Dia 6
Gn 16–18 · Mt 5,19-48 · Sl 6 · cerca de 14 min
Destaque da leitura de hoje“Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou enfêrmo: Sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão comovidos.”Salmo 6,3
Antigo TestamentoGn 16–18
Gênesis 16
1Ora Sarai, mulher de Abrão, não tinha filhos: mas como tinha uma escrava egiptana, chamada Agar, 2disse a. seu marido: Bem vês que o Senhor me fêz estéril, e que eu não posso ter filhos. Toma pois a minha escrava, a ver se ao menos por ela posso ter filhos. E como Abrão anuísse aos seus rogos, 3tomou Sarai a Agar egiptana sua escrava, e a deu por mulher a seu marido, dez anos depois que êles tinham começado a habitar na terra de Canaã. 4Tendo Abrão entrado a ela, e vendo Agar, que tinha concebido, começou a desprezar a sua senhora. 5Então disse Sarai a Abrão: Tu tratas-me dum modo injusto. Eu dei-te a minha escrava para ser tua mulher, e ela depois que se viu prenhada, despreza-me. O Senhor, seja juiz entre mim, e ti. 6Abrão lhe respondeu: Eis-aí a tua escrava; ela está nas tuas mãos, usa dela, como te der na vontade. Como Sarai a maltratasse, fugiu Agar. 7E tendo-a o anjo do Senhor, achado no ermo ao pé da fonte, que está junto ao-caminho de Sur no deserto, disse-lhe: 8Agar, escrava de Sarai, donde vens tu? e para onde vais? Ela lhe respondeu: Fujo de diante de Sarai minha senhora. 9E o anjo do Senhor lhe disse: Volta para a tua senhora, e humilha-te debaixo da sua mão. 10E ajuntou: Eu multiplicarei a tua descendência, e a farei tão numerosa, que ela se não possa contar. 11Disse ainda mais: Eis-aí concebeste tu, e parirás um filho, a quem porás o nome de Ismael; porque o Senhor te ouviu na tua aflição. 12Êste será um homem fero, cuja mão será contra todos, e contra o qual terão todos a mão levantada. Êle porá as suas tendas defronte de todos os seus irmãos. 13Então invocou Agar o nome do Senhor. que lhe tinha falado, e disse: Tu és o Deus que me viste; porque é certo, (ajuntou ela) que eu vi aqui por detrás aquele, que me vê. 14Por esta razão chamou ela àquele poço o Poço do que vive, e do que me vê. Êste é o poço, que está entre Cades, e Barad. 15Ora, Agar pariu um filho a Abrão, que o chamou Ismael. 16Tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Aga! lhe pariu a Ismael.
Gênesis 17
1Entrava Abrão no ano noventa e nove de sua idade, quando o Senhor lhe apareceu, e lhe disse: Eu sou o Deus todo Poderoso: anda em minha presença e serás perfeito. 2Eu farei aliança contigo, e te multiplicarei infinitamente. 3Abrão se prostrou com o rosto em terra. 4E Deus lhe disse: Eu sou: Eu farei um pacto contigo, e tu serás pai de muitas gentes. 5Daqui em diante não te chamarás mais Abrão; mas chamar-te-ás Abraão; porque eu te tenho para pai de muitas gentes. 6Eu farei crescer a tua posteridade infinitamente; e eu te farei chefe das nações; e de ti sairão reis. 7Eu estabelecerei o meu pacto contigo, e com os teus vindouros no decurso das suas gerações, por um concêrto eterno: E eu serei o teu Deus, e o Deus da tua. posteridade depois de ti. 8Eu te darei a ti, à tua posteridade a terra, em que tu agora moras como estrangeiro; todo o país de Canaã, como uma herança eterna: e eu serei o teu Deus. 9Disse mais Deus a Abraão: Tu pois guardarás o meu pacto, tu, e teus descendentes depois de ti. Todos os machos dentre vós serão circuncidados. 10Eis-aqui o pacto, que eu faço contigo, para que tu o observes, e a tua posteridade depois de ti. Todos os machos dentre vós serão circuncidados. 