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Eclesiastes 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1A sabedoria do homem reluz no seu rosto, e o Todo-Poderoso mudará a sua face. 2Quanto a mim observo a bôca do rei, e os preceitos que Deus pôs com juramento. 3Não te apresses a sair de diante da sua face, e não permaneças na obra má: Porque êle fará tudo o que quiser 4E a sua palavra é cheia de poder: E ninguém lhe pode dizer: Por que fazes isto assim? 5Aquêle que guarda o preceito. não experimentará mal algum. O coração do sábio conhece o que deve responder e em que tempo. 6Tôdas as coisas têm seu tempo e a sua oportunidade, e é muita a aflição do homem: 7Porque ignora as coisas passadas e por nenhum mensageiro pode saber as futuras: 8Não está na mão do homem impedir que o espirito deixe o corpo, nem êle tem poder sôbre o dia da morte, nem se lhe dão tréguas na guerra que o ameaça, nem ao ímpio salvará a sua impiedade. 9Tôdas estas coisas considerei eu, e apliquei o meu coração a discernir tôdas as obras, que se fazem debaixo do sol. Algumas vêzes tem um homem domínio sôbre outro homem para desgraça sua. 10Eu vi os ímpios sepultados: Os quais também ainda quando viviam, estavam no lugar santo, e eram louvados na cidade, como se as suas obras tivessem sido justas: Mas também isto é vaidade. 11Porquanto o não se proferir logo sentença contra os maus, é causa de cometerem os filhos dos homens crimes sem temor algum. 12Contudo por isso mesmo que o pecador comete cem vêzes o mal, e é tolerado com paciência, tenho eu conhecido que serão bem sucedidos os tementes a Deus, que respeitam a sua face. 13Mal o haja o ímpio, nem sejam prolongados os dias da sua vida, mas como sombra passem os que não temem a face do Senhor. 14Ainda se acha outra vaidade, que sucede sôbre a terra: Há justos, aos quais provêm males, como se êles tivessem feito obras de ímpios, E há ímpios que vivem tão seguros como se tivessem feito ações de justos: Mas eu creio que também isto é uma coisa mui vã. 15Portanto louvei a alegria, visto não ter o homem debaixo do sol outro bem, senão comer, e beber, e folgar: E poder levar consigo isto só do seu trabalho que aturou nos dias da sua vida, os quais Deus lhe deu debaixo do sol. 16E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria, e a notar a distração que vagueia na terra: Homem há, 17E vim a entender que o homem não podia achar razão alguma de tôdas aquelas obras de Deus, que se fazem debaixo do sol: Pois quanto mais trabalhar pela descobrir, tanto menos a achará: Ainda que o mesmo sábio diga que a conhece, êle a não poderá achar.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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