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Isaías 14

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1O seu tempo está próximo a vir, e os seus dias não se alongarão. Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e reservará ainda para si alguns escolhidos de Israel e fá-los-á descansar na sua terra: Agregar-se-á a êles o estrangeiro, e se unirá à casa de Jacó. 2E tomá-los-ão os povos, e os conduzirão para o seu pais: E possui-los-á a casa de Israel sôbre a terra do Senhor para servos e servas: E cativarão aquêles que os haviam cativado, e sujeitarão aos seus exatores. 3E acontecerá isto naquele dia: Quando o Senhor te tiver dado descanso depois do teu trabalho, e da tua opressão: E dura servidão em que antes serviste: 4Usarás desta parábola contra o rei de Babilônia, e dirás: Como cessou o exator, como se acabou O tributo? 5O Senhor esmigalhou o bastão dos ímpios, a vara dos dominadores, 6ao que na sua indignação feria os povos com uma chaga incurável, ao que sujeitava as nações no seu furor, ao que cruelmente as perseguia. 7Tôda a terra ficou em descanso e em silêncio, ela se encheu de prazer e exultou: 8As faias igualmente se alegraram sôbre ti, e os cedros do Líbano, desde que tu dormiste, não subirá quem os corte. 9O inferno se viu lá em baixo à tua chegada todu turbado para te sair ao encontro, êle fêz por teu respeito levantar os gigantes. Todos os príncipes da terra, todos os príncipes das nações se ergueram de seus sólios. 10Todos universalmente responderão, e te dirão: Também tu igualmente como nós fôste ferido, vieste a ser-nos semelhante. 11Arrastada foi a tua soberba até aos infernos, caiu por terra o teu cadáver: Debaixo de ti se estenderá por cama a polilha, e a tua coberta serão os bichos. 12Como caiste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante? Como caiste por terra tu, que ferias as nações? 13Que dizias no teu coração: Subirei ao céu, exaltarei o meu trono acima dos astros de Deus, assentar-me-ei no monte do testamento, aos lados do Aquilão. 14Subirei acima da altura das nuvens, serei semelhante ao Altíssimo. 15E contudo no inferno serás precipitado ao profundo do lago: 16Os que te virem, se inclinarão para ti, e te con-templarão dizendo: Acaso é êste aquêle homem, que meteu em confusão a terra, que fêz estremecer os reinos, 17que pôs o mundo em solidão, e destruiu as suas cidades, o que não abriu o cárcere aos seus cativos? 18Todos os reis das nações universalmente dormiram no meio da sua glória, cada um foi depositado no seu jazigo. 19Mas tu fôste arrojado longe do teu sepulcro, como um tronco inútil, manchado, e confundido com aquêles que foram mortos à espada, e desceram às fun-duras do lago, como um podre cadáver. 20Não terás consórcio com eles, nem ainda na sepultura: Porque tu deitaste a perder à tua terra, tu fizeste perecer o teu povo: Nunca jamais será nomeada a ralé dos péssimos. 21Preparai seus filhos para uma morte violenta, por causa da iniqüidade de seus pais: Êles não se levantarão, nem herdarão a terra, nem encherão de cidades a face do mundo. 22E levantar-me-ei contra êles, diz o Senhor dos exércitos: E perderei o nome de Babilônia, e as suas relíquias, e o renôvo, e a progênie, diz o Senhor. 23E reduzi-la-ei a uma possessão de ouriços, e a lagoas de águas, e varrê-la-ei gastando-a com a vassoura, diz o Senhor dos exércitos. 24Jurou o Senhor dos exércitos dizendo: Por certo que assim como eu pensei, assim será: E do modo que o tracei na mente, 25assim acontecerá: Que eu quebrante na minha terra o assírio, e nos meus montes o pise aos pés: E ser-lhes-á tirado o jugo dele, e o pêso dêle se descarregará dos ombros dêles. 26Êste é o desígnio que eu formei sôbre tôda a terra, e esta é a mão alçada sôbre tôdas as nações. 27Porque o Senhor dos exércitos é o que fulminou êste decreto: E quem o poderá invalidar? Também a sua mão está alçada: E quem na fará apartar? 28No ano em que morreu o rei Acaz, foi êste pêso anunciado: 29Não te alegres tu, Filistéia tôda, por se ter esmigalhado a vara do que te feria: Porque da estirpe da cobra sairá o basilisco, e o que dêle nascer absorverá as aves. 30E serão apascentados os primogênitos dos pobres e os pobres repousarão com segurança: E farei morrer de fome a tua raiz, e acabarei duma vez com as tuas relíquias. 31Dá os teus uivos, porta; grita, cidade: Por terra se acha tôda a Filistéia: Porque do Aquilão virá o fumo, e não há quem escape ao seu exército. 32E que se responderá então aos mensageiros das nações? Que o Senhor fundou a Sião, e que nêle mesmo esperarão os pobres do seu povo.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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