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Gênesis 26

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ora na terra houve uma grande fome, depois da que tinha havido em tempo de Abraão, e Isaac partiu para Abimelec rei dos palestinos, que habitava na cidade de Gérara. 2Porque o Senhor lhe tinha aparecido, e lhe tinha dito: Não desças ao Egito, mas fica na terra, que eu te direi, 3e passa lá algum tempo como estrangeiro. Eu serei contigo, e te abençoarei; porque eu darei aos teus descendentes todos êstes países, e cumprirei o juramento, que fiz a Abraão teu pai: 4Multiplicarei a tua raça como as estrelas do céu, e darei à tua posteridade tôdas estas terras, que vês; e tôdas as nações da terra serão -benditas naquele, que sairá de ti; 5pois que Abraão obedeceu à minha voz; e observou os meus preceitos, e as minhas ordenações, as minhas cerimônias, e as leis. 6Ficou pois Isaac em Gérara. 7E como os habitantes daquele país lhe perguntassem, que coisa lhe era Rebeca, êle lhes respondeu: É minha irmã. Porque temeu confessar-lhes que era sua mulher, pelo receio que tinha não o matassem, por causa da beleza da esposa. 8Como Isaac se demorou naquela cidade largo tempo, aconteceu que olhando uma vez Abimelec rei dos palestinos pela janela, viu que Isaac estava brincando com Rebeca sua mulher. 9E tendo-o mandado chamar, lhe disse: Está visto que ela é tua mulher. Por que mentiste tu, dizendo que era tua irmã? Respondeu Isaac: Tive mêdo me matassem por causa dela. 10Replicou Abimelec: Por que nos enganaste em semelhante matéria? Podia muito bem suceder, que algum do povo abusasse de tua mulher, e então imputar-nos-ias tu a nós esse grande pecado. Depois mandou passar esta ordem por todo o povo: 11Todo aquêle, que tocar a mulher deste homem, será punido de morte. 12Ora Isaac tendo semeado naquela terra, colheu no mesmo ano cento por um: porque o Senhor o abençoou. 13Ia enriquecendo, e os seus bens se aumentavam, e cresciam cada vez mais, de sorte que veio a ser muito possante. 14Tinha também muitos rebanhos de ovelhas e muitas manadas de bois, com muitos servos, e servas. Do que tendo-lhe os palestinos inveja, 15êles lhe entupiram todos os poços, que os escravos de seu pai Abraão tinham aberto, e os atulharam de terra. 16O mesmo Abimelec chegou a dizer a Isaac: Retira-te de viveres aqui conosco; pois que te tens feito muito mais poderoso do que nós. 17Isaac pois, deixando aquela terra, veio para a torrente de Gérara para ali habitar. 18Fêz despejar novamente outros poços, que os servos de seu pai ali tinham aberto, e que os filisteus depois da sua morte haviam também entupido: e pôs-lhes os mesmos nomes, que seu pai lhes havia pôsto antes. 19Cavaram também de novo no fundo da torrente, e acharam água viva. 20Mas ainda nesta ocasião houve contenda entre os pastores de Gérara, e os de Isaac, sustentando os primeiros que a água era sua. Por isso chamou Isaac a êste poço Calúnia, atendendo ao que lhe tinha acontecido. 21Abriu êle ainda outro, que foi uma nova ocasião de rixa: e Isaac o chamou Inimizade. 22Partido dali, abriu outro poço, acêrca do qual não houve contestação nenhuma. Por isso o chamou Isaac Largura, dizendo: Agora nos pôs o Senhor ao largo, e nos fêz crescer na terra. 23Dali voltou Isaac para Bersabé. 24E na noite seguinte lhe apareceu o Senhor, e lhe disse: Eu sou o Deus de Abraão teu pai, não temas, porque eu sou contigo. Eu te abençoarei, e eu multiplicarei a tua posteridade, em atenção a Abraão meu servo. 25Erigiu Isaac pois um altar naquele sítio; e tendo invocado o nome do Senhor, pôs a sua tenda, e mandou aos seus servos, que abrissem ali um poço. 26E como Abimelec e Ocozat seu amigo, e Ficol, general do seu exército, tivessem vindo de Gérara àquele lugar, 27Isaac lhes disse: A que viestes vós aqui ver um homem, que vós aborreceis, e que vós expulsastes da vossa companhia? 28Êles lhe responderam: Reparamos que o Senhor é contigo, e por isso dissemos: Façamos aliança recíproca, e tu promete-nos com juramento, 29que nos não hás-de fazer mal nenhum, assim como nós te não temos feito coisa, que te pudesse ofender; mas nós te despedimos em paz, cheio da bênção do Senhor. 30Isaac pois lhes deu um banquete; e depois de terem comido, e bebido, 31levantaram-se pela manhã, e juraram aliança entre si, Isaac lhes disse adeus; e êles voltaram em paz para sua casa. 32No mesmo dia vieram dizer a Isaac os seus servos, que êles tinham achado água no poço, que haviam aberto. 33Pelo que chamou Isaac a êste poço Abundância; e à cidade foi pôsto o nome de Bersabé, que ela conserva até o dia de hoje. 34Esaú tendo quarenta anos, tomou por mulheres a Judite filha de Beeri Heteu, e a Basemate filha de Elon, do mesmo país; 35ambas as quais deram muitos desgostos a Isaac, e a Rebeca.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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