Eclesiastes 9
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Eu resolvi tôdas estas coisas no meu coração, para diligentemente as entender: Há justos e sábios, e as suas obras estão na mão de Deus: E contudo não sabe o homem se é digno de amor, ou de ódio. 2Mas tudo se reserva incerto para O futuro, visto acontecerem tôdas as coisas igualmente ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro, ao que sacrifica vítimas, e ao que despreza os sacrifícios: Assim como é tratado o bom, assim também é o pecador: Do modo que o é o perjuro, assim o é também aquêle que jura verdade. 3Isto é o que há de pior entre tudo o que se passa. debaixo do sol, o sucederem a todos as mesmas coisas: Daqui vem que não só os corações dos filhos dos homens se enchem de malícia, e de desprêzo durante a sua vida, mas também que depois disto serão conduzidos aos infernos. 4Não há ninguém que viva sempre, nem que tenha esperança disto: Mais vale um cão vivo do que um leão morto. 5Porque os que estão vivos sabem que hão de morrer; porém os mortos não sabem mais nada, nem dali por diante êles têm alguma recompensa: Porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. 6Também o amor, e o ódio, e as invejas pereceram juntamente com os mesmos, nem êles têm parte neste século nem tampouco em obra alguma que se faz debaixo do sol. 7Vai pois e come o teu pão com alegria e bebe com gôsto o teu vinho: Porque a Deus agradam as tuas obras. 8Os teus vestidos sejam em todo o tempo brancos e não falte o óleo que unte a tua cabeça. 9Goza da vida com a mulher que amas por todos os dias da tua vida instável, os quais te foram dados debaixo do sol por todo o tempo da tua vaidade: Porque esta é a tua parte na vida, e no teu trabalho, com que te afa-digas debaixo do sol. 10Obra com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão: Porque na sepultura, para onde tu te apressas, não haverá nem obra, nem razão, nem sabedoria, nem ciência. 11Eu me voltei para outra coisa, e vi que debaixo do sol não é o prêmio para os que melhor correm, nem a guerra para os que são mais fortes, nem o pão para os que são mais sábios, nem as riquezas para os que são mais doutos, nem a boa aceitação para os que são mais hábeis artífices: Mas que tudo se faz por encontro, e por casua-lidade. 12O homem não sabe que fim será o seu: Mas do modo que os peixes são apanhados no anzol, e assim como as aves caem no laço, assim os homens se acham presos no tempo mau, quando êste der sôbre êles de improviso. 13Vi também debaixo do sol um efeito de sabedoria que já vou a dizer, e que eu aprovei por muito grande: 14Havia uma pequena cidade, e nela se achavam poucos homens: Veio contra ela um grande rei, e em tôrno da mesma se entrincheirou, e fêz ao redor as suas fortificações e ficou assim completo o assédio. 15E achou-se nela um homem pobre e sábio, e livrou a cidade pela sua sabedoria, e nenhum depois disto se lembrou mais daquele homem pobre. 16E dizia eu, que a sabedoria era melhor do que a fortaleza: Como foi logo desprezada a sabedoria do pobre, e como não foram ouvidas as suas palavras?, 17As palavras dos sábios são ouvidas em silêncio, mais do que o clamor do príncipe entre os insensatos. 18Melhor é a sabedoria do que as armas da gente de guerra: E aquêle que pecar numa só coisa, perderá muitos bens.