Dia 323
2Mc 4 · Jo 12,1-17 · Pr 21,1-8 · cerca de 12 min
Destaque da leitura de hoje“Fazer misericórdia e justiça é mais agradável ao Senhor do que as vítimas.”Provérbios 21,3
Antigo Testamento2Mc 4
2 Macabeus 4
1Mas Simão, que, como se disse acima, tinha denunciado o dinheiro, e se havia declarado contra a sua pátria, dizia mal de Onias como se êle fôsse o que tinha instigado Heliodoro a fazer o que fizera, e tivesse êle sido a causa impulsiva de todos êstes males: 2E atreveu-se a fazer passar por um traidor do reino o protetor da cidade, e o defensor da sua nação, e o zelosíssimo observador da lei de Deus. 3Mas como esta inimizade passava a tal extremo, que até por alguns amigos de Simão se cometiam homicídios: 4Considerando Onias o perigo desta dissenção, e que Apolônio, como governador que era da Celesíria, e da Fenícia, aumentava o seu furor, para animar a malícia de Simão, foi ter com o rei. 5Não como acusador dos seus compatriotas, mas atendendo no seu coração à comum utilidade de todo o seu povo. 6Porque via que sem uma providência do rei não era possível pôr as coisas em paz, nem que Simão ces-sasse da sua loucura. 7Mas depois da morte de Seleuco, como tivesse recebido o reino, Antíoco, que se chamava o Ilustre, procurava Jasão, irmão de Onias, usurpar-lhe o sumo sacerdócio:. 8Tendo ido com êste fim buscar o rei, prometendo-lhe trezentos e sessenta talentos de prata, e oitenta talentos de outras rendas. 9Sôbre isto lhe prometia ainda mais outros cento e cinquenta talentos, se se lhe desse faculdade de instituir uma academia, e uma aula, e de fazer os habitantes de Jerusalém cidadãos de Antióquia. 10Tendo o rei anuído a esta sua petição, e êle mesmo alcançado já o principado, logo começou a trabalhar por que os seus naturais abraçassem os ritos dos gentios: 11E abolidos todos os privilégios, que os reis por um efeito da sua humanidade tinham concedido aos judeus, por meio de João, pai de Eupolemo, que foi enviado por embaixador aos romanos, a renovar a amizade, e a aliança dos judeus com êles, transtornando as arde-nações legítimas dos seus compatriotas, estabelecia leis perversas. 12Porque teve o atrevimento de fundar uma academia debaixo da mesma fortaleza, e de expor os mais perfeitos moços em lugares infames. 13E isto não era um princípio, mas já um progresso, e consumação da vida pagã, e estrangeira por causa da detestável, e inaudita maldade do ímpio e falso sacerdote Jasão: 14De tal sorte que os sacerdotes não se aplicando já às funções do altar, mas desprezado o templo, e descuidados dos sacrifícios, se apressavam a assistir aos jogos da luta, e à injusta distribuição dos seus prêmios, e aos exercícios do disco. 15E por certo não reputando em nada as honras da pátria, faziam muito maior aprêço das glórias dos gregos: 16Por esta causa se excitava entre êles uma perigosa emulação, e faziam alarde de imitar os costumes dêstes gentios, e afetavam ser em tudo semelhantes àqueles que antes tinham sido seus mortais inimigos. 17Porque o obrar impiamente contra as leis de Deus, não fica sem castigo: E isto mostrará bem às claras a história do tempo que se vai seguindo. 18Pois como se celebrassem em Tiro os jogos, que se fazem de cinco em cinco anos, e estivesse o rei presente, 19mandou de Jerusalém o ímpio Jasão uns homens de vida estragada levar trezentas didracmas de prata para o sacrifício de Hércules, as quais os mesmos que as tinham levado, pediram que se não empregassem em tais sacrifícios, porque não convinha que elas fôssem aplicadas para isso, mas para outra casta de despesas. 20Porém estas didracmas sim é verdade que foram oferecidas por aquêle que as enviara para O sacri-fiício de Hércules: Mas em tenção às instâncias dos que as levavam, se aplicaram para a construção das ga-leras. 21Entretanto enviado ao Egito, Apolônio, filho de Mnesteu, por causa dos grandes da côrte do rei Ptolomeu Filometor, como Antíoco viesse a conhecer que tinha sido excluído do govêrno dos negócios daquele reino, atendendo só a seus próprios interêsses, depois de haver partido de lá, veio primeiro a Jope, e depois a Jerusalém. 22E recebido magnificamente por Jasão, e por tôda a cidade, fêz a sua entrada alumiada de fachos, e entre públicas aclamações: E dali voltou para a Fenícia com o seu exército. 23E passado o espaço de três anos mandou J asão a Menelau, irmão daquele Simão, de que se falou acima, para levar dinheiro ao rei, e para haver de trazer a resolução de certos negócios importantes. 