Dia 324
2Mc 5–6 · Jo 12,18-50 · Pr 21,9-15 · cerca de 16 min
Destaque da leitura de hoje“Aquele que tapa os seus ouvidos ao clamor do pobre, êsse mesmo também clamará, e não será ouvido.”Provérbios 21,13
Antigo Testamento2Mc 5–6
2 Macabeus 5
1Neste mesmo tempo se preparava Antíoco para fazer uma segunda expedição contra o Egito. 2Aconteceu porém que em tôda a cidade de Jerusalém por espaço de quarenta dias se viam homens a cavalo, que discorriam pelo ar, vestidos de telas de ouro, e armados de lanças, como tropas de cavalaria. 3E cavalos ordenados em esquadrões, correndo uns contra os outros, e pelejas de corpo a corpo, e movimen-tos de escudos, e grande multidão de gente armada de capacetes com espadas nuas, e tiros de dardos, e resplendor de armas de ouro, e de couraças de tôda a casta. 4Por conta do que todos rogavam a Deus que tais prodígios se tornassem a seu favor. 5Mas tendo-se espalhado uma falsa voz de que Antíoco era morto, tomando Jasão consigo não menos de mil homens, de repente veio acometer a cidade: E ainda que os cidadãos concorreram de tôdas as partes aos muros, tendo-se êle feito por último senhor da cidade, Menelau fugiu para a fortaleza. 6Entretanto Jasão fazia grande matança não perdoando aos seus patrícios, nem êle considerava que o ser bem sucedido numa guerra feita aos próximos, era uma grandíssima infelicidade, julgando que aldançaria um troféu de seus inimigos, e não de seus compatriotas. 7Ainda assim não lhe foi possível entrar de posse do seu principado, mas por último remate das suas traições, veio a tirar a sua própria confusão, e se retirou fugitivo outra vez para a terra dos amonitas. 8Por fim J asão, metido para ruína sua numa prisão por Aretas, rei dos árabes, da qual depois de se ter salvado, fugindo de cidade em cidade, aborrecido de todos como um violador de tôdas as leis, e um homem execrável, como um inimigo da pátria, e dos seus naturais, foi empurrado para o Egito. 9E aquêle que tinha lançado fora da sua terra a tantas pessoas, êle mesmo pereceu fora da sua pátria, tendo ido para Lacedemônia, como quem esperava que acharia lá algum refúgio por causa do parentesco. 10E êle que tinha feito arrojar os corpos de muitos sem sepultura, êle mesmo foi arrojado, sem ser chorado nem sepultado, não achando nem sepultura na terra estranha, nem participando do sepulcro na sua própria. 11Passadas assim estas coisas, suspeitou o rei que os judeus poderiam bem largar a aliança que tinham feito com êle: E por esta causa tendo voltado do Egito com o ânimo enfurecido, tomou com efeito a cidade à fôrça de armas. 12E mandou aos soldados que matassem tudo, e não perdoassem a pessoa alguma que encontrassem, e que subindo às casas fizessem a mesma cruel matança. 13Foi executada pois uma grande mortandade de moços, e de velhos, e feito um geral extermínio de mulheres, e de seus filhos, e dada violenta morte a donzelas, e a meninos. 14Em três dias porém foram mortos oitenta mil, feitos cativos quarenta mil e não foram menos os que se venderam. 15Mas nem ainda esta crueldade foi bastante a Antíoco: Êle se atreveu de mais a mais a entrar no templo, que era o lugar mais santo de todo o mundo, tendo por condutor a Menelau, que foi traidor às leis, e à sua pátria. 16E tomando com as suas criminosas mãos os vasos sagrados, que os outros reis, e as outras cidades tinham ali pôsto para ornamento, e glória de tal lugar, êle os maneava indignamente, e os profanava. 17Assim alienado de juízo, Antíoco não considerava que Deus, por causa dos pecados dos que moravam na cidade, se tinha irado por algum pouco de tempo contra êles: E que por isso é que também acontecera o desacato feito aquele lugar: 18Doutra sorte a não ser acharem-se êles envoltos em muitos pecados, êste príncipe a exemplo de Heliodoro, que foi enviado pelo rei Seleuco a despojar o erário, teria sido açoitado também como êle ao ponto da sua chegada, e tolhido por certo de executar a sua insolente emprêsa. 