Mateus 8
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E depois que Jesus desceu do monte, foi muita a gente do povo que o seguiu: 2E eis-que vindo um leproso, o adorava, dizendo: Se tu queres, Senhor, bem me podes limpar. 3E Jesus estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Pois eu quero. Fica limpo. E logo ficou limpa tôda a sua lepra. 4Então lhe disse Jesus: Vê não o digas a alguém: Mas vai, mostra-te ao sacerdote, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a êles. 5Tendo porém entrado em Cafarnaum, chegou-se a êle um centurião, fazendo-lhe esta súplica, 6e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa doente de uma paralisia, e padece muito com ela. 7Respondeu-lhe então Jesus: Eu irei, e o, curarei. 8E respondendo o centurião, disse: Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa: Porém manda-o só com a tua palavra, e o meu criado será salvo. 9Pois também eu sou homem sujeito a outro, que tenho soldados às minhas ordens e digo a um: Vai acolá, e êle vai: E a outro: Vem cá, e êle vem: E ao meu servo: Faze isto, e êle o faz. 10E Jesus, ouvindo-o assim falar, admirou-se e disse para os que o seguiam: Em verdade vos afirmo, que não achei tamanha fé em Israel. 11Digo-vos, Pegém, que virão muitos do Oriente, e do Ocidente, e que terão lugar com Abraão, e Isaac e Jacó no reino dos Céus. 12Mas que os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: Ali haverá chôro, e ranger de dentes. 13Então disse Jesus ao centurião: Vai, e faça-sete segundo tu crêste. E naquela mesma hora ficou são o criado. 14E tendo chegado Jesus à casa de Pedro, viu que a sogra dele estava de cama, e com febre: 15E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou, e ela se levantou, e se pôs a servi-los. 16Sôbre a tarde porém lhe puseram diante muitos endemoninhados: E êle com a sua palavra expelia os espíritos: E curou todos os enfermos: 17Para se cumprir o que estava anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Êle mesmo tomou as nossas enfermidades: E carregou com as nossas doenças. 18Ora vendo-se Jesus rodeado de muito povo, mandou-lhes que passassem para a banda dalém do lago. 19Então chegando-se a êle um escriba, lhe disse: Mestre, eu seguir-te-ei para onde quer que fôres. 20Ao que Jesus lhe respondeu: As rapôsas têm covas, e as aves do Céu, ninhos: Porém o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. 21E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro a enterrar meu pai. 22Mas Jesus lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos sepultem os seus mortos. 23E entrando êle numa barca, o seguiram seus discípulos: 24E eis-que sobreveio no mar uma grande tempestade, de modo que a barca se cobria das ondas, e entretanto êle dormia. 25Então se chegaram a êle seus discípulos, e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos. 26E Jesus lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? E levantando-se, pôs preceito ao mar, e aos ventos, e logo se seguiu uma grande bonança. 27E os homens se admiraram, dizendo: Quem é este que os ventos e o mar lhe obedecem? 28E quando Jesus passou à outra parte do lago, ao pais dos gerasenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, que saiam dos sepulcros, em extremo furiosos, de tal maneira que ninguém ousava passar por aquêles caminhos. 29E gritaram logo ambos, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo? 30Ora em alguma distância dêles andava uma manada de muitos porcos pastando. 31E os demônios o rogavam, dizendo: Se nos lanças daqui, manda-nos para a manada dos porcos. 32E êle lhes disse: Ide. E saindo êles se foram aos porcos, e no: mesmo ponto tôda a manada correu impetuosamente por um despenhadeiro a precipitar-se no mar: E morreram afogados nas águas. 33E os pastôres fugiram: IE vindo à cidade, contaram tudo, e o sucesso dos que tinham sido endemoninhados. 34E logo tôda a cidade saiu a encontrar-se com Jesus: E quando o viram, pediram-lhe que se retirasse do seu têrmo.