o constituiu acima de todos êles: 12Porque um espirito superior ao dos outros, e prudência, e inteligência e interpretação de sonhos, e declaração de segredos, e solução de dificuldades, tudo se achou nêle, isto é, em Daniel: A quem o rei pôs o nome de Baltasar: Agora pois chama-se Daniel, e êle interpretará esta escritura. 13Logo à presença do rei foi introduzido Daniel: Ao qual falando em primeiro lugar o rei disse: És tu Daniel, um dos cativos dos filhos de Judá, que o rei meu pai trouxe da Judéia? 14Ouvi dizer de ti, que tens o espírito dos deuses: E que em ti se achou mais ciência, e inteligência, e sabedoria, do que em algum outro. 15E ainda agora entraram à minha presença mágicos, sábios, para lerem esta escritura, e me darem a interpretação dela: E não puderam decifrar o sentido daquelas palavras. 16Mas de ti ouvi eu dizer, que tu podes interpretar as coisas escuras, e desembrulhar as implicadas: Se tu logo podes ler esta escritura, e dar-me a sua interpretação, tu serás vestido de púrpura, e trarás um colar de ouro à roda do teu pescoço, e serás o terceiro dentre os príncipes no meu reino. 17Daniel respondendo a isto, disse ao rei em sua presença: Às tuas dádivas sejam para ti, e dá as honras da tua casa a outro: Eu pois te lerei, ó rei, esta escritura e te farei patente a sua significação. 18O Deus altíssimo, ó rei, deu a Nabucodonosor teu pai, o reino, e a grandeza, a glória e a honra. 19E por causa dêste grande poder que lhe tinha dado, todos os povos, tôdas as tribos, e tôdas as nações de qualquer língua o respeitavam, e tremiam diante dêle: Aos que queria, matava: E aos que queria, feria com o castigo: E aos que queria, exaltava: E aos que queria, os abatia. 20Porém depois que o seu coração se elevou, e o seu espírito se confirmou na soberba, êle foi deposto do trono do seu reino, e lhe foi tirada a sua glória: 21E foi lançado da sociedade dos filhos dos homens, e até o seu coração ficou sendo como o dos brutos, ea sua habitação era com os asnos montezinhos: Comia também feno como boi, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que reconheceu que o Altíssimo tem um poder soberano sôbre os reinos dos homens: E que levantará sôbre o trono a quem muito quiser. 22E tu, Baltasar, que és seu filho, também. não humilhaste o teu coração, sendo que sabias tôdas estas coisas. 23Antes pelo contrário te elevaste contra o dominador do céu: E tu fizeste vir para diante de ti os vasos de sua casa: E bebeste por êles do vinho, tu, e os grandes da tua córte, e as tuas mulheres, e as tuas concubinas: Ao mesmo tempo louvaste os teus deuses de prata, e de ouro, e de metal, de ferro, e de pau, e de pedra, que não vêem, nem ouvem, nem sentem: E não deste glória ao Deus, que tem na sua mão o teu alento, e todos os teus caminhos. 24Por isso é que êle mandou os dedos desta mão que escreveu o que está assinalado na parede. 25Esta é pois a escritura, que ali está disposta: 26E esta é a interpretação das palavras. MANE: Deus contou os dias do teu reinado, e lhe pôs têrmo. 27TECEL: Tu fôste pesado na balança, e achou-se que tinhas menos do pêso. 28FARES: O teu reino se dividiu, e foi dado aos medos, e aos persas. 29Então por mandado do rei, foi Daniel vestido de púrpura, e cingiu-se-lhe ao pescoço um colar de ouro, e deitou-se bando, que êle teria poder no seu reino, como a terceira pessoa dêle. 30Naquela mesma noite foi morto Baltasar, rei dos caldeus. 31E Dario medo lhe sucedeu no reino, tendo sessenta e dois anos de idade,

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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