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Ester 13

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1O mui grande rei Artaxerxes desde a Índia até à Etiópia, aos príncipes e governadores das cento e vinte e sete províncias, que estão sujeitas ao seu império, saúde. 2Tendo eu o império de muitíssimas nações, e havendo submetido.ao meu domínio tôda a terra, jamais quis em modo algum abusar da grandeza do meu poder. senão governar com clemência e com mansidão aos meus vassalos, para que, passando a vida com sossego sem mêdo algum, gozassem a paz que apetecem todos os mortais. 3E perguntando eu aos do meu conselho, como poderia isto conseguir-se, um que excedia aos demais em sabedoria, e fidelidade e era o segundo depois do rei, chamado Aman, 4me significou que havia um povo disperso por tôda a terra, que seguia umas novas leis, e que opondo-se ao costume de tôdas as gentes desprezava as ordens dos reis, e alterava com as suas discórdias a paz de tôdas as nações. 5Do que tudo tendo-nos nós inteirado, vendo que uma só nação contrária a todo o gênero de homens segue leis perversas, e se opõe a nossos mandamentos, e per-: turba a paz e concórdia das províncias que nos estão sujeitas, 6temos ordenado que todos os que sinalar Aman, que tem a inspeção de tôdas as províncias, e é o segundo depois do rei, e a quem honramos em lugar de pai sejam exterminados por seus inimigos juntamente com suas mulheres e filhos no dja catorze do mês duodécimo de Adar deste ano, sem que deles se compadeça alguém: 7Para que estes homens malvados perecendo em um mesmo dia, restituam ao nosso império a paz, que haviam perturbado. Até aqui o traslado da carta. O que se segue, o achei escrito naquele lugar, onde se lê: E foi Mardoqueu, e fêz tudo o que Ester lhe tinha mandado. Mas isto não se acha no texto hebraico, nem se refere em algum dos intérpretes. 8E Mardoqueu fêz oração ao Senhor, trazendo à memória tôdas as suas obras, 9e disse: Senhor, Senhor Rei Onipotente, porque no teu poder estão postas tôdas as coisas, e não há quem possa resistir à tua vontade, se tens determinado salvar Israel. 10Tu fizeste o Céu e a terra, e tudo quanto se contêm no âmbito do Céu. 11Tu és Senhor de tôdas as coisas, e não há quem resista à tua majestade, 12Tu túdo conheces, e sabes que não por soberba nem por desprêzo, nem por alguma cobiça de glória tenho feito isto, de não adorar ao altivo Aman, 13(porque pela salvação de Israel pronto estaria a beijar com gôsto os vestígios das suas pisadas), 14mas temi trasladar para um homem a honra de meu Deus, e adorar a outro algum, que não fôsse o meu Deus. 15E agora tu, ó Senhor Rei, Deus de Abraão, tem misericórdia do teu povo, porque nossos inimigos querem acabar e destruir a tua herança. 16Não desprezes a tua porção, que para ti resgataste do Egito. 17Escuta os meus rogos, e mostra-te propício ã tua sorte e herança, e muda o nosso pranto em gozo, para que vivendo louvemos, Senhor, o teu nome, e não feches a bôca dos que te louvam. 18E todo o Israel clamou do mesmo modo ao Senhor orando com um mesmo coração, porque uma morte inevitável os ameaçava.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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