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Eclesiástico 32

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Puseram-te à frente dos outros? não te eleves por isso: Sê entre êles como um dêles mesmos. 2Tem cuidado deles, e depois disto assenta-te, e, cumpridas tôdas as tuas obrigações, põe-te a comer: 3A fim de que êles venham a ser o motivo da tua alegria, e de que tu recebas a coroa, como um ornamento de graça, e de que adquiras louvor da parte de todos os convidados. 4Fala primeiro, tu que és o mais velho: Pois em ti quadra bem 5a primeira palavra proferida com esquisita ciência, e não impeças a música. 6Não esperdices palavras, onde -não há quem dê ouvidos a elas, e rão queiras elevar-te fora de tempo na cua sabedoria. 7Correm igual paralelo uma pedrinha de carbúnculo em engaste de ouro, e um concêrto de músicos em convite de vinho. 8Assim como brilha mais um sinetée de esmeralda encastoado em ouro, assim a: harmonia da música melhor se logra entre um alegre e moderado vinho. 9Ouve em silêncio, e à proporção da tua modéstia, ser-te-á conciliada a boa graça. 10Tu, mancebo, fala com dificuldade no que te toca. 11Se fôres perguntado duas vêzes, tenha concisão a tua resposta. 12Porta-te em muitas coisas como se as ignorasses, e ouve calando e também perguntando. 13No meio dos magnates não te iguales com êles: E onde estão velhos não fales muito. 14Antes da saraiva precederá o relâmpago: E adiante da vergonha andará a graça, e à proporção da modéstia ser-te-á conciliada a boa graça. 15E chegada que seja a hora de te levantares, não te detenhas: Mas corre primeiro que todos para a tua casa, e desenfada-te nela, e recreia ali o teu espírito, 16e faze o que tiveres resolvido no teu pensamento, mas todavia sem intervirem pecados e sem mediar palavra alguma soberba. 17E por tôdas estas coisas bendize ao Senhor que te criou, e que te inebria de todos os seus bens. 18Aquêle que teme ao Senhor, abraçará a sua doutrina: E os que velarem para o buscar acharão bênção. 19Aquêle que busca a lei, será cheio dela: E o que obra com hipocrisia, tropeçará nela. 20Aqueles que temem ao Senhor, conhecerão o que é justo, e farão luzir as suas boas obras como farol. 21O homem pecador evitará repreensão, e achará escusa conforme ao seu desejo. 22O varão de conselho não perderá de vista o acêr-to dêle, o alheio e soberbo não se lhe dará do temor: 23Ainda depois de ter obrado por si sem conselho, mas será argúído pelos seus projetos. 24Filho, não faças coisa alguma sem conselhos, e não te arrependerás depois dela feita. 25Não vás por um caminho de ruína, e não trope-.çarás nas pedras: Nem te metas num caminho traba-lhoso, para que não dês à tua alma ocasião de queda: 26E guarda-te dos teus filhos, e acautela-te dos teus domésticos. 27Em tôda a tua obra dá crédito segundo a sua fé à tua alma: porque assim é que se guardam os mandamentos. 28Aquêle que crê a Deus, atende aos seus mandamentos: E o que nêle confia, não será danificado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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