Êxodo 16
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Tendo tôda a multidão dos filhos de Israel partido de Elim, veio para o deserto de Sin, que é entre Elim e Sinai, ao décimo quinto dia do segundo mês, depois que tinham saído do Egito. 2E todos os filhos de Tsrael, estando neste deserto, murmuraram contra Moisés, e contra Aarão, dizendo-lhes: 3Prouvera a Deus que nós fôssemos mortos no Egito pela mão do Senhor, quando lá estávamos assentados ao pé das panelas de carne, e comíamos quanto pão queríamos. Por que nos trouxestes vós a êste deserto, para matardes aqui de fome todo o povo? 4Então disse o Senhor a Moisés: Eu estou para vos fazer chover pães do céu. Saia o povo, e apanhe dêles o que bastar para cada dia, porque quero experimentar se êle caminha pela minha lei, ou não. 5Ao dia sexto ajunte-se. dêstes pães o que se há de guardar em casa; e êles apanhem dobrado do que é costume nos outros dias. 6Então disseram Moisés, e Aarão a todos os filhos de Israel: Esta tarde sabereis vós que o Senhor é quem vos tirou do Egito. 7E amanhã pela manhã vereis vós brilhar a glória do Senhor: porque êle ouviu as vossas murmurações contra êle. Pois no tocante às pessoas de nós os dois, quem somos nós, para que vós murmureis contra nós? 8Prosseguiu Moisés, dizendo: Esta tarde vos dará o Senhor carne para comerdes; e amanhã êle vos fartará de pães: porque êle ouviu as palavras de murmuração, que vós proferistes contra êle: pois quanto a nós, quem somos nós? Não somos nós os a quem as vossas murmurações atacam, mas sim o Senhor. 9Disse também Moisés a Aarão: Dize a todo o ajuntamento dos filhos de Israel: Chegai-vos para diante do Senhor, porque êle ouviu a vossa murmuração. 10Quando Aarão ainda estava falando a todo o ajuntamento dos filhos de Israel, olharam êles para a parte do deserto, e eis que de repente aparece a glória do Senhor na nuvem. 11Ora o Senhor tinha falado a Moisés, e lhe tinha dito: 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes: Vós comereis esta tarde carne, e amanha vos fartareis de pães; e vós sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus., l 13À tarde pois veio um número sem número de codornízes, que cobriram todo o campo; e pela manhã também todos os arredores do campo foram carregados de orvalho. 14E estando a superfície da terra coberta dêle, viu-se aparecer no deserto uma coisa miúda, e como pisada num gral, que se assemelhava àqueles pequenos grãos de geada branca, que caem sôbre a terra. 15O que tendo visto os filhos de Israel, disseram uns para os outros: Manou, isto é: Que é isto? Porque não sabiam o que era. Moisés lhes respondeu: Êste é o pão, que o Senhor vos deu para comerdes. 16E eis-aqui o que o Senhor ordena: Cada um apanhe dêle quanto lhe fôr necessário para comer. Tomai um gomor para cada pessoa, conforme o número daqueles, que houver em cada tenda. 17Assim o fizeram os filhos de Israel: Apanharam do maná, uns mais, outros menos. 18E tendo-o medido por um gomor, nem o que tinha ajuntado mais, tinha mais; nem o que tinha ajuntado menos, tinha menos: mas cada um se achou com quanto podia comer. 19Moisés lhes disse: Nenhum deixe nada para amanhã. 20Mas êles não lhe deram ouvidos: E tendo alguns guardado do maná para o outro dia, êle se achou gafo de bichos, e todo corrompido: do que Moisés se agastou contra êles. 21Cada um pois colhia tôdas as manhãs quanto lhe era necessário para comer: e quando vinha o calor do sol, derretia-se. 22Ao dia sexto colheram êles dobrado, isto é, colheram dois gomores para cada pessoa: e todos os principes do povo vieram dar parte disto a Moisés. 23O qual lhes disse: Isto é o que o Senhor ordenou: Amanhã será o dja de sábado, cujo descanso é consagrado ao Senhor. Fazei pois o que tendes que fazer: Cozei o que tendes que cozer: E tudo o que ficar de hoje, guardai-o para amanhã. 24E tendo-o êles feito, como Moisés o ordenara, não apodreceu o maná, nem se acharam bichos nêle. 25Disse-lhes ainda Moisés: Comei-o hoje, porque é o sábado do Senhor, e vós o não achareis hoje no campo. 26Colhei-o pois os seis dias: Mas o dia sétimo é o sábado do Senhor: Por isso nêle não se achará maná. 27Chegado que foi o sétimo dia, saíram alguns do povo a apanhá-lo, e não o acharam. 28Então disse o Senhor a Moisés: Até quando não haveis vós de querer guardar os meus mandamentos, e a minha lei? 29Considerai que o Senhor vos mandou. observar o sábado, e que para isso vos deu êle aò sexto dia dobrado sustento. Cada um de vós logo fique na sua tenda o dia sétimo, e não saia dela. 30O povo pois observou o descanso do sábado no dia sétimo. 31E os israelitas deram a êste sustento o nome de maná: E êle parecia-se como a semente do coentro: era branco, e de um gôsto semelhante ao do pão amassado com mel. 32Ainda Moisés disse mais: Eis aqui o que diz o Senhor: Enchei um gomor de maná, e ponde-o diante do Senhor, para se conservar memória dêle nos tempos vindouros; e para que se saiba qual foi o manjar, com que eu vos sustentei no deserto, depois da vossa saída do Egito. 33Disse pois Moisés a Aarão: Toma um vaso, e mete nêle tanta quantidade de maná, quanta pode caber num gomor; e põe-no em reserva diante do Senhor, para que êle se conserve nas gerações futuras, 34segundo a ordem, que eu acêrca disso recebi do Senhor. E Aarão pôs êste vaso no tabernáculo para ali se conservar. 35Ora os israelitas sustentaram-se do maná quarenta anos, até o tempo da sua chegada a um país cultivado. Êles sè serviram dêste mantimento até a sua entrada nas primeiras terras de Canaã. 36O gomor porém é a décima parte de um efi.