Receba o Santo do Dia e a Palavra de Deus no WhatsApp — grátis
‹ ›

Números 22

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E tendo partido dali, se acamparam nas planícies de Moab, onde está situada Jericó, além do Jordão. 2Vendo porém Balac, filho de Sefor, tudo o que Israel tinha feito aos amorreus, 3e que os moabitas tinham concebido grande medo dele, e não podiam aturar os seus ataques, 4disse aos anciãos de Madian: Êste povo destruirá todos quantos moram à roda de nós, da mesma sorte que o boi costuma roer as ervas até à raiz. Êste era naquele tempo rei dos moabitas. 5Mandou pois embaixadores a Balaam, filho de Beor, o qual era um adivinho, que habitava sôbre o rio do país dos filhos de Amon, para que o chamassem, e' lhe dissessem: Olha que saiu do Egito um povo, que cobriu a face da terra, o qual está acampado contra mim. 6Vem pois amaldiçoar êste povo, porque êle é mais forte do que eu, a fim de ver se posso por algum modo batê-lo, e lançá-lo fora do meu país. Porque eu sei que será bendito aquele, a quem tu abençoares, e maldito aquele sôbre quem tu lançarés a maldição. 7Partiram pois os senadores de Moab, e os anciãos de Madian, levando nas mãos com que pagar ao adivinho. E como chegassem a Balaam, e lhe referissem tôdas as palavras de Balac: 8Êle lhes respondeu: Ficai aqui esta noite, e eu vos direi tudo o que o Senhor me tiver declarado. Estando êles em casa de Balaam, veio Deus, e disse-lhe: 9Que te querem estes homens, que estão em tua casa?. 10Respondeu Balaam: Balac, filho de Sefor, rei dos moàbitas me mandou 11dizer: Olha que um povo que saiu do Egito, tem coberto a superfície da terra. Vem amaldiçoá-lo, para ver se eu por algum modo o posso afugentar combatendo. 12E Deus disse a Balaam: Não vás com eles, nem maldigas o povo: Porque é bendito. 13O qual, levantando-se pela manhã, disse aos príncipes: Tornai para a vossa terra, porque o Senhor me proibiu ir convosco: 14Voltando os príncipes disseram a Balac: Balaam não quis vir conosco. 15Então lhe enviou Balac de novo outros embaixadores em maior número e de maior qualidade, do que os que antes enviara. 16Os quais chegando a casa de Balaam, lhe disseram: Eis-aqui o que diz Balac, filho de Sefor: Não te demores em vir a mim: 17Eu estou aparelhado para te honrar e tudo quan-' to quiseres te darei: vem e amaldiçoas êste povo. 18Respondeu Balaam: Ainda quando Balac me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderei trocar a palavra do Senhor meu.Deus, para dizer ou mais. ou menos. 19Rogo-vos que fiqueis aqui ainda esta noite, e para que eu possa saber, que é o que o Senhor me responde de novo. 20Veio pois Deus a Balaam de noite, e lhe disse: Se êstes homens te vieram chamar. levanta-te, e vai com êles: Mas com condição, que faças o que te mandar. 21Levantou-se Balaam de manha, e aparelhada a sua jumenta, partiu-com êles. 22E Deus se irou. E o anjo do Senhor se pôs no caminho diante de Balaam, que ia montado na jumenta, e tinha dois criados consigo. 23A jumenta, vendo o anjo parado no caminho com uma espada desembainhada, afastou-se do caminho, e ia pelo campo. E como Balaam a fustigasse, e a quisesse fazer voltar à estrada, 24pôs-se o anjo numa azinhaga estreita entre dois muros, com que estavam cercadas as vinhas. 25À jumenta, vendo-o, coseu-se tôda com a parede, e comprimiu o pé do que ia montado nela. Porém êle tornou a fustigar: 26Mas o anjo passando a lugar ainda mais apertado, onde não era possível desviar-se nem para a direita, nem para a esquerda, parou adiante. 27E a jumenta, vendo o anjo parado, caiu debaixo dos pés do que ia montado: O qual irado a fustigava mais fortemente com uma vara pelas ilhargas. 28Mas o Senhor abriu a bôca da jumenta, e ela falou: Que te fiz? Por que me feres? Esta é já a terceira vez? 29Respondeu-lhe Balaam: Porque tu o mereceste, e porque fizeste escárnio de mim. Quem tivera uma espada para te matar. 30Disse-lhe a jumenta: Acaso não sou eu a tua bêsta, em que tu sempre costumaste cavalgar até hoje? Dize-me se te fiz eu jamais coisa semelhante. E êle lhe respondeu: Nunca. 31No mesmo ponto abriu o Senhor os olhos de Balaam, e êle viu o anjo parado no caminho com a espada desembainhada, e prostrado por terra o adorou.: 32Ao qual disse o anjo: Por que castigas tu terceira vez a tua jumenta? Eu vim opor-me a ti, porque o teu caminho é perverso, e contrário a mim: 33E se a jumenta se não tivesse desviado do caminho, cedenclo-me. quando eu me opunha à tua passagem, eu te matara, e ela ficará viva. 34Balaam lhe respondeu: Eu pequei, não sabendo que tu te opunhas a mim: Agora porém se não é do teu gôsto que eu vá, voltarei. 35Disse-lhe o anjo: Vai com êstes, mas vê, não fales senão o que eu te mandar. Êle pois se foi com os príncipes. 36O que tendo ouvido Balac, saiu a recebê-lo numa cidade dos moabitas, que está situada na extremidade de Arnon. 37E disse a Balaam: Eu mandei embaixadores a chamar-te, por que não vieste tu logo ver-me? Foi acaso, por que eu te não posso pagar o trabalho da jornada? 38Respondeu-lhe Balaam: Eis-aqui me tens já: Mas poderei eu dizer outra coisa, que não seja o que Deus me puser na bôca? 39Puseram-se pois ambos a caminho, e chegaram a uma cidade, que estava na extremidade do seu reino. 40E Balac tendo feito matar bois, e ovelhas, mandou presentes a Balaam e aos príncipes, que eram com êle. 41E chegada que foi a manhã, levou-o aos altos de Baal, e viu a última parte do povo.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

WhatsApp