24Porém Menelau tendo adquirido para si a benevolência do rei pelo modo lisonjeiro com que exage-rava a grandeza do seu poder, achou com que fazer recair nas suas mãos o sumo sacerdócio, dando trezentos talentos de prata sôbre o que tinha dado Jasão. 25E recebidas as ordens do rei se retirou, não tendo por certo nada que fôsse digno do sacerdócio: Mas sim portando-se com o ânimo de um cruel tirano, e com a ira de uma bêsta fera. 26E assim Jasão, que tinha surpreendido a seu próprio irmão, êle mesmo enganado, depois de banido fugiu expulsado para o país dos amonitas. 27E desta sorte obteve Menelau o principado: Mas não tratava de mandar ao rei o dinheiro que lhe tinha prometido, ainda que Sóstrato, que era o governador da fortaleza, o apertava que fizesse êste pagamento: 28Porque a êle pertencia a arrecadação dos tributos: Pelo qual motivo ambos foram citados para comparecer diante do rei. 29E Menelau foi removido do sacerdócio, sucedendo-lhe Lisímaco, seu irmão: E Sóstrato foi promo-vido ao cargo de governador de Chipre. 30E enquanto estas coisas se passavam, aconteceu excitarem os de Tarso, e os de Malo uma sedição, por terem sido dados a Antioquides, concubina' do rei. 31Foi lá pois o rei a tôda a pressa apaziguá-los, tendo deixado por seu lugar-tenente um dos grandes da sua côrte, por nome Andrônico. 32Menelau porém crendo que tinha chegado a lograr uma ocasião favorável, tendo furtado do templo alguns vasos de ouro, deu parte deles a Andrônico, e vendeu os outros em Tiro, e nas cidades vizinhas. 33Como Ônias tivesse sabido isto com tôda a certeza, repreendeu a Menelau, contendo-se êle entretanto em Antióquia num lugar seguro junto a Dafné. 34Por esta causa indo Menelau ter com Andrônico, lhe rogava que matasse a Onias. Tendo pois vindo Andrônico onde estava Onias, e depois de haver persuadido a êste dando-lhe a destra com juramento (se bem que Onias o tinha por suspeito) que saísse daquele asilo, Andrônico o matou logo, sem temor algum da justiça. 35Por esta causa não somente os judeus mas também as outras nações estavam indignadas, e levaram muito a mal a injusta morte de um tão grande varão. 36Pelo que tendo o rei voltado das partes da Cilicia, foram ter com êle a Antióquia os judeus, e juntamente os gregos, queixando-se desta injusta morte de Onias. 37E ficou Antíoco penetrado de tristeza, no fundo do seu coração, por causa da morte de Onias, e movido a compaixão dêle, derramou lágrimas, lembrado da temperança e modéstia do defunto. 38E aceso em ira manda que Andrônico, despojado da púrpura, seja levado por tôdas as ruas da cidade: E que um tal sacrílego seja privado da vida no mesmo lugar onde tinha cometido esta impiedade, contra Onias, dando-lhe o Senhor o castigo que merecia. 39Ora, tendo cometido Lisimaco muitos sacrilégios no templo por conselho de Menelau, e divulgada esta fama, ajuntou-se contra Lisimaco uma grande multidão de povo, a tempo que êle já tinha exportado muito ouro. 40Como os da cidade pois se sublevassem e estivessem os ânimos cheios de cólera, Lisimaco, tendo feito armar perto de três mil homens, começou a usar de violência, sendo capitão desta gente um certo Tirano, igualmente avançado em idade e em malícia. 41Mas quando os do povo entenderam o intento de Lisimaco, uns arrebatadamente lançaram mão de pedras, outros de fortes cajados: E alguns arrojaram cinza contra Lisiímaco. 42E foram ali muitos feridos, e alguns também ficaram mortos, e todos postos em fugida: E mataram ao mesmo sacrílego ao pé do tesouro. 43Por tôdas estas desordens pois se começou a tratar de uma acusação contra Menelau. 44E tendo vindo o rei a Tiro, vieram três deputados enviados pelos anciãos oferecer-lhe as suas queixas nesta matéria. 45E vendo Menelau que êle sucumbia a esta acusação, prometeu dar a Ptolomeu uma grande soma de dinheiro, para êle falar ao rei em seu favor. 46Ptolomeu pois foi buscar o rei, quando êle estava pôsto num átrio, como a tomar o fresco, e o fêz mudar de resolução: 47E êste príncipe declarou inocente de delitos a Menelau, pôsto que culpado em tôda a casta de crimes: E condenou à morte aquêles infelizes deputados, que teriam sido julgados inocentes, ainda quando tivessem orado a sua causa diante dos citas. 48Assim aquêles que haviam sustentado os interêsses da cidade, e do povo, e o respeito devido aos sagrados vasos, foram punidos para logo contra tôda a Justiça. 49Por isso também os mesmos Tiros, indignados do caso, se mostraram generosíssimos na honrada sepultura que lhes deram. 50Entretanto Menelau se mantinha na autoridade pela avareza dos que tinham o poder, crescendo em malícia para fazer traições aos seus compatriotas.
