Dia 19
Gn 44–45 · Mt 13,22-37 · Sl 14 (15) · cerca de 12 min
Destaque da leitura de hoje“O que fala verdade no seu coração, o que não fêz engano com a sua língua: Nem fêz mal a seu próximo, nem consentiu que se infamassem seus próximos.”Salmo 14,3 (15)
Antigo TestamentoGn 44–45
Gênesis 44
1Ora José deu esta ordem ao dispenseiro de sua casa, e lhe disse: Mete nos sacos destes homens quanto trigo êles puderem levar, e o dinheiro de cada um no cimo dos sacos; 2e mete a minha taça de prata na bôca do saco do mais moço com o dinheiro, que deu pelo seu trigo. E assim se fêz. 3E ao outro dia pela manhã deixaram-nos ir com os seus burros. 4Quando êles tinham saído da cidade, e tinham. já caminhado um pedaço, chamou José o dispenseiro de sua casa, e lhe disse: Corre depressa atrás daqueles homens, e suspende-os do caminho, e dize-lhes: Por que tornastes vês mal por bem? 5A taça, que vós furtastes, é aquela, por onde bebe meu senhor, e a de que êle se serve para as suas adivinhações. Vós fizestes uma coisa malíssima. 6Fêz o dispenseiro o que lhe fôra mandado; e tendo-os embargado, disse-lhes tudo o que lhe fôra ordenado que dissesse. 7Êles lhe responderam: Por que fala nosso Senhor assim a seus servos, e os julga capazes -de cometer uma ação tão vergonhosa? 8Nós tornamos-te a trazer o dinheiro, que achamos na bôca dos nossos sacos. Como podia logo ser, que nós furtássemos da casa de teu senhor ouro, ou prata?: 9Aquêle de teus servos, qualquer que êle seja, a quem se achar o que tu buscas, morra; e nós seremos escravos de nosso senhor. 10Êle lhes disse: Faça-se conforme vós sentenciastes. Qualquer, a quem fôr achado o que eu busco, seja meu escravo: e quanto a vós outros, vós sereis inocentes. 11Descarregaram êles pois logo os seus sacos em terra, e cada um abriu o seu. 12O dispenseiro tendo-os examinado todos, começando desde o mais velho até ao mais moço, achou a -taça no saco de Benjamim. 13Então êles, rasgados os seus vestidos, e tornados a carregar os seus burros, voltaram outra vez para a cidade. 14Judá foi o primeiro, que se apresentou com seus irmãos diante de José, o qual sc não tinha ainda arredado do lugar, onde estava; e todos juntos se prostraram em terra diante dêle. 15José lhes disse: Por que vos houvestes vós assim comigo? Vós não sabeis que não há ninguém, que me iguale na ciência de adivinhar? 16Disse-lhe Judá: Que responderemos nós a nosso Senhor? Que lhe diremos nós, e que lhe poderemos nós representar, que tenha alguma sombra de justiça parà nossa defesa? Deus achou a iniquidade dos teus servos: eis-aqui somos nós escravos de meu senhor, nós, e aquêle,.a quem foi achado o copo. 17Respondeu José: Deus me defenda de tal fazer. Aquêle, que me furtou a minha taça, êsse seja meu escravo; e vós outros ide com tôda a liberdade para vosso pai. 18Então Judá chegando-se mais para José, lhe disse confiadamente: meu senhor, permite, te peço, a teu servo, que êle te fale, e não te agastes com o tèu servo. Porque abaixo de Faraó 19tu é que és meu senhor. Tu perguntaste no princípio a teus servos: Vós tendes ainda pai, ou algum outro irmão? 20E nós te respondemos: Meu senhor, nós temos um pai, que é velho, e um irmão pequeno, que êle houve na sua velhice: outro irmão, que tinha nascido da mesma mãe, é já morto. Sua mãe não tem senão êste, e seu pai o ama ternamente. 21Então disseste tu a teus servos: Trazei-mo cá, que gostarei de o ver; 22Mas nós te respondemos: Meu senhor, o menino não pode largar a seu pai; porque se o largar morrerá o pai. 23Disseste tu a teus servos: Se o mais pequeno de vossos irmãos não vier convosco, vós não me tornareis mais a ver a cara. 24Quando pois voltamos para nosso pai, teu servo, nós lhe contamos tudo o que meu senhor nos dissera. 25E nosso pai nos disse: Tornai a ir, para nos comprardes um pouco de trigo. 26Nós lhe dissemos: Nós não podemos ir: se nosso irmão mais moço vier conosco, iremos todos juntos: mas sem êle vir, nós nos não atrevemos a aparecer diante daquele homem. 