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Eclesiastes 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Tôdas as coisas têm seu tempo, e tôdas elas passam debaixo do Céu segundo o têrmo que a cada uma foi prescrito. 2Há tempo de nascer, e tempo de morrer. Há tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. 3Há tempo de matar, e tempo de sarar. Há tempo de destruir, e tempo de edificar. 4Há tempo de chorar, e tempo de rir. Há tempo de se afligir, e tempo de saltar de gôsto. 5Há tempo de espalhar pedras, e tempo de as ajuntar. Há tempo de dar abraços, e tempo de se pôr longe: deles. 6Há tempo de adquirir, e tempo de perder. Há tempode guardar, e tempo de lançar fora. 7Há tempo de rasgar, e tempo: de coser. Há tempo de calar, e tempo de falar. 8Há tempo de amor, e tempo de ódio. Há tempo de guerra, e tempo de paz. 9Que tem mais o homem de todo o seu trabalho? 10Eu vi a aflição que Deus deu aos filhos dos homens, para que se encham dela. 11Tudo o que êle fêz é bom em seu tempo, e entregou o mundo às suas disputas, sem que o homem possa conhecer as obras, que Deus fêz desde o principio até ao fim. 12E eu reconheci que não havia coisa melhor do que alegrar-se o homem, e fazer bem, enquanto lhe dura a vida. 13Porque todo o homem, que come e bebe, e que tira o bem do seu trabalho, recebe isto por um dom de Deus. 14Eu aprendi que tôdas as obras, que Deus fêz, perseveram para sempre: Nós não podemos acrescentar, nem tirar nada ao que Deus fêz a fim de que êle que êle seja temido. 15O que foi feito, isso mesmo permanece: As coisas que hão de ser, já foram: E Deus renova aquilo que passou. 16Eu vi debaixo do sol a impiedade no lugar do juízo, e a iniquidade no lugar da justiça. 17E eu disse no meu coração: Deus julgará o justo, e o ímpio e então será o tempo de tôdas as coisas. 18Eu disse no meu coração acêrca dos filhos dos homens, que Deus os provava, e lhes mostrava que eram semelhantes aos brutos. 19Por isso uma é a morte dos homens, e dos brutos, e de uns e outros é igual a condição: Do mesmo modo que morre o homem, assim morrem também os brutos: Todos respiram da mesma sorte, e o homem não tem nada de mais do que o bruto: Tudo está sujeito à vaidade. 20E todos êles caminham a um lugar: De terra foram feitos, e em terra se tornam do mesmo modo. 21Quem sabe se o espírito dos filhos de Adão subirá para cima, e se o espírito dos brutos descerá para baixo? 22E eu reconheci que nada havia melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, e que esta era a parte que lhe cabia. Porquanto quem o poderá pôr em estado de conhecer o que há de ser depois dêle?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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