Novo TestamentoJo 12,1-17
João 12
1Seis dias pois antes da Páscoa veio Jesus a Betã-nia, onde morrera Lázaro, a que Jesus ressuscitou. 2E deram-lhe lá uma ceia: Na qual servia Marta, e onde Lázaro era um dos que estavam à mesa com êle. 3Tomou Maria então uma libra de bálsamo, feito de nardo puro de grande preço, e ungiu os pés de Jesus e lhe enxugou os pés com os seus cabelos: E ficou cheia tôda a casa do cheiro do bálsamo. 4Então Judas Iscariotes, um dos discípulos de Jesus, aquele que o havia de entregar, disse: 5Por que se não vendeu êste bálsamo por trezentos dinheiros, e se deu aos pobres? 6E disse isto, não porque êle tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão, e sendo o que tinha a bolsa, trazia o que se lançava nela. 7Mas Jesus respondeu: Deixai-a que ela guarde isto para o dia da minha sepultura. 8Porque vós outros sempre tendes convosco os pobres: Mas a mim não me tendes sempre. 9Soube pois um crescido número de judeus, que Jesus estava ali: E vieram, não somente por causa dele, senão também para verem a Lázaro, a quem êle havia ressuscitado dentre os mortos. 10Porém os príncipes dos sacerdotes assentaram matar também a Lázaro: 11Porque muitos por causa dêle se retiravam dos judeus; e criam: em Jesus. 12E no dia seguinte uma grande multidão de povo, que tinha vindo à festa, ouvindo dizer que Jesus vinha a Jerusalém: 13Tomaram ramos de palmas, e saíram a recebê-lo, e clamavam: Hosana, bendito seja o Rei de Israel, que vem em nome do Senhor. 14E achou Jesus um jumentinho, e montou em cima dêle, segundo o que está escrito: 15Não temas, filha de Sião. Eis aqui o teu rei, que vem montado sôbre o asninho, filho da jumenta. 16Não fizeram seus discípulos no princípio reflexão nestas coisas: Mas quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que assim estava escrito dele: E que eles mesmos haviam contribuido para o seu cumprimento. 17E o grande número dos, que se achavam com. Jesus, quando êste chamou a Lázaro do sepulcro, e o ressuscitou dos mortos, dava testemunho dêle.
Salmos e ProvérbiosPr 21,1-8
Provérbios 21
1Assim. como se fazem os repartimentos das águas, assim o coração do rei se acha na mão do Senhor: Êle o inclinará para qualquer parte que quiser. 2Todo o caminho do homem lhe parece a êle direito: Mas o Senhor pesa os corações. 3Fazer misericórdia e justiça é mais agradável ao Senhor do que as vítimas. 4A soberba do coração faz altivos os olhos: A candeia dos ímpios é o pecado. 5Os pensamentos do homem robusto produzem sempre abundância: Mas todo o preguiçoso está sempre em: pobreza. 6Aquêle que ajunta tesouros com uma língua de mentira, é vão e sem juízo, e dará consigo nos laços da morte. 7As rapinas dos ímpios levá-los-ão à sua ruína, porque não quiseram obrar segundo a justiça. 8O caminho perverso do homem é um caminho estranho: Mas quando o homem é puro, são retas as suas. obras.