19Porém Deus não escolheu o povo por amor do templo: Mas escolheu o templo por amor do povo. 20E por isso também êste lugar participou dos males do povo: Bem como depois há-de participar com êle dos bens: E aquêle que foi desamparado por causa da ira do Deus Onipotente, virá de novo a ser elevado a uma soberana glória, quando se aplacar aquêle grande Senhor. 21Tendo pois Antíoco tirado do templo mil e oitocentos talentos, voltou sem demora para Antióquia, deixando-se possuir de um tal excesso de soberba, e elevando-se no coração, que lhe parecia que podia navegar sôbre a terra, e fazer marchar as suas tropas por cima do mar. 22E deixou também ali certos homens, que constituiu em autoridade para afligirem o povo: A saber, em Jerusalém a Filipe originário da Frígia, mais cruel em seus costumes, do que aquêle mesmo que aí o havia estabelecido. 23E em Garizim a Andrônico, e a Menelau, que estavam mais empenhados do que os outros, a fazerem mal aos seus naturais. 24E não estando ainda satisfeito o ódio que êle tinha aos judeus, mandou-lhes lá por comandante o detestável Apolônio com um exército de vinte e dois mil homens, com ordem que matasse todos os que estivessem em idade perfeita, que vendesse as mulheres, e os moços. 25Apolônio pois, chegado que foi a Jerusalém, fingindo que só buscava a paz, estêve quedo até ao santo dia do sábado: E nêle, quando os judeus estavam em descanso, mandou aos seus tomar armas. 26E matou cruelmente a todos os que tinham vindo a vê-los: E correndo por tôda a cidade com os seus soldados, tirou a vida a grande número de pessoas. 27Entretanto Judas Macabeu, que era o décimo, se retirou a um lugar despovoado, e passava ali a vida nos montes com os seus entre as feras: E ali assistiam comendo ervas do campo, por não serem participantes do que manchava os outros.
2 Macabeus 6
1Mas não muito tempo depois mandou o rei um certo velho de Antióquia para forçar os judeus a deixarem as leis de Deus e as de seus pais: 2Para profanar também o templo que havia em Jerusalém, e chamá-lo o templo de Júpiter Olímpico, e para dar ao templo de Garizim o nome de templo de Júpiter hospitaleiro como o eram os que habitavam naquele lugar. 3Era pois muito perniciosa e grave para todos esta aluvião de males: 4Porque o templo estava cheio de desonestidades, e de comezainas dos gentios, e de homens impudicos metidos com prostitutas, e as mulheres entravam com todo o despejo nestes lugares sagrados, metendo dentro o que não era permitido. 5O altar também estava cheio de viandas impuras, que eram proibidas pelas leis. 6Nem tampouco se guardavam os sábados, nem se celebravam já as festas solenes do país, e nenhum havia que confessasse de plano que era judeu. 7E por uma dura necessidade eram levados aos sacrifícios no dia dos anos do rei: E quando se celebrava a festa de Baco, constrangiam-nos a ir pelas ruas coroados de hera em louvor do mesmo Baco. 8Também por sugestão dos habitantes de Ptolemaida se publicou um edito em tôdas as cidades vizinhas dos gentios, pelo qual eram eles também obrigados a obrarem da mesma sorte contra os judeus, constrangendo-os a sacrificarem, 9e a matarem os que não quisessem abraçar os costumes dos gentios: Assim tudo o que se via, era miséria. 10Porque foram acusadas duas mulheres de ter circuncidado seus filhos: As quais tendo-as levado êles publicamente por tôda a cidade, pendurados êsses filhos à seus peitos, depois as precipitaram de cima dos muros. 11Outros porém ajuntando-se nas cavernas vizinhas, e celebrando ali secretamente o dia de sábado, tendo sido denunciados a Filipe, foram queimados em vivas chamas, porque por escrúpulo, e por não faltarem à sua observância temiam defender-se. 12Eu conjuro porém os que lerem êste livro, que se não escandalizem de tão horríveis infelicidades, mas que considerem que todos êstes males, que sucederam, não foram para ruína, mas por castigo da nossa nação. 