11E vós circuncidareis a carne do vosso prepúcio. para que esta circuncisão seja o sinal do concêrto. que há entre mim, e vós. 12O menino de oito dias será circuncidado entre vós: todo o menino será circuncidado em todo o decurso das vossas gerações. Tanto os escravos, que tiverem nascido em vossas casas, como os que vós tiverdes comprado, e que não forem da vossa raça, todos serão circuncidados. 13E esta marca do meu pacto será na vossa carne como o sinal duma eterna aliança. 14Todo o macho, cuja carne não fôr circuncidada, será aquela alma exterminada do seu povo, porque violou o meu pacto. 15Disse também Deus a Abraão: Tu não tornarás mais a chamar Sarai a tua mulher, mas chamá-la-ás Sara. 16Eu a abençoarei, e ela te dará um filho, a quem lançarei a minha bênção; e êle será o chefe das nações, e dêle sairão os reis dos povos. 17Abraão se prostrou com o rosto em terra, e riu-se, dizendo lá no seu coração: Pois que? Um homem de cem anos terá um filho? e Sara parirá, sendo de noventa? 18E êle disse a Deus: seja do teu agrado, que Ismael viva em tua presença. 19E Deus lhe respondeu: Sara tua mulher te parirá um filho, que tu chamarás Isaac; e eu confirmarei a minha aliança com êle, e com seus descendentes depois dêle, para que esta aliança seja eterna. 20Eu te ouvi também acêrca de Ismael: eu o abençoarei, e o farei crescer, e multiplicarei a sua raça. Eu o farei pai de doze príncipes, e duma nação muito numerosa. 21Mas no tocante ao meu pacto com Isaac é que eu o estabelecerei; e Sara o parirá para o ano nesta mesma estação, em que nós estamos. 22E tendo assim falado a Abraão, se elevou Deus, e desapareceu dos seus olhos. 23Então tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os escravos nascidos em sua casa, e a todos os que êle tinha comprado, e geralmente a todos os varões da sua casa, e circuncidou-os logo no mesmo dia, como o Senhor lhe tinha ordenado. 24Tinha Abraão noventa e nove anos, quando se circuncidou. 25E Ismael tinha treze anos completos. quando foi circuncidado. 26Abraão e Ismael foram circuncidados num mesmo dia. 27E todos os homens da casa de Abraão foram circuncidados ao mesmo tempo, assim dos escravos comprados, como dos que tinham nascido em casa, e dos que eram estrangeiros.
Gênesis 18
1Ora, o Senhor apareceu a Abraão no: Vale de Mambre, quando êle estava assentado à porta da sua tenda no maior calor do dia. 2E tendo Abraão levantado os olhos apareceram três homens juntos a êle. Tanto que êle os viu, correu da porta da sua tenda a recebê-los; e prostrado em terra, lhes disse: 3Senhor, se eu achei graça diante de teus olhos, não passes a casa do teu servo. 4Eu, porém, trarei uma pouca de água para vos lavar os pés: E entretanto descansai debaixo desta árvore. 5Eu vos porei diante, um pouco de pão para recobrardes as vossas forças; e ao depois continuareis o vosso caminho: Porque por isso é que vós viestes ao vosso servo. Êles lhe responderam: Faze o que disseste. 6Entrou Abraão a tôda a pressa na sua tenda e disse a Sara: Amassa depressa três medidas da mais pura farinha, e faze cozer uns pães debaixo da cinza. 7E êle correu ao mesmo tempo à manada, e tomou um novilho dos melhores e mais tenros, e deu-o a um criado, que com tôda a brevidade o cozeu. 8Tomou também manteiga e leite, com o novilho que tinha feito cozer, e pôs tudo diante dêles: E êle entretanto estava de pé junto a êles debaixo da árvore. 9Depois que comeram, disseram êles para Abraão: Onde está Sara tua mulher? Respondeu Abraão: Está na tenda. 