27Êle nos respondeu: Vós sabeis que eu tive dois filhos de minha mulher. 28Tendo um dêles saído ao campo, dissestes vós que uma bêsta fera o tinha devorado: e até agora não aparece. 29Se vós levardes também êste outro, e lhe suceder alguma coisa no caminho, vós com a pena, que isto me causará, dareis com êste pobre velho na sepultura. 30Se eu pois chegar a meu pai, teu servo, e não lhe aparecer êste menino; como a sua vida depende da de seu filho, 31quando êle vir que o menino não vem conosco, morrerá; e teus servos causarão à sua velhice uma dor, que o leve à cova. 32Seja eu pois antes o que fique por teu escravo, pois que me obriguei a dar conta dêste menino, e isso prometi a meu pai, dizendo: Se eu to não tornar a trazer, não se me dará que meu pai me impute esta falta, e que êle ma não perdoe nunca. 33Assim eu ficarei teu escravo, e servirei a meu senhor em lugar dêste menino, para que êle volte com seus irmãos. 34Porque eu não posso tornar para meu pai, sem que vá êste menino; por não suceder que vá, eu mesmo ser testemunha da extrema aflição, que acabará a meu pai.
Gênesis 45
1José não podia conter mais as lágrimas: e como êle se achava rodeado de muita gente, mandou que saíssem todos para fora, para que nenhum estranho se achasse presente, quando êle se desse a conhecer a seus irmãos. 2Então caindo-lhe as lágrimas dos olhos, levantou êle muito a voz, a qual foi ouvida dos egípcios, e de tôda a casa de Faraó, 3e disse para seus irmãos: Eu sou José: vive ainda meu pai? Mas seus irmãos lhe não puderam responder, de passados que ficaram de temor. 4Êle lhes falou docemente, e lhes disse: Chegai-vos para mim. E como êles se tivessem chegado, ajuntou: Eu sou José vosso irmão, a quem vós vendestes para o Egito. 5Não temais, e não vos aflijais de me terdes vendido para estas terras; porque para salvação vossa me mandou Deus ao Egito. 6Há já dois anos que a fome começou na terra: e ainda faltam cinco, nos quais nem se poderá lavrar, nem segar. 7E Deus me mandou adiante, para que vós conservásseis a vida, e pudésseis ter de que subsistirdes. 8Não foi por vosso conselho que eu aqui fui mandado, mas pela vontade de Deus, que me fêz como pai de Faraó, senhor de tôda a sua casa, príncipe em todo o Egito. 9Dai-vos pressa a irdes ter com meu pai, e dizei-lhe: Eis-aqui o que te manda teu filho José: Deus me fêz senhor de todo o Egito, vem ter comigo, não te demores. 10Tu habitarás na terra de Gessen: Estarás ao pé de mim, tu, e teus filhos, e os filhos de teus filhos; as tuas ovelhas, os teus rebanhos, e tudo o que tu possuis. 11Eu cá te sustentarei, (porque ainda restam cinco anos de fome) para que tu não pereças com tôda a tua família, e com tudo o que te pertence. 12Vós vedes com os vossos olhos, vós e vosso irmão Benjamim, que eu mesmo sou o que vos falo de minha própria bôca. 13Anunciai a meu pai quanta é a glória, a que eu me vi exaltado, e tudo o que tendes visto no Egito. ApresSai-vos a trazerdes-mo. 14Tendo-se lançado ao pescoço de Benjamim, seu irmão, para o abraçar, chorou: e chorou também Benjamim abraçado com êle. 15Beijou também José a todos seus irmãos, e chorou sôbre cada um dêles: e depois disto é que êles se animaram a falar-lhe, 16Logo soou no palácio do rei, e se disse públicamente, que os irmãos de José tinham vindo: do que Faraó com tôda a sua casa recebeu grande prazer. 17E êle disse a José, que desse a seus irmãos esta ordem: Carregai os vossos burros, e tornai para a terra de Canaã: 18trazei de lá vosso pai com tôda a vossa família, e vinde ter comigo: eu vos darei tudo o que há bom no Egito, e vós sustentar-vos-eis do beijinho desta terra. 19Ordena-lhes outrossim, que tomem carros do Egito, para trazerem suas mulheres com seus filhinhos, e dize-lhes: trazei vosso pai, e dai-vos pressa a voltardes, o mais cedo que puder ser, 20sem deixardes nada das vossas alfaias: porque tôdas as riquezas do Egito serão vossas. 21Fizeram os filhos de Israel o que lhes fôra mandado. E José lhes fêz dar carros, segundo a ordem. que tinha recebido de Faraó, e víveres para o caminho. 