Daniel 7
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1No primeiro ano de Baltasar, rei de Babilônia, teve Daniel um sonho: E esta visão da sua cabeça foi estando na sua cama: E escrevendo o seu sonho, o recopilou em poucas palavras: E apontando-o em suma disse: 2Eu estava vendo na minha visão de noite, e e's-que os quatro ventos do céu pelejavam uns contra os outros num grande mar. 3E quatro grandes animais diferentes uns dos outros, subiam do mar. 4O primeiro era como uma leoa, e tinha asas de águia: Quando eu estava olhando para ela, foram-lhe arrancadas as asas, e ela foi levantada da terra, e se pôs nos seus pés como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. 5Depois disto apareceu em pé a um lado outro ari-mal, que se assemelhava a um urso: E tinha três ordens de dentes na sua bôca, e diziam-lhe assim: Levanta-te, farta-te de carnagem. 6Depois disto, estava eu olhando, e vi outro, que era como um leopardo, e tinha em cima de si quatro asas, como asas de um pássaro, e a mesma alimária tinha quatro cabeças, e foi-lhe dado o poder. 7Depois disto olhava eu nesta visão que tinha de noite: E eis-que vi outro quarto animal, que era terrível, e espantoso, e sobremaneira forte; êle tinha uns grandes dentes de ferro, comendo com êles, e fazendo tudo em miúdos pedaços, e pisando aos seus pés o que sobejava: E era êle diferente das outras alimárias que eu tinha visto antes dêle e tinha dez cornos. 8Eu considerava os seus cornos e eis-que vi outro pequenino côrno, que nascia do meio dêles: E três dos primeiros cornos foram arrancados de diante dêle: E reparei que neste côrno havia uns olhos como olhos de homem, e uma bôca, que falava com insolência. 9Eu estava atento ao que via, até que foram pôs: tos uns tronos, é o antigo dos dias se assentou: O seu vestido era branco como a neve, e os cabelos da sua cabeça como a limpa lã: O seu trono era de chamas de fogo: as rodas dêste trono um fogo aceso. 10De diante dêle saia um rio de fogo, e arrebatado: Um milhão de ministros o serviam, e mil milhões assistiam diante dêle: Assentou-se o juízo, e abriram-se os livros. 11Eu olhava atentamente, por causa do estrépito das arrogantes palavras, que êste côrno proferia: E vi que a alimária fôra morta, e que o seu corpo perecerá, e fôra entregue ao fogo para ser queimado: 12Vi também que se tinha tirado o poder às outras alimárias e que a duração da sua vida lhe tinha sido assinalada até um tempo, e um tempo. 13Eu considerava pois estas coisas numa visão de noite, e eis-que vi um como o Filho do homem, que vinha com as nuvens do céu, e que chegou até o Antigo dos dias: E eles o apresentaram diante dele. 14E êle lhes deu o poder, e a honra, e o reino: E todos os povos, tôdas as tribos, e tôdas as línguas o servirão: O seu poder é um poder eterno, que lhe não será tirado: E o seu reino tal, que não será jamais corrompido. 15O meu espirito se encheu de horror, eu Daniel fiquei atemorizado destas coisas, e as visões da minha cabeça me turbaram. 16Eu me cheguei a um dos assistentes, e eu lhe perguntava a verdade de tôdas estas coisas. file me disse a interpretação destas visões, e me ensinou: 17Estas quatro grandes alimárias são quatro reinos, que se levantarão da terra. 18Mas os Santos do Deus altíssimo receberão o reino: E entrarão na posse do mesmo reino até o fim dos séculos. 19Depois disto quis eu diligentemente informar-me da quarta alimária, que era muito diferente de tôdas as outras, e sobremaneira temerosa: Os seus dentes, e unhas eram de ferro: Ela devora;-a, e ela fazia as coisas em miúdos pedaços, e pisava aos seis pés o que sobejava: 20E quis também informar-me dos dez cornos, que cia tinha. na cabeça: E do outro, que lhe viera de novo, na presença do qual tinham caído três dos outros cornos: E dêste côrno, que tinha olhos, e tinha uma bôca, que falava com insolência, e se tinha feito maior do que os outros. 21Eu olhava atento, e eis-que vi que aquêle côrno fazia guerra contra os Santos, e podia mais do que êles. 22Até que veio o Antigo dos dias, e deu sentença a favor dos Santos do Excelso, e chegou o tempo, e entraram os Santos de posse do reino. 23E êle disse assim: A quarta alimária será na terra O quarto reino, que será maior do que todos os outros reinos, e devorará tôda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em miúdos pedaços. 24Ora os dez cornos dêste mesmo reino serão dez reis: E depois dêles se levantará outro, e será êle mais poderoso do que os primeiros, e humilhará a três reis. 25E falará insolentemente contra o Excelso, e atropelará os Santos do Altíssimo: E imaginará de si, que pode mudar os tempos, e as leis, e os Santos lhe serão entregues nas suas mãos até um tempo, e dois tempos, e metade de um tempo. 26Mas depois se assentará o juízo, a fim de que lhe seja tirado o poder, e ele seja inteiramente desfeito, e pereça para sempre. 27E ao mesmo tempo se dê o reino, e o poder, e a grandeza do reino, que está debaixo de todo o céu, ao povo dos Santos do Altíssimo: Cujo reino é um reino eterno, e ao qual servirão e obedecerão todos os reis. 28Até aqui chegou o remate do que me foi dito. Eu, Daniel, estava ao depois muito turbado pelos meus pensamentos, e todo o meu semblante se me mudou: E eu conservei êstes pensamentos no meu coração.