10Um dêles lhe disse: Eu não faltarei a vir ver-te dentro dum ano a êste mesmo tempo: Achar-vos-ei a ambos com vida; e Sara tua mulher terá um filho. Sara, tendo isto ouvido, riu-se detrás da porta da tenda; 11Porque ambos êles eram velhos, e mui idosos; e a pensão, que de ordinário experimentam as mulheres, tinha cessado a Sara. 12Ela pois se pôs a rir secretamente, e disse: Depois de eu ser uma velha, e meu Senhor tão avançado em anos, pôr-me-ei eu a usar do matrimônio? 13Mas o Senhor disse a Abraão: Por que é que se riu Sara, dizendo: Posso eu esperar ser mãe, sendo velha como sou? 14Há porventura alguma coisa, que seja difícil a Deus? Eu sem falta tornarei a vir ver-te, como te prometi, dentro de um ano a êste mesmo tempo; achar-vos-ei a ambos com vida: E Sara terá um filho. 15Sara tôda cheia de medo o negou, dizendo: Eu não me ri. Mas o Senhor lhe disse: Não, isso não é assim, porque tu riste-te. 16Tendo-se pois levantado dali aqueles homens, voltaram os olhos para Sodoma; e Abraão os conduziu, e foi com êles. 17Então disse o Senhor: Acaso poderei eu ocultar a Abraão o que estou para fazer? 18Pois que êle há de vir a ser pai de uma nação numerosíssima e poderosíssima; e que tôdas as nações da terra hão de ser benditas nêle? 19Porque eu sei que êle há de ordenar a seus filhos e a tôda a sua família depois dêle, que guardem os caminhos do Senhor, e que obrem conforme a equidade, e a justiça; para que o Senhor execute a favor de Abraão tudo o que lhe tem prometido. 20Acrescentou depois o Senhor: O clamor de Sodoma e de Gomorra se aumenta cada vez mais; e o seu crime tem chegado ao seu auge. 21Eu pois descerei a ver se as suas obras correspondem ao clamor, que chegou a mim para saber se assim é, ou não é. 22Então partiram dali dois daqueles homens, e foram para Sodoma. Mas Abraão ficou ainda diante do Senhor. 23E chegando-se, lhe disse: Quererás tu perder os justos com os iníquos? 24Se nesta cidade houver cinquenta justos, fá-los-ás tu perecer com todos os outros? Não perdoarás tu a esta cidade em atenção a cinquenta justos, se tantos se acharem nela? 25Tu sem dúvida estás bem longe de tal fazer. Tu não perderás o justo com o ímpio, nem confundirás o bom com o mau. Êste procedimento não te convém de sorte alguma: Tu, que és juiz de tôda a terra, não podes exercer um tal juízo. 26Disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos, eu perdoarei por amor dêles a tôda a cidade. 27Prosseguiu Abraão: Uma vez que eu comecei, falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó, e cinza. 28Se faltarem cinco para os cinquenta justos, destruirás tu tôda a cidade, porque nela se não acham senão quarenta e cinco? Não, disse o Senhor, eu a não destruirei, se achar nela quarenta e cinco. 29Replicou Abraão: Mas se nela não houver, senão quarenta justos, que farás tu? Eu a não castigarei, disse o Senhor, se achar nela quarenta. 30Peço-te, Senhor, ajuntou Abraão, que te não indignes, se eu ainda continuo a falar. Que farás tu, se lá achares trinta justos? Respondeu o Senhor: Se eu achar nela trinta, não a destruirei. 31Pois que eu comecei, disse Abraão, falarei eu ainda ao meu Senhor. E se ali forem achados vinte? Não a arruinarei, respondeu êle, se nela houver vinte. 32Eu te conjuro, Senhor, continuou Abraão não te enfades, se eu te falar ainda uma vez. Que será, se tu não achares nesta cidade senão dez justos? Eu a não destruirei, disse o Senhor, se nela houver dez. 33Retirou-se pois o Senhor, depois que cessou de falar a Abraão: e Abraão voltou para sua casa.