13Porque é sinal de grande misericórdia de Deus para com os pecadores, não os deixar por muito tempo viver segundo os seus apetites, mas aplicar-lhes prontamente o castigo. 14Porque o Senhor não se há conosco, como se porta com as outras nações, que êle sofre com paciência, aguardando pelas castigar na plenitude de seus pecados, quando chegar o dia do juízo: 15E assim êle se houve conosco, não esperando, para que então finalmente êle nos castigue, que os nossos pecados tenham subido ao seu cume. 16Portanto êle por certo não aparta jamais a sua misericórdia de cima de nós: E quando castiga ao seu povo com adversidades, não o desampara. 17Mas baste-nos dizer em poucas palavras estas coisas para a prevenção dos leitores. Assim que nós tornaremos já ao fio da narração. 18Eleazar pois, um dos primeiros doutores da lei, varão provecto na idade, e de venerável presença, depois de lhe abrirem a bôca à fôrça, era constrangido a comer carne de porco. 19Mas êle, preferindo uma morte cheia de glória a uma vida odiosa, voluntàriamente se encaminhava ao suplício. 20Considerando pois o qué lhe convinha sofrer neste recontro, firme na paciência, resolveu não fazer nada contra a lei por amor da vida. 21Mas os que estavam presentes, movidos de uma injusta compaixão, por causa da antiga amizade que tinham com o homem, tomando-o à parte, lhe rogavam que tivesse por bem que lhe trouxessem das carnes, que lhe era lícito comer, para assim se poder fingir que êle tinha comido das carnes do sacrifício, como o rei o tinha mandado: 22Tudo a fim de que por êste modo se livrasse êle da morte: E usavam êles com Eleazar desta espécie de humanidade, por efeito da antiga afeição que lhe profes-savam. 23Mas êle começou a considerar o que era digno do auge da sua idade e velhice, e das suas cãs sócias daquela grandeza de ânimo que lhe era natural, e dos irrepreensíveis costumes em que sempre se criara desde menino: E logo respondeu segundo as ordenações da lei santa, e estabelecida por Deus, dizendo que êle antes queria ser lançado na sepultura. 24Porque não é digno da idade em que eu me acho, lhes dizia êle, usar de uma tal ficção: Dela poderá resultar que muitos moços, tendo para si que Eleazar em idade de noventa anos passara para a vida dos pagãos: 25Venham também êles por causa dêste meu fingimento, e por conservar um pequeno resto de uma vida corruptível, a cair em êrro, e com isto me grangearia eu uma vergonhosa nota, e a execração dos homens sôbre a minha velhice. 26Porque dado que eu me livrasse presentemente dos suplícios dos homens, não poderia todavia fugir à mão do Todo-Poderoso, nem na vida, nem depois da morte. 27Pelo que morrendo valorosamente, parecerei por certo digno da velhice em que estou: 28E deixarei aos moços um exemplo de fortaleza, se sofrer com ânimo pronto, e constante uma honrosa morte em defesa de leis tão graves, e tão santas. Tanto que acabou de dizer estas palavras, foi logo arrebatado para o suplício. 29E os que o levavam, e que pouco antes tinham sido mais brandos, se acenderam em cólera por causa das palavras que Eleazar acabará de dizer, as quais eles entendiam tê-las proferido por arrogância. 30E quando êle estava a ponto de morrer pela veemência dos golpes, deu um grande suspiro, e disse: Senhor, que tens uma ciência tôda santa, tu sabes claramente que podendo eu livrar-me da morte, sofro em meu corpo acerbas dores: Mas que na alma sinto alegria em as padecer pelo temor que te tenho. 31E desta maneira é que êle morreu, deixando não somente ªºli moços, mas também a tôda a sua nação, a lembrança ela sua morte para exemplo de virtude, e de fortaleza.
