Jó 29
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Acrescentou também Jó, continuando a sua parábola, e disse: 2Quem me dera ser como eu fui nos meses antigos, como nos dias em que Deus me guardava? 3Quando a sua lâmpada luzia sôbre a minha cabeça, e quando eu guiado pela sua luz caminhava nas trevas? 4Como fui nos dias da minha mocidade, quando Deus habitava secretamente em minha casa? 5Quando o Todo-Poderoso estava comigo: E os meus filhos em tôrno de mim? 6Quando eu lavava os meus pés em manteiga, e quando a pedra derramava para mim arroios de azeite? 7Quando eu saía até à porta da cidade, e me preparavam uma cadeira na praça pública? 8Viam-me os mancebos, e se escondiam: E os velhos, levantando-se, se punham em pé. 9Os príncipes cessavam de falar, e punham o dedo sôbre a sua bôca. 10Os maiorais continham a sua voz, e a sua língua ficava pegada ao seu paladar. 11A orelha que me ouvia, chamava-me bem-aventurado, e o ôlho que me via dava testemunho de mim. 12Porque eu tinha livrado o pobre que gritava, e o órfão, que não tinha quem. o socorresse. 13A bênção do que estava a perecer vinha sôbre mim, e consolei o coração da viúva. 14Eu me revesti da justiça: E a equidade me serviu, como de vestido e de diadema. 15Eu fui o ôlho do cego, e o pé do coxo. 16Eu era o pai dos pobres: E as causas de que eu não tinha conhecimento, eu me instruía delas com tôda a diligência, 17Eu quebrava os queixos do iníquo, e tirava-lhe a prêsa dentre os dentes. 18E eu dizia: Eu morrerei no meu ninhozinho, e multiplicarei os meus dias como a palmeira. 19A minha raiz descoberta está junto às águas, e na minha seara fará assento o orvalho. 20A minha glória sempre se renovará, e o meu arco se fortificará na minha mão. 21Os que me ouviam, esperavam a minha sentença, e em silêncio estavam atentos ao meu conselho. 22Não ousavam ajuntar nada às minhas palavras, e minhas razões caíam sôbre êles como orvalho. 23Esperavam-me como a chuva, e abriam a sua bôca como às águas tardias. 24Se alguma vez me ria com êles, não o criam, ea luz do meu rosto não caía no chão. 25Se eu queria ir vê-los, assentava-me no primeiro lugar: Quando eu estava assentado como um rei, rodeado de guardas, era todavia o consolador dos aflitos.