Eclesiastes 10
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1As moscas que morrem no bálsamo fazem-lhe perder a suavidade do cheiro. Uma loucura, ainda que pequena e de pouta dura, dá ocasião a não se fazer caso da sabedoria nem da glória. 2O coração do sábio está na sua mão direita, e o coração do insensato na sua esquerda. 3Mas até o insensato que vai pelo seú caminho, sendo êle um insipiente, a todos reputa por insensatos. 4Se o espirito daquele que tem o poder, se elevar sobre ti, não largues o teu pôsto: Porque êste remédio te curará dos maiores pecados. 5Há um mal, que eu vi debaixo do sol, saindo como por êrro da presença do Príncipe: 6E vem a ser, o imprudente constituído numa sublime dignidade, e os ricos assentados em baixo. 7Eu vi os escravos a cavalo, e os príncipes andando a pé sôbre a terra como escravos. 8Aquêle que abriu uma cova, cairá nela: E o que desfaz a sebe, mordê-lo-á a cobra. 9Aquele que transporta pedras, será maltratado delas: E o que racha lenha, ferido das lascas. 10Se o ferro estiver embotado, e êle não fôr a àmolar para se pôr como dantes, mas se ainda em cima se fizer mais rombo, com muito trabalho se afiará, assim depois da indústria se seguirá a sabedoria. 11Aquêle que detrai ocultamente de outrem, não é menos do que uma serpente que morde à calada. 12As palavras que saem da bôca do sábio são cheias: de graças: E os lábios do insensato precipitá-lo-ão. 13As suas primeiras palavras são uma parvoice, e as últimas que lhe saem da bôca, são um êrro péssimo. 14O insensato todo se espraia em falar. O homem não sabe que é o que foi antes dêle: E quem lhe poderá indicar que é o que será depois? 15O trabalho dos insensatos afligirá aquêles que não sabem ir à cidade. 16Desgraçada de ti, terra, cujo rei é menino, e cujos príncipes comem de manhã. 17Ditosa a terra, cujo rei é duma família ilustre, e cujos príncipes comem a seu tempo para refazerem as tôrças, e não para lisonjearem o apetite. 18Pela preguiça se irá abatendo pouco a pouco o madeiramento do teto, e pela debilidade das mãos virá a chover em tôda a casa. 19Os homens empregam o pão e o vinho no seu prazer, vivendo para se banquetearem: E tôdas as coisas obedecem ao dinheiro. 20Não digas mal do rei, ainda no teu pensamento e não fales mal do rico, ainda no retiro da tua câmara: Porque até as aves do Céu levarão a tua voz e o que tem penas dará notícia do teu sentimento.