Novo TestamentoJo 12,18-50
João 12
18E isto foi o que também fêz que o povo o viesse receber: Porque ouviram que êle obrará êste milagre. 19De sorte que disseram entre si os fariseus: Vêdes vós que nada aproveitamos? Eis aí vai após êle todo o mundo. 20Ora, havia alguns gentios, daqueles que tinham vindo adorar a Deus no dia da festa.: 21Êstes pois se encaminharam a Filipe, que era de Betsaida de Galiléia, e lhe fizeram esta rogativa, dizendo: Senhor, nós quiséramos ver a Jesus: 22Veio Filipe dizê-lo a André: Então André e Filipe o disseram a Jesus. 23E Jesus. lhes resf)oncleu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem será glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo, que se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer: 25Fica êle só: Mas se êle morrer, produz muito fruto. O que ama a sua vida, perdê-la-á: E o que aborrece a sua vida neste mundo, conserva-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me serve, siga-me: E onde eu estiver, estará ali também o que me serve: Se alguém me servir meu Pai o honrará. 27Agora presentemente está turbada a minha alma. E que direi eu? Pai, livra-me desta hora. Mas para padecer n esta hora é que eu vim a ela. 28Pai, glorifica o teu nome. Então veio esta voz. do Céu: Eu não só o tenho já glorificado, mas ainda o glorificarei.: 29Ora, opovo que ali estava, e ouvirá aquela voz, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Algum Anjo lhe falou. 30Respondeu Jesus, e disse: Esta voz não veio por. amor de mim, mas veio por amor de vós outros. 31Agora é o juízo do mundo: Agora será lançado fora o príncipe dêste mundo. 32E eú quando fôr levantado da terra, tôdas as coisas atrairei a mim mesmo: 33(E dizia isto, para designar de que morte havia de morrer.) o 34Respondeu-lhe o povo: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre: Como dizes tu logo: Importa que o Filho do homem seja levantado? Quem é êste Filho do homem? 35Respondeu-lhes então Jesus: Ainda por um pouco. de tempo está a luz convosco. Andai enquanto tendes luz, para que vos não apanhem as trevas, porque quem caminha em trevas, não sabe por onde vai. 36Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Isto disse Jesus, e retirou-se, e escondeu-se dêles. 37Mas sendo tantos os milagres que fizera em sua presença, não criam nele. 38Para se cumprir a palavra do profeta Isaías, a qual êle proferiu: Senhor; quem chegou a crer o que ouviu de nós? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 39Por isso não podiam crer, porque outra vez disse Isaías: 40Êle obcecou-lhes os olhos, e obdurou-lhes o coração: Para que não vejam com os olhos, e não entendam com o coração: E se convertam, e eu os sare. 41Isto disse Isaías, quando viu a sua glória, e falou dêle. 42Contudo isto também creram nele muitos senadores, mas por causa dos fariseus não o confessavam, por não serem expulsos da Sinagoga: 43Porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus. 44Mas Jesus levantou a voz, e disse: O que crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou. 45Eo que me vê a mim vê aquele que me enviou. 46Eu, que sou a luz, vim ao mundo: Para que todo o que crê em mim, não fique em trevas. 47E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar: Eu não o julgo: Porque não vim a julgar o mundo, mas a salvar o mundo. 48O que me despreza; e não recebe as minhas palavras, tem quem no julgue: A palavra, que eu tenho falado, essa o julgará no dia último. 49Porque eu não falei de mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é o mesmo que me prescreveu pelo seu mandamento, o que eu devo dizer, e o que devo falar. 50E eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. Assim que o que eu digo digo-o segundo mo disse o Pai.
Salmos e ProvérbiosPr 21,9-15
Provérbios 21
9Melhor é estar assentado no terraço, do que habitar com uma mulher litigiosa, e numa casa comum. 10A alma do ímpio deseja o mal, não se compadecerá do seu próximo. 11Quando o homem pestilento fôr castigado, o simples ficará daí mais sábio: E se êle aderir ao homem sábio, adquirirá a ciência. 12O justo considera com aplicação a casa do ímpio, para retrair os ímpios do mal. 13Aquele que tapa os seus ouvidos ao clamor do pobre, êsse mesmo também clamará, e não será ouvido. 14O presente secreto extingue as iras: E a dádiva que sc mete no seio de outrem, a maior indignação. 15O justo acha a sua alegria na prática da justiça: Mas os que cometem a iniquidade estão em pavor.