Novo TestamentoMt 5,19-48
Mateus 5
19Aquêle pois que quebrar' um dêstes minimos mandamentos, e que ensinar assim aos homens, será chamado mui pequeno no reino dos Céus: Mas o que os guardar, e ensinar a guardá-los, êsse será reputado grande no reino dos Céus. 20Porque eu vos digo, que se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do «que a dos escribas, e a dos fariseus, não entrareis no reino dos Céus. 21Ouvistes que -foi dito aos antigos:. Não matarás: E quem matar será réu no Juízo. 22Pois eu digo-vos: Que todo o que se ira contra seu irmão, será réu no juízo. E o que disser a seu irmão: Raça, será réu no conselho: E o que lhe disser: És um tolo, será réu do fogo do inferno. 23Portanto, se tu estás fazendo a tua oferta diante do altar, e te lembrar aí que teu irmão tem contra ti alguma coisa: 24Deixa ali a tua oferta diante do altar e vai-te reconciliar primeiro com teu irmão: E depois virás fazer «a tua oferta. 25Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás pôsto a caminho com êle: Para que não suceda que êle adversário te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro: E sejas mandado para a cadeia. 26Em verdade te digo, que não sairás de lá, até não pagares o último ceitil. 27Ouvistes que foi dito aos antigos: Não adulterarás. 28Eu porém digo-vos: Que todo o que olhar para uma mulher cobiçando-a, já no seu coração adulterou comela, 29E se o teu ôlho direito te serve de escândalo, arranca-o, e lança-o fora de ti: Porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. 30E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lançaia fora de ti: Porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo vá para O inferno. 31Também foi dito: Qualquer que se desquitar de sua mulher, dê-lhe carta de repúdio. 32Mas eu vos digo: Que todo o que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de fornicação, a faz ser adúltera: E o que tomar a repudiada, comete adultério. 33Igualmente ouvistes que fdi dito aos antigos: Não jurarás falso: Mas cumprirás ao Senhor os teus juramentos. 34Eu porém vos digo, que absolutamente não jureis, nem pelo Céu, porque é o trono de Deus: 35Nem pela terra, porque é o assento de seus pés: Nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei: 36Nem jurarás pela tua cabeça, pois não podes fazer que um cabelo teu seja branco ou negro. 37Mas seja o vosso falar, sim, sim: Não; não: Porque tudo o que daqui passa, procede do mal. 38Vós tendes ouvido o que se disse: Ôlho por ôlho, e dente por dente. 39Eu porém digo-vos, que não resistais ao que vos fizer mal: Mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra: 40E ao que quer demandar-te em juízo, e tirar-te a tua túnica, larga-lhe também a capa: 41E se qualquer te obrigar a ir carregado mil passos, vai com êle ainda mais outros dois mil. 42Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. 43Tendes ouvido que foi dito: Amarás ao teu próximo, e aborrecerás a teu inimigo. 44Mas eu vos digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio: E orai pelos que vos perseguem e caluniam: 45Para serdes filhos de vosso Pai, que está nos Céus, o qual faz nascer o seu sol sôbre bons e maus: E vir chuva sôbre justos e injustos. 46Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? não fazem os publicanos também o mesmo? 47E se vós saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? não fazem também assim os gentios? 48Sêde vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.
Salmos e ProvérbiosSl 6
Salmo 6
1Ao regente do côro, com acompanhamento de instrumentos de corda, salmo de Davi, com vozes graves. 2Senhor, não me arguas no teu furor, nem me castigues na tua ira. 3Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou enfêrmo: Sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão comovidos. 4E a minha alma se turbou em extremo: Mas tu, Senhor, até quando? 5Volta-te, Senhor, e livra a minha alma: Salva-me pela tua misericórdia. 6Porque na morte não há quem se lembre de ti: E no inferno quem te louvará? 7Trabalhado me vejo no meu gemido, lavarei todas as noites o meu leito: Regarei com minhas lágrimas o meu estrado. 8O meu ôlho se turvou à vista do furor: Tenho envelhecido no meio de todos os meus inimigos. 9Apartai-vos de mim todos os que obrais iniquidade: Porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto. 10O Senhor ouviu o meu humilde rogo, o Senhor recebeu a minha oração. 11Sejam confundidos, e em extremo conturbados todos os meus inimigos: Convertam-se, e sejam cobertos de ignomínia num instante.