Ester 14
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1A rainha Ester, temendo o perigo que estava iminente, recorreu ao Senhor. 2E tendo deposto os vestidos reais, tomou um traje próprio de pranto e luto, em lugar de variedade de unguentos, cobriu a sua cabeça de cinza e de pó, e humilhou o seu corpo com jejuns: E todos os lugares em que antes costumava alegrar-se, encheu dos cabelos que arrancava. 3E orava ao Senhor Deus de Israel; dizendo: Meu Senhor, tu que só és nosso rei, socorre-me a mim desamparada, e que não tenho outro favorecedor fora de ti. 4O meu perigo está nas minhas mãos. 5Eu ouvi contar a meu pai, como tu, ó Senhor, tomaste a Israel de entre tôdas as nações, e a nossos pais de entre todos os seus maiores que haviam sido antes, para os possuíres por herança eterna, e obraste com eles assim como o havias prometido. 6Pecamos em tua presença, e por isso nos entregaste nas mãos de nossos inimigos: 7Porque temos adorado os seus deuses. Justo és, ó Senhor: 8E agora não se contentam só com oprimir-nos com uma escravidão mui dura, senão que atribuindo ao poder dos seus ídolos a fôrça das suas mãos, 9pretendem transtornar as tuas promessas, e destruir a tua herança, e fechar as bôcas dos que te louvam, e extinguir a glória do teu templo e do teu altar, 10para abrir as bôcas dos gentios, e que louvem o poder dos seus ídolos, e engrandeçam para sempre -a um rei mortal. 11Não entregues, Senhor, o teu cetro. - àqueles que não são nada, para que não escarneçam da nossa ruína: Mas volta contra eles os seus desígnios, e destrói aquele que tem começado a ser cruel contra nós. 12Lembra-te de nós, Senhor, e mostra-nos a tua face no tempo da nossa tribulação, e dá-me fôrça, Senhor rei dos deuses, e de tôdas as potestades: 13Põe na minha bôca palavras próprias na presença do leão, e muda o seu coração para que aborreça ao nosso inimigo, e que êste pereça, e os demais, que estão de acordo com êle. 14E livra-nos com a tua mão, e socorre-me, que não tenho outro auxílio, senão a ti, Senhor, que conheces tôdas as coisas, 15e sabes que aborreço a glória dos iníquos, e detesto o leito dos incircuncisos, e de todo o estrangeiro. 16Tu sabes a minha necessidade, e que abomino o distintivo da soberba e da minha glória, que levo sôbre a minha cabeça nos dias em que devo comparecer em público, que detesto como um pano asqueroso, e que não o levo, nos dias do meu silêncio. 17E que não tenho comido na mesa de Aman, nem me tem servido de gosto os convites do rei, nem tenho bebido vinho das libações: 18E que a tua serva, desde o dia em que foi trasladada para aqui até ao presente, nunca teve contentamento, senão em ti, Senhor Deus de Abraão. 19Deus forte sôbre todos, ouve a voz daqueles, que não têm nenhuma outra esperança, e livra-nos da mão dos iníquos, e livra-me do meu temor.