22Mandou também dar duas túnicas a cada um de seus irmãos. A Benjamim porém deu cinco túnicas das mais estimadas, e trezentas moedas de prata. 23Outro tanto dinheiro, e outras tantas opas mandou José a seu pai, com dez burros carregados de tudo o que havia de mais precioso no Egito; e outras tantas burras, que levavam trigo, e pão para o caminho. 24Desta sorte despediu êle seus irmãos, dizendo-lhes ao partirem: Não guerreeis no caminho. 25Vieram êles pois do Egito para a terra de Canaã, para seu pai Jacó, 26a quem deram esta nova: teu filho José está vivo e tem o govêrno de todo o Egito. Jacó tendo isto ouvido, como quem acorda dum profundo sono. não podia entretanto crer o que êles lhe diziam. 27Insistiam seus filhos pelo contrário, referindo-lhe como tôdas as coisas se tinham passado. Enfim tendo visto os carros, e tudo o que José lhe mandava, recobrou O seu espírito, e disse: 28Não tenho mais que desejar, uma vez que meu filho José ainda vive: irei, e vê-lo-ei, antes que eu morra.
Novo TestamentoMt 13,22-37
Mateus 13
22E o que recebeu a semente entre espinhos este é o que ouve a palavra, porém os cuidados dêste mundo, e o engano das riquezas sufocam a palavra e fica infrutuosa. 23Eo que recebeu a semente em boa terra, este é O que ouve a palavra, e a entende, e dá fruto, e assim um dá a cento, e outro a sessenta, e outro a trinta por um. 24Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino "dos Céus é semelhante a um homem, que semeou boa semente no seu campo: 25E enquanto dormiam os homens, veio o seu inimigo, e semeou depois cizânia no meio do trigo, e foi-se. 26E tendo crescido a erva e dado fruto, apareceu também então a cizânia. 27E chegando os servos do pai de família, lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste tu boa semente no teu campo? Pois donde lhe veio a cizânia? 28E êle lhes disse: O homem inimigo é que fêz isto. E os servos lhe tornaram: Queres tu que nós vamos e a arranquemos? 29E respondeu-lhes: Não: Para que talvez não suceda que, arrancando a cizânia, arranqueis juntamente com ela tambfo, o trigo. 30Deixai crescer uma, e outra coisa até à ceifa, e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiramente a cizânia, e atai-a em molhos para a queimar, mas o trigo recolhei-o no meu celeiro. 31Propôs-lhes mais outra parábola dizendo: O reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou, e semeou no. seu campo: 32O qual grão é na verdade o mais pequeno de tôdas as sementes: Mas depois de ter crescido, é a maior de todas às plantas e se faz árvore, de sorte que as aves do Céu vêm a fazer ninhos nos seus ramos. 33Disse-lhes ainda outra parábola: O reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma, e o esconde em três medidas de farinha, até que todo êle fica levedado. 34Tôdas estas coisas disse Jesus ao povo em parábolas: E não lhes falava sem parábolas: 35A fim de que se cumprisse o que estava anunciado pelo profeta, que diz: Abrirei em parábolas a minha bôca, farei dela sair com ímpeto coisas escondidas desde a criação do mundo. 36Então, despedidas as gentes, veio à casa: E chegaram-se a êle os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola da cizânia do campo. 37Êle lhes respondeu, dizendo: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem.
Salmos e ProvérbiosSl 14 (15)
Salmo 14 (15)
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais: Salmo 15.
1Salmo de Davi. Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Ou quem descansará no teu santo monte? 2O que caminha na inocência, e faz obras de justiça: 3O que fala verdade no seu coração, o que não fêz engano com a sua língua: Nem fêz mal a seu próximo, nem consentiu que se infamassem seus próximos. 4O que nos seus olhos olha o malvado como um nada: Mas honra aos que temem ao Senhor: O que jura a seu próximo, e não o engana. 5O que não deu a usura o seu dinheiro, nem recebeu dádivas sôbre o inocente: O que faz estas coisas descansará eternamente.