Daniel 8
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1No terceiro ano do reinado do rei Baltasar, tive eu uma visão. Eu Daniel, depois do que tinha visto no princípio: 2Vi numa visão que tive, estando no castelo de Susa, que é no país de Elam: Vi pois nesta visão que eu estava sôbre a porta de Ulai. 3E levantei os meus olhos, e olhei: E eis-que estava em pé diante de uma lagoa um carneiro, que tinha uns cornos levantados, e um o era mais do que o outro, e crescia pouco a pouco: Depois 4vi que o carneiro dava cornadas contra o ocidente, e contra o Aquilão, e contra o meio-dia, e nenhum animal lhe podia resistir, nem livrar-se da sua fôrça: E êle fêz quanto quis e veio a fazer-se em extremo poderoso. 5E eu estava atento ao que via: E eis-que um bode vinha do ocidente sôbre a face de tôda a terra, e não tocava na terra: E êste bode tinha um côrno insigne entre os seus dois olhos. 6E veio até aquele carneiro que tinha cornos, ao qual eu tinha visto em pé diante da porta, e correu para êle com todo o ímpeto da sua fôrça. 7E tendo chegado perto do carneiro, arremeteu a êle com fúria, e feriu o tal carneiro: E lhe quebrou os seus dois cornos, sem que o carneiro lhe pudesse resistir E tendo-o lançado por terra, o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do seu poder. 8Ao depois se fêz o bode extraordinariamente grande: E tendo crescido quebrou-se o seu grande côrno, e formaram-se por baixo dêle quatro cornos, para os quatro ventos do mundo. 9Porém de um dêstes cornos saiu um pequeno: E êle se fêz grande contra o meio-dia, e contra o oriente, e contra a fortaleza. 10E se elevou até contra a fortaleza do céu: E deitou abaixo muitos dos mais fortes, e muitas das estrêlas, e as pisou aos pés. 11E se engrandeceu até contra o príncipe da fôrça e tirou dêle o sacrifício perpétuo, e desonrou o lugar da sua santificação. 12Foi-ihe porém dado o poder contra o sacrifício perpétuo, por causa dos pecados: E a verdade será prostrada na terra, e êle empreenderá tudo, e tudo lhe sucederá conforme o seu desejo. 13Então ouvi eu um dos Santos que falava: E um Santo perguntou a outro, não sei a quem, que lhe falava: Até quando durará a visão, e o sacrifício perpétuo, e o pecado da desolação que foi feita: E até quando será pisado aos pés o Santuário, e a fortaleza? 14E êle lhe respondeu: Até dois mil e trezentos dias, compostos da tarde e da manhã: E o Santuário será purificado. 15Sucedeu porém que quando eu Daniel tinha esta visão, e procurava a sua inteligência: Eis-que se me apresentou diante uma como figura de homem. 16E eu ouvi a voz de um homem entre Ulai, o qual gritou, e disse: Gabriel, faze-lhe entender esta visão. 17No mesmo ponto veio êle, e parou junto do lugar onde eu estava: E quando êle veio a mim, caí eu espavorido com o rosto em terra e êle me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão se cumprirá no fim a seu tempo. 18E quando êle ainda me estava falando, tornei eu a cair com o rosto em terra: E êle então me tocou, e me fêz pôr em pé. 19E me disse: Eu te mostrarei o que há de suceder no último dia da maldição: Porque o tempo tem o seu fim. 20O carneiro, que tu viste que tinha cornos, é o rei dos medos e dos persas. 21O bode porém é o rei dos gregos: E o grande côrno, que êle tinha entre os seus dois olhos, é o primeiro dos seus reis. 22E quanto aos quatro cornos, que, depois de quebrado aquêle primeiro, se levantaram em seu lugar: São os quatro reis, que se levantarão da sua gente, mas não com a sua fôrça. 23E depois do seu reinado, quando tiverem crescido as iniquidades, se levantará um rei de uma cara sem vergonha, e inteligente de enigmas: 24E o seu poder se confirmará, mas não pelas suas fôrças: E devastará tudo, sôbre quanto se pode crer, e será prosperado, e fará tudo o que quiser. E matará os robustos, e o povo dos Santos. 25Segundo a sua vontade, e todo o engano será tra-mado com bom sucesso pela sua mão: E elevará o seu coração, e vendo-se na abundância de tôdas as coisas matará a muitíssimos: E levantar-se-á contra o príncipe dos príncipes, e será em pó reduzido sem intervir mão de homem. 26E aquela visão da tarde e da manhã que te foi representada, é verdadeira: Põe tu logo o sêlo a esta visão, porque ela não sucederá senão depois de muitos dias. 27Depois disto, caí eu Daniel em desfalecimento, e fiquei doente por alguns dias: E tendo-me levantado, trabalhava eu nos negócios do rei, e estava pasmado considerando nesta visão, sem haver ninguém que ma